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Como chegar aos estágios 6 e 7 do EMRAM?

A Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS) é uma associação internacional com o objetivo principal de estimular o uso da Tecnologia da Informação (TI) pelo setor da Saúde. Foi fundada na década de 1960 em Chicago e hoje possui atividades em todo o mundo, inclusive recentemente no Brasil. Dentre as atividades da HIMSS, destacam-se o congresso anual realizado nos Estados Unidos (HIMSS Conference), o programa de desenvolvimento e certificação profissional para TI na Saúde (CPHIMS), e o Electronic Medical Record Adoption Model (EMRAM), este parte das atividades do HIMSS Analytics.

A HIMSS Analytics tem desenvolvido vários modelos de maturidade para a instituição de saúde avançar na área de TI, tais como o Electronic Medical Record Adoption Modelo (EMRAM), Continuity of Care Maturity Model (CCMM) e o Delta. O CCMM é voltado para a avaliação de sistemas de saúde, tais como a saúde pública de um País, Estado ou Município, ou mesmo, de uma operadora de plano de saúde. Enquanto que o Delta foi desenvolvido para identificar o nível de Analytics de uma instituição.

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Já o EMRAM funciona como uma acreditação hospitalar, visto que define requisitos mínimos que um hospital deve atender, sendo esses relacionados à adoção de tecnologias do prontuário eletrônico. Atualmente, há três versões do EMRAM: uma versão americana e uma versão europeia, ambas para Hospitais, e uma terceira versão para ambulatórios e consultórios. Nas linhas a seguir, os requisitos de cada estágio da versão europeia para hospitais serão apresentados de forma resumida.

Estágios do EMRAM
O modelo preconiza a adoção progressiva de tecnologias que suportam o processo assistencial, definindo 8 estágios evolutivos, do 0 ao 7, e com requisitos específicos que os hospitais devem atender para conquistar a classificação de cada estágio.

Basicamente, um hospital estágio 0 não possui nenhum tipo de sistema ou tecnologia que dê apoio à assistência ao paciente, enquanto uma instituição estágio 7 é um hospital digital, com intenso e amplo uso de tecnologias que dão suporte à assistência clínica e ao cuidado do paciente. Abaixo um resumo sobre quais tecnologias são exigidas em estágio na versão europeia do EMRAM para hospitais (versão adotada no Brasil):

Estágio 0 – Os três sistemas clínico-departamentais (LIS – laboratório, RIS – radiologia e PHIS – farmácia) não instalados ou não integrados e sem nenhuma disponibilização on-line de informações.

Estágio 1 – Sistemas para Laboratório, Radiologia e Farmácia instalados e integrados; ou resultados de exames disponibilizados on-line a partir de prestadores de serviços externos.

Estágio 2 – Repositório de dados clínicos (CDR) instalado e centralizado. Pode ter um Vocabulário Médico Controlado (CMV), um sistema de apoio a decisão clínica para checagem básica de interações e capacidade de intercâmbio de informação clínica-assistencial.

Estágio 3 – Documentação de enfermagem no PEP, inclusive com a checagem de enfermagem registrada no sistema. Sistema de apoio à decisão clínica (CDSS) para verificação de erros durante a prescrição e solicitação de exames. PACS disponível fora da Radiologia.

Estágio 4 – Sistema de prescrição e solicitação de exames e procedimentos (CPOE) instalado em pelo menos uma área assistencial. Sistema de apoio à decisão clínica baseado em protocolos clínicos.

Estágio 5 – PACS com as principais modalidades diagnósticos, com possibilidade de eliminação do filme (filmless).

Estágio 6 – Circuito fechado da administração de medicamentos, inclusive com checagem à beira leito. Interação da documentação médica com sistemas de apoio à decisão clínica (modelos estruturados e alertas de variância e conformidade).

Estágio 7 – PEP completo em pleno uso por todos os setores do hospital. Integração para compartilhar informações clínicas. Data Warehousing alimentando relatórios com resultados clínico-assistenciais, qualidade e Business Intelligence (BI). Dados clínicos disponíveis entre todos os setores: emergência, internação, UTI, ambulatório e centro cirúrgico.

A diferença básica entre o modelo europeu e o americano é uma inversão entre os requisitos dos estágio 5 e 6. No modelo americano, o PACS é exigido no estágio 6, enquanto no modelo europeu é exigido no estágio 5. Já o circuito fechado da administração de medicamentos é requisito do estágio 5 no modelo americano, e do estágio 6 no modelo europeu. No Brasil, o modelo adotado foi o europeu.

Uma descrição completa e comentada em português do EMRAM pode ser visualizada neste documento.

Processo de avaliação e validação dos estágios
Para a definição inicial de qual estágio se encontra o Hospital, este deve responder a um questionário disponibilizado pela HIMSS, que coleta informação sobre a utilização ou não das tecnologias preconizadas em cada estágio. Com a resposta a este questionário, através de um algoritmo em sua base de dados, a HIMSS indica qual é o estágio que o hospital está, de acordo com o nível de adoção atual.

Se o hospital for pré-classificado como estágio 6 ou 7, há então um processo específico de validação para confirmar que o hospital realmente está utilizando todas as tecnologias exigidas nos estágios. A primeira etapa da validação do estágio 6 ou 7 é a resposta a um questionário subjetivo com cerca de 60 questões, que exploram a adoção do prontuário eletrônico, seu nível de utilização, suas tecnologias e demais aspectos que esclarecem aos auditores da HIMSS qual é o perfil do hospital. Esse questionário é então analisado pela equipe da HIMSS Analytics que retorna com comentários e dúvidas adicionais.

A etapa seguinte é o validation call no qual, através de uma web conferência, o hospital deve realizar uma apresentação para os auditores da HIMSS, de forma que estes tenham ainda maior convicção que o hospital está realmente no estágio 6 ou 7. Se assim confirmado, é então agendado o validation on site. Nesta etapa, o hospital é visitado por auditores da HIMSS que percorrem todo o hospital, entrevistando médicos, enfermeiros e gestores para evidenciar na prática que o hospital está realmente utilizando todos os recursos esperados para o estágio 6 ou 7.

Após todo esse processo e estando o hospital em conformidade com o EMRAM, a HIMSS então certifica o hospital como sendo estágio 6 ou 7, apresentando um relatório estruturado com todas as conformidades e não conformidades encontradas na visita. Finalmente, há uma cerimônia de premiação do hospital durante algum evento oficial da HIMSS.

Hospitais Estágio 6 no Brasil
Até o final deste ano de 2015, a HIMSS já havia avaliado quase 8.000 hospitais em todo o mundo. Somente na Europa, mais de 1.300 instituições já sabem qual seu estágio, sendo 3 hospitais estágio 7 e 46 instituições validadas como estágio 6. Nos Estados Unidos, cerca de 3% dos hospitais já atingiram o estágio 7; e o que se percebe é que os hospitais americanos estão intensa e avidamente buscando a certificação da HIMSS, fenômeno similar ao que ocorre hoje no Brasil com relação às acreditações hospitalares (ONA, JCI, etc.).

Aqui no Brasil, as primeiras avaliações foram feitas em 2014 e, até o final de 2015, apenas 7 hospitais foram validados como estágio 6: Sírio Libanês, Samaritano, Alemão Oswaldo Cruz, Santa Paula, Idoso Zilda Arns, Unimed Recife e Unimed Volta Redonda. Não há, até então, nenhum hospital estágio 7 no Brasil.

*Por Claudio Giulliano Alves da Costa, MD, MSc, CPHIMS,FOLKS TIC – Tecnologia, Inovação e Conhecimento.
** a FOLKS é uma consultoria parceira da HIMSS no Brasil.

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