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De Performance Para Valor

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É uma experiência interessante conhecer um pouco Walt Disney. Durante uma visita ao museu da família Disney, me deparei com uma frase dita por ele que me chamou a atenção: “The way to get started is to quit talking and begin doing”.

É isso aí, meus amigos: chega de falar e vamos começar a fazer!

Já está mais do que na hora de mostrarmos os resultados do que estamos fazendo com relação a novos modelos de remuneração, saindo de conceitos teóricos, de difícil aplicação prática no Brasil, e partir para testar modelos e produzir resultados, mesmo que eles não sejam adequados.

Dentro deste processo, na minha visão, o mais importante é a definição do que deve ser medido. É a partir daqui que as fraquezas aparecem e o estímulo para mudanças de sistemas e processos acontecem. Jim Vertress, um profissional e uma pessoa fantástica que participou ativamente do início da discussão sobre DRG nos EUA (e ainda hoje participa), me falou algo que resume tudo o que tento transmitir há algum tempo. Ele disse: “The only way to improve the data is to start measuring data, even if it is bad. We need to start

É a partir das tentativas de medição é que as mudanças ocorrem. Aqui entra aquela frase que todo mundo já ouviu alguma vez: para melhorar algo temos que gerenciar, e para gerenciar temos que medir!

Observei claramente isso quando revisamos o nosso modelo da avaliação de desempenho, onde partimos da avaliação de Performance para avaliação de Valor. A sutil diferença está na importância que damos para os custos quando fazemos as análises.

Na avaliação de Performance, o custo faz parte da dimensão Eficiência. Já no conceito de Valor trazido por Porter, o custo passa ser o denominador da Fórmula, deixando no numerador a qualidade, principalmente medidas pelos desfechos que realmente importam ao paciente.

Como ainda estamos longe de medir desfecho que realmente importam aos pacientes, temos que começar a medir qualidade de uma forma geral. A qualidade é um conceito multidimensional onde indicadores de estrutura, processo e resultados devem ser considerados. Atualmente deixar de valorizar estrutura e processo é um problema, pois os indicadores apenas de resultados são sempre mais difíceis de medir, visto que necessitam de ajustes de risco e uma importante remodelagem nos sistemas de informações vigentes.

O que propomos dentro do modelo GPS.2iM© é exatamente compor indicadores de qualidade, utilizando indicadores de estrutura, processo e resultados, neste último, incluindo uma das dimensões mais importantes na análise de Valor: Experiência do Paciente. Com esta análise multidimensional, compondo indicadores através de técnicas estatísticas robustas, conseguimos um escore único de qualidade o qual será o numerador na fórmula de Porter.

Vários projetos já estão sendo aplicados, indo desde modelos de pagamento baseado em populações (capitation + valor), até modelos de pagamento por Bundles para oncologia. O mais interessante destes modelos, mesmo sem termos, ainda, condições de publicar os resultados, é  uma mudança que ocorre no setor: percebemos um alinhamento de interesses.

O alinhamento de interesse de todos os envolvidos é fundamental para a sustentabilidade do sistema de saúde. Quando um modelo é construído, onde os interesses estão alinhados, a probabilidade de dar errado é pequena.

Outro ponto já observado é a mudança da visão do médico quando o Valor passa a ser um componente importante do processo de avaliação, o qual ele é envolvido desde o início. É gratificante ouvir de um grupo médico que participa de um modelo de pagamento baseado em populações, preocupação com o que acontece com as “suas vidas” fora do consultório. Comentários como: “precisamos conversar com as empresas, pois os pacientes têm vindo aos consultórios com problemas que poderiam ser evitados através de uma saúde ocupacional mais bem feita”. A meu ver, isso já é uma medida de sucesso do modelo.

Enfim, reforço que temos que parar de falar e começar a fazer. Nós temos que começar!

       
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