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ANS,Bradesco,Políticos e um monte de bobagens

By 3 de abril de 2017 Colunas, Gestão

Não sou fã da ANS, nem do Bradesco – é só olhar meus posts para ver quantas vezes bati na ANS e nas seguradoras.

Mas é um absurdo o que está em pauta recentemente: a questão da quebra unilateral dos contratos coletivos. É impressionante como as pessoas manipulam a mídia de forma irresponsável quando têm interesse.

Sou fã de uma rádio de São Paulo que escuto desde a minha infância, e fiquei pasmo ao ouvir tanta bobagem sobre o assunto nos últimos dias, por parte de pessoas que aprendi a admirar, mas que não estão se dando conta do grande erro que estão cometendo sobre o tema.

Resumo do cenário: “a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara Federal pretende discutir o descaso dos planos de saúde que rompem contratos da noite para o dia deixando milhares de beneficiários sem atendimento médico, cobrar da ANS que faça fiscalização ….”.

De que planeta estas pessoas vieram?

Ainda apareceu gente dizendo-se especialista em direito do consumidor, e que o código de defesa do consumidor proíbe que o segurado do plano de saúde fique sem atendimento médico … de onde saiu isso?

Antes de tocar no assunto para defender o Bradesco e a ANS neste caso, me permita fazer uma comparação bem simples:
Se uma empresa quer, ou é obrigada, a fornecer alimentação aos seus funcionários, e o fornecedor da empresa não quiser mais fornecer para a empresa, a empresa pode obrigar o fornecedor a fazer isso?

A questão é bem simples e provavelmente cada 1 milhão de pessoas que ler isso vai dizer que a responsabilidade da alimentação é da empresa e não do fornecedor – mais lógico que isso não existe.

É como se uma empresa comprasse alimentos da Nestlé para dar aos seus funcionários, a Nestlé não quisesse mais fornecer para a empresa, e a empresa culpar a Nestlé porque seus funcionários ficaram sem alimentos … tem alguma lógica nisso?

Vamos voltar para a saúde: se a empresa quer, ou é obrigada, a fornecer plano de saúde para seus funcionários e o fornecedor (no exemplo, o Bradesco) não quiser mais fornecer para a empresa, o Bradesco fica obrigado a continuar fornecendo?

É claro que não. A empresa que contratou o Bradesco que deve contratar outro fornecedor – mais claro que isso é impossível!

Então vem um político dizendo que o beneficiário não pode interromper seu tratamento, portanto o Bradesco deve continuar com o contrato.

Quer maior absurdo que isso: conhece alguém que é tratado pelo Bradesco?

É claro que não. O beneficiário é tratado pelo médico, pelo hospital, pela clínica – a empresa que contratou o Bradesco para pagar estes serviços de saúde que contrate outro fornecedor que pague o mesmo serviço … só isso!
E aí vem um político bater na ANS para fiscalizar.

Terceiro absurdo … é uma sequência de absurdos … “absurdos no atacado”.

Quando a ANS regulamentou os planos coletivos e permitiu que os contratos pudessem ser celebrados e cancelados unilateralmente nenhum político apareceu para bater na ANS. Ela errou, mas errou ao fazer a regulamentação, que foi criticada por centenas de pessoas (inclusive eu na época) mas como não interessava nenhum político fez nada. Agora vem dizer que ela tem que fazer o quê?

Se a regulamentação permite, ela tem que ficar quietinha no canto dela e não se meter no assunto – ela mesma definiu a regra!

Estes absurdos acontecem na saúde e parece que nunca vão acabar, porque diariamente tem alguém fazendo alguma coisa para piorar a saúde, e quando surge algo que causa ruído vem um monte de pessoas que não conhecem o sistema de saúde, e os políticos de carteirinha pensando na próxima eleição dizer bobagem.

Este evento, que prejudica milhares de pessoas não é nada perto de tanta coisa errada que prejudica muito mais pessoas, mas nos outros casos como não há interesse eleitoral todos se omitem. Vamos lembrar:

  • É praticamente impossível para quem tem plano de saúde conseguir tratamento cirúrgico de alta complexidade sem ter que pagar alguma coisa por fora para médicos e fornecedores de materiais de alto custo. Todo mundo sabe. Você provavelmente tem, ou já teve, algum conhecido ou familiar passando por isso – sendo extorquido no momento mais delicado da sua vida. E ninguém fala do assunto;
  • O segundo maior volume de reclamações e ações judiciais que existe no Brasil é relativo às operadoras de planos de saúde e na porcaria da regulamentação as Saúde Suplementar no Brasil. Só não é maior que o das operadoras de telefonia porque tem mais celular do que brasileiro neste país. E ninguém fala do assunto;
  • Milhões de pessoas não conseguem atendimento no SUS, por isso estão sofrendo cada vez mais na Saúde Suplementar. E ninguém fala do assunto.

Vou parar por aqui – só estes 3 entre centenas de coisas erradas no sistema de financiamento da saúde, prejudicam 100 vezes mais pessoas que o caso do cancelamento unilateral, que como defendi acima, não é problema do Bradesco ou da ANS, mas da empresa que ao invés de pagar um plano de saúde para seu funcionário, que é caro, contrata um plano coletivo que é mais barato, sabendo que é mais barato porque pode ser cancelado a qualquer momento.

Qual a minha indignação?

Ninguém dá chance para as pessoas que conhecem o sistema de saúde e o sistema de financiamento da saúde possam denunciar os problemas e discutir soluções, porque não interessa aos controladores do sistema.
Mas quando um evento prejudica um grupo específico ganha dimensão, acusa indevidamente uma operadora que só está fazendo o que a lei permite, e critica a reguladora porque ela não está fazendo o que não pode fazer!

Porque esta mídia leiga e os políticos não estão procurando saber o que vai acontecer quando forem regulamentados os planos de saúde populares?

Sabe quanta gente vai sofrer por causa deles?

Pergunte para quem é do ramo e durma se for capaz.

Me poupe!

 

Enio Salu

About Enio Salu

• Formação acadêmica: o Graduado em Tecnologia pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo; o Pós Graduado em Administração pela USP – Universidade de São Paulo; o Especializações pela FGV – Fundação Getúlio Vargas. • Histórico profissional: o Sócio Diretor da empresa Escepti; o Diretor da Furukawa Industrial, Hospital Sírio Libanês e Fundação Zerbini – InCor; o Líder de projetos na Austin Engenharia, Grupo O Estado de São Paulo e NTI. • Histórico Acadêmico: o Docente pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), CEEN-PUC/GO (Pontifícia Universidade Católica), FIA (Fundação Instituto de Administração FEA/USP), FUNDACE (Fundação para o Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia FEA/USP), entre outras; o Coordenador de Curso de MBA da Fundação Unimed; o Autor do Livro Administração Hospitalar no Brasil, Editora Manole, 2012; o Autor do Livro Modelo GCPP – Gestão e Controle de Projetos e Processos; o Membro do Comitê Científico do CATI-FGV/SP. • Outras Atividades: o Membro efetivo da FBAH (Federação Brasileira de Administradores Hospitalares); o Associado da NCMA (National Contract Management Association); o Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP. • Especializações Complementares: o Administração de Unidades Comerciais – SubwayCo – Miami; o Análise de Problemas e Tomada de Decisão – Kepner Treggoe; o Inúmeros cursos relacionados à Tecnologia da Informação, especialmente Análise Estruturada de Sistemas, Modelagem de Dados, Linguagens de Programação, Sistemas Gerenciadores de Bancos de Dados e Infraestrutura.

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