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SXSW: o futuro é rural

By 19 de março de 2019 Destaques, Eventos

Especialistas da Verily, Blue Cross Blue Shield do Texas e Texas A&M Transportation Institute explicaram durante o SXSW porque as áreas rurais têm o potencial para desenvolver as maiores inovações tecnológicas para a saúde em um futuro próximo. O SXSW é o maior festival de tecnologia e criatividade do mundo, e aconteceu entre os dias 8 e 17 deste mês em Austin, nos Estados Unidos.

O painel foi composto por Dan McCoy, Presidente da Blue Cross Blue Shield do Texas, Vivian Lee, Presidente de Plataformas de Saúde da Verily (empresa-irmã do Google), Greg Winfree, Diretor do Texas A&M Transportation Institute, e moderado por Carrie Byington, Vice Presidente do Centro de Ciências e Saúde da Universidade do Texas. Eles discutiram porque pacientes rurais podem ser os primeiros a experimentar o que há de mais moderno em termos de entrega de cuidados.

Carrie abriu o painel apontando que áreas rurais geralmente são compostas por populações idosas, menos favorecidas e com déficit de provedores, acarretando menos acesso. “Estamos vendo uma grande transformação, uma convergência de diferentes indústrias para resolver grandes questões de saúde”. Recentemente a Blue Shield Blue Cross, mais antigo provedor do Texas e também maior seguradora do estado, com 500 hospitais servindo 5 milhões de membros, fez uma parceria com a Universidade A&M do Texas para o que chamaram de “Rural Health Moonshot”, algo como a grande aposta da saúde rural.

Dan disse que o caminho certamente são moonshots ao invés de bandaids. O desafio do acesso a saúde de qualidade pode ser o epicentro de uma crise nacional. Não existem, por exemplo médicos em 35 regiões do Texas, e em 185 regiões, faltam psiquiatras. É como se não existisse essa especialidade no estado inteiro do Kansas, ele compara territorialmente.

Ambos concordam que não será um aplicativo ou uma tecnologia em específico que solucionará o problema. É uma problema complexo, que requer os melhores profissionais dedicados ao trabalho. Tanto que, apesar de conhecido o problema da falta de acesso às áreas rurais, há um movimento de desaparecimento dos hospitais rurais.

Isso porque a medicina está avançando tão rapidamente que as demandas tecnológicas requerem maiores times de TI e melhores infraestruturas, algo que estas áreas não conseguem suportar. Vivian explica no entanto que, há sim formas nas quais a tecnologia pode ser útil. “Como radiologista de formação, sempre fui acostumada a pensar em tecnologia como as grandes e caras máquinas de Ressonância Magnética, mas hoje acredito que há muito mais potencial para a tecnologia nos celulares e pequenos sensores. Tecnologias que foquem mais em prevenção do que tratamento.”, disse ela.

Outro assunto trazido para a discussão foi a grande distância entre áreas rurais e como a barreira da locomoção impacta o acesso a saúde desta população. Greg lidera o maior Instituto de Pesquisa de Transportes do Texas e estuda soluções inovadoras para resolver problemas relacionados a entrega de cuidado. “Eu acho justo dizer, que nestes casos, o acesso a saúde é definido pela posse de um automóvel. Eu acho que a perspectiva de uso de recursos em comunidade pode ajudar na democratização. Claro, também a telemedicina. Em 2005 nós implantamos uma ambulância com telemedicina, um recurso crítico durante uma situação de emergência.”

Carrie lembrou que muitas vezes as inovações dependem de quem as pague, parte por seguros de saúde, e que isso deve ser considerado. Vivian citou o exemplo da ambulância aérea, uma tecnologia já existente, porém não acessível, cerca de US$ 80.000 para um determinado trajeto. “Acho que o setor vai evoluir para pagar aquilo que gera valor. Se me falassem que seria possível a prática da medicina por telefone nos meus anos de formação como médica, eu provavelmente não acreditaria. Somente no ano passado as visitas por telemedicina na Blue Cross Blue Shield aumentaram 47%. São os consumidores nos mostrando como está a adoção das tecnologias.” e continua, ”Nós não sabemos ao certo como será a cara do sistema de saúde no futuro, mas a minha aposta é que os modelos de pagamento modularão a saúde. A saúde rural não pode sustentar o alto custo e o baixo valor, não há mais margem para isso”, disse a executiva da Verily.

A saúde rural trará mais oportunidades para a tecnologia do que jamais consideramos, e que de alguma forma estão em um nível cross com o espaço fora da Saúde. Nessa discussão, Greg cita a possibilidade de serviços de drone de baixa altitude para o transporte humano substituírem os helicópteros como ambulância. Ele disse que a Boeing já está desenvolvendo soluções alternativas de transporte aéreo, e que funcionariam como um aplicativo de corrida compartilhada. E porque não transpor isso para o transporte de pacientes? Como o paciente estabilizado, e acompanhado, o transporte pode ser além de mais rápido, mais inteligente e conectado com o provedor.

Um ponto levantado e derivado do tema de transporte rural, foram os carros autônomos, em especial o seu nível de entendimento atual. O diretor do Texas A&M Transportation Institute diz que hoje, eles dependem da tecnologia de visão de máquina, que lê o relevo e contorno das estradas. Um desafio rural é a falta de padronização e de medida de ação em efeitos climáticos, como escoamento de chuva ou neve. Ou mesmo a neblina, também comum na área urbana. Esses casos alteram a visibilidade e refletividade, dificultando o transporte seguro. Greg conta que no A&M eles estão desenvolvendo algo como estradas de terras inteligentes para solucionar algumas questões.

Para Vivien, a Inteligência Artificial irá expandir a disponibilidade de expertise nas comunidades e transformar a sua força de trabalho. Não necessariamente haverá médicos em todas as especialidades, e os médicos contarão com profissionais de várias outras áreas no compartilhamento do cuidado, como os motoristas citados anteriormente. Os desdobramentos da tecnologia rural para a saúde atingirão um ponto de convergência no qual não poderemos nem prever quais profissões serão requisitadas no futuro, e haverá uma revitalização profissional para a população dessas áreas.

“O que não podemos esquecer é que os maiores recursos do país estão na área rural, fibras, combustíveis, alimentos. O que todos das áreas urbanas irão comer, vestir e como irão se transportar estão diretamente ligados ao interior. Então nós precisamos que essa população tenha condições de viver, trabalhar, cuidar de sua família em um local no qual existam oportunidades de carreira, saúde e segurança”, lembrou Dan sobre a sustentabilidade da área rural.

“O meu entendimento é que a discussão não é somente sobre áreas rurais, em áreas urbanas gastam-se horas de um local para o outro, como se as distâncias fossem longas, mas não são.” completa Vivien. A mobilidade de pessoas, dados e mercadorias de forma segura, eficiente e inteligente é algo que já não se pode deixar de considerar nas discussões sobre saúde. Qual seja o lugar..

Fernanda Fortuna

About Fernanda Fortuna

Engenheira Biomédica pela Universidade Federal do ABC, Fernanda passou um ano na Escócia estudando Engenharia Mecânica. Após retornar ao Brasil, emprendeu na área de robótica e reabilitação. Apaixonada por tecnologia e saúde, hoje atua na curadoria de conteúdo para os eventos Saúde Business Fórum, Hospitalar e Healthcare Innovation Show.

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