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A sociedade e a síndrome do entitulamento

By 6 de novembro de 2014 Empreendedorismo
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“Os meninos conseguiram um investimento de 10 milhões com 18 anos”

“O menino é o mais novo artista a obter o Grammy e aparecer no top 25 da Billboards”

“Com 24 anos, já tem uma empresa internacional e viaja o mundo inteiro em busca de negócios”

Nós estamos constantemente expostos a manchetes deste tipo: jovens (e cada vez mais jovem) que conseguiram atingir alguns marcos que antes pessoas da sua idade não atingiam. E a palavra é esta: exposição. Tal como acontece em outras temáticas, recebemos uma quantidade imensa de informações fragmentadas.

O que isto provoca? Antes de tudo ansiedade. A comparação de qualquer espécie e de qualquer pessoa é inevitável. E você se sente que não está atingindo o “esperado” ou “suficiente”. Essa sensação, apesar de poder ser um catalisador de sonhos, também pode ser danoso para a pessoa como demonstrado a seguir.

Mas antes disso, tem um trecho do livro “Art of Choosing” da Sheena Iyengar, professora da Universidade de Columbia, que descreve com acurácia muitas pessoas:

“You are a hardworking person. Others don ́t always appreciate that about you because you ́re not able to meet everyone ́s expectations. But when something really matters to you, you put forth your best effort. No, you ́re not always successful by conventional measures, but that ́s okay because you ́re not someone who sets too much store by what the average person thinks. You believe certain rules and standards exist for good reason, so don ́t go out of your way to defy them, but what you really rely on to guide you is your strong inner compass. This strength isn ́t necessarily visible to others, and they may underestimate your resourcefulness, but sometimes you surprise even yourself with your abilities. You enjoy learning new things, but you don ́t think all education has to take place in a formal environment or have a specific purpose. You would like to be able to do more for the less fortunate, but even when you can ́t you are caring and considerate in your own way. Life has dealt you a few harsh blows, but you have pulled through and you intend to keep up your spirits. You know that if you stay focused and confident, your efforts will bear fruit. In fact, a special opportunity is about to present itself in either your personal or your professional life. If you watch out for it and pursue it fully, you will achieve your goal!”

Se encaixou no perfil? A maioria dos leitores e dos não-leitores também: a nossa necessidade de pertencer a um grupo maior mas em se destacar e brilhar não é específico para uma pessoa. A ansiedade pode fazê-lo engajar em projetos – e a primeira vista isto é positivo. Se mobilizar é não ficar se amargurando e seguir encontrar alternativas. Mas comumente o que observamos é a necessidade de auto-afirmação e de marketing pessoal.

A auto-afirmação vem acompanhada da necessidade de se obter títulos e certificados, em detrimento de resultados e impacto. É o síndrome do entitulamento (entitlement) em que, por desprezível ou duvidoso que seja, temos a necessidade de (auto) afirmação repetida de que somos destacados e ativo. O problema desta síndrome é que cria-se a ilusão para a pessoa e/ou micro-ambiente dela de que ela está no patamar superior e, deste modo, é passível de laureações e respeito. Projetos, especialmente focado nos jovens, para que estes conquistem estes títulos inundam o dia-a-dia, tal ponto que os títulos e certificados se commoditizam cada vez mais. E se commoditizar…não é trivial se diferenciar com commodities. O Marketing pessoal também está relacionado com o entitulamento – como se vender, como se parecer “legal” ao se apresentar para um novo grupo de pessoas. Novamente, este também não é ruim caso respeito e humildade seja resguardada. Mas o que acontece é que pode ser que seja necessário a distorção da realidade para se adequar ao “patamar da mídia” e assim, se tornar “apresentável”.

Assim, entramos no ciclo vicioso. A competição é saudável e nos motiva a conquistar mais e mais. Títulos podem nos mover para fazer o melhor para conquistá-los. Ter energia interna para seguir para frente e nos fazer sair do status quo é ótimo e, ser bom em comunicação e ter assuntos interessantes para conversar perpassa toda esfera de relacionamento. O problema, então, se encontra no ego insuflado, particularmente via este síndrome do entitulamento, na exposição alucinada que temos aos casos de sucesso dos outros, e na necessidade de se adequar ao padrão “eu mereço estar na capa da Forbes”.

Decerto, podemos fazer um paralelo ao padrão de beleza que nós vemos nos anúncios, filmes, seriados, novelas, youtube, vine, instagram etc. Esse bombardeio de padrão pode tanto motivar algumas pessoas a buscarem esse padrão quanto desestimular e reduzir seu autoestima. A minha impressão é de que o posterior é categoricamente mais prevalente que o anterior – porque, em primeiro lugar, não se pode ter muitas pessoas que se encaixam no padrão – deve ser algo quase transcendental (e usualmente racista) em que as pessoas literalmente sonham com ele – em segundo lugar, este é o modelo de negócio: apontar suas falhas e imperfeições, amplificá-la e você se sentir compelido a adquirir o produto e/ou serviço – para que se sinta um pouco mais perto da perfeição. Até que se perceba que está distante e que você necessita depositar mais e mais dinheiro para esta perfeição.

O volume de informação para nos compararmos é maior que nunca e não evoluímos tão rápido como a tecnologia. O importante é criar estratégias consigo mesmo que permita visualizar onde você se encontra, os seus objetivos e planos para atingi-lo. Conheça os seus valores, as suas conquistas, os seus gostos e os desgostos. Não comparar em frenesi com os outros: se você gostaria de estar na pele da outra pessoa, o porque e pensar, dada as circunstâncias presentes a si, como podemos tirar esse sentimento desconfortável de si. Vivemos numa competição feroz, mas lembrar que estamos numa seleção natural adaptada ao século XXI e que correr cegamente em busca da aprovação e expectativa dos outros pode não ser o melhor para si mesmo…a não ser, talvez, que a busca pela Fama e/ou seguidores em alguma rede social seja realmente sua prioridade. O que mais trará satisfação é você conseguir se superar e não enganar a si mesmo.

Tymo Nakao

About Tymo Nakao

Estou interessado na mente humana e comportamentos, processos de decisão, criatividade, design, projetos interdisciplinares e conhecer pessoas. Cubro educação, empreendedorismo, inovação, criatividade, investimentos e "food for thoughts" --- I am interested in the human mind and behavior, decision making process, criativity, design, interdisciplinary projects and meeting people. I cover education, entrepreneurship, innovation, crativity, investments and provide food for thoughts.

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