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Projeto empreendedor de Brasília tem foco em saúde de idosos

By 19 de dezembro de 2014 Empreendedorismo

Iúri Honda tem 21 anos e é estudante de Economia da Universidade de Brasília. Michel Grahl tem a mesma idade, é estudante de Direito, e é diretor da rede de voluntários Atados em Brasília. Ambos são empreendedores sociais, e, atualmente, estão desenvolvendo uma iniciativa que busca inovar nos produtos oferecidos para a terceira idade: o Projeto Audarium. Iuri e Michel já apresentaram sua proposta no Demo Day do Social Good Brasil em 2014, e são a prova de que o movimento empreendedor está abrindo seus olhos para a oportunidade de focar no público idoso. A empresa ainda não tem site, então os rapazes deixam o contato caso alguém queira entrar em contato: iurihondaf@gmail.com e grahlmichel@gmail.com.

Para descobrir o que  Audarium vem fazendo, o Empreender Saúde conversou com Iuri.

1) Conte sobre a trajetória da Audarium: como surgiu a iniciativa?

O projeto, assim muitas soluções, nasceu a partir de um problema. A iniciativa do Projeto Audarium surgiu em 2013, quando o meu avô sofreu uma queda que provocou uma fratura grave em sua bacia. A queda ocorreu no banheiro da sua própria casa e acabou trazendo com ela várias consequências negativas e procedimentos, envolvendo cirurgias, hospitalização, internação em UTIs, além da limitação de sua capacidade de andar, comer, beber e se movimentar de maneira independente. Durante o tratamento, os custos emocionais e financeiros pesaram muito para a família e evidenciaram- se as restrições na oferta de produtos voltado para pessoas idosas no Brasil. Além disso, os produtos hospitalares e geriátricos voltados para a terceira idade ainda apresentavam um preço muito elevado, qualidade muitas vezes insatisfatória, baixa oferta e pouca variedade. Assim surge o Projeto Audarium, um projeto com o objetivo de mudança, de transformar a realidade dos idosos em todos os sentidos, através da inclusão, da segurança e da confiança. A proposta é inovar e reinventar os produtos geriátricos, trazendo produtos inovadores ou produtos que já existem, adaptações e melhoramentos por preços mais acessíveis e de maior qualidade.

2) Que projetos e/ou produtos a Audarium já desenvolveu focados em idosos?

O primeiro produto elaborado pelo Projeto Audarium foi o Protetor Audacter de Fêmur e Bacia. Esse produto é baseado em alguns modelos de proteção já existentes, os chamados Hip Protectors (Protetores de Bacia), que ainda não estão disponíveis no mercado brasileiro. Dessa forma, prototipamos alguns desses protetores buscando novas formas de absorção de impacto combinadas com conforto e comodidade para o idoso. Além disso, estamos em fase de teste, estudo e adaptação de outros produtos já existentes, visando seu melhoramento em todos os aspectos, incluindo o preço de produção.

3) Que outros projetos e/ou produtos pretende desenvolver para esse público?

Paralelamente, temos outras vertentes para o nosso projeto que não estão exclusivamente baseadas na produção de produtos manufaturados ou de caráter industrial. Meu irmão gêmeo, Hugo Honda, que também compõe a equipe Audarium, é estudante de Engenharia de Computação na Universidade de Brasília e hoje responde pela produção de aplicativos voltados para a melhoria da vida dos idosos e valorização das suas necessidades. Nosso primeiro aplicativo que será lançado de forma independente em 2016, chamado GuiAudarium, surgiu a partir de um questionamento do próprio Hugo sobre o nosso futuro não tão distante: quando chegarmos à terceira idade, nós continuaremos a ter acesso à tecnologia, informação de maneira prática e intuitiva? Muitas vezes nos deparamos com websites ou plataformas online feitas para idosos mas que nem sequer se preocupam em usar uma letra grande (para aqueles que têm problemas de visão) ou um menu acessível e intuitivo. Nosso objetivo é levar de maneira gratuita, uma forma do idoso se organizar e se integrar com o resto da sociedade, que hoje está amplamente conectada. Isso não significa que a pessoas tenha que ter facilidade com tecnologia, mas o contrário, um aplicativo que qualquer pessoa pudesse usar para se organizar, com letras grandes, sinais intuitivos e um design agradável, respeitoso e inclusivo.

4) Vocês não são da área da saúde. Qual é a estratégia de vocês para se integrar no tema?

Apesar de não sermos da área de saúde, acabamos nos envolvendo muito e descobrindo bastante sobre o assunto, com foco em Geriatria e Gerontologia. O fato de sermos de outras áreas e de já termos uma certa experiência com o ambiente empreendedor, nos permitiu ter uma visão diferente das oportunidades que existem hoje para quem quer inovar em saúde. Fomos atrás e nos envolvemos com diferentes maneiras de conhecer esse nicho, por meio de pessoas que já empreendem ou do próprio ambiente acadêmico. Hoje nós contamos com o contato com profissionais da saúde, incluindo médicos, fisioterapeutas, professores e pesquisadores que têm como objetivo melhorar a vida dos idosos, mas também com diferentes iniciativas e empreendedores da saúde. Algumas iniciativas são o Aging 2.0, Impact Hub e Conectando Gerações. São feitas por pessoas que, assim como nós, querem mudar a realidade dos idosos no Brasil e no mundo.

5) Qual seu maior desafio hoje da Audarium e quais são suas metas?

Hoje o nosso principal objetivo é manter, aprimorar e ampliar o nosso processo de prototipagem. Conseguimos produzir algumas primeiras unidades de maneira bastante satisfatória, mas queremos mais. Buscamos aumentar a produção em número (reduzindo o custo marginal) mas também sempre nos superando na questão da qualidade. Até agora não tivemos uma equipe fixa, contando com vários profissionais que nos ajudaram durante o processo, mas aos poucos estamos estruturando e dividindo a nossa operação. Já que buscamos uma produção de caráter industrial, Brasília acaba não sendo o ambiente ideal para a compra de matéria prima, produção e manufatura.

Na foto, Iuri Honda apresentando o Projeto Audarium no Social Good Lab.

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Antônio Leitão

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