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Por quê o aumento de medicina em dois anos e a vinda de médicos estrangeiros sem revalida são medidas irresponsáveis e autoritárias ?

By 9 de julho de 2013 Colunas

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Diversas notícias me chocaram no dia de ontem (08/07/13). Em primeiro lugar, a notícia de um engenheiro que foi baleado ao errar um contorno na Cidade do Rio de Janeiro e foi cair, sem querer, na Favela da Maré. Em segundo lugar, a notícia da morte do MC da Leste, que eu não conhecia nem havia ouvido falar, mas que foi morto à queima roupa e a polícia até agora não encontrou nenhum suspeito. Em terceiro lugar, a notícia do arrastão no restaurante Puleiro na Av. Domingos de Morais e outro cometido numa igreja. No assalto ao restaurante, a PM demorou mais de trinta minutos para chegar, fato este que será devidamente apurado.

Mas a notícia que mais me chocou foi o aumento do curso de medicina em dois anos. Uma notícia que não foi discutida com nenhum movimento social deste país e que foi gerada a portas fechadas para evitar resistências das associações de classes e resolve de forma precária, um grave problema deste país que é o da demanda por serviços de saúde de qualidade.

Medida autoritária, que lembra a Revolução Cultural de Mao-Tsé Tung, em que intelectuais chineses foram mandados para campos de trabalho no interior do país para aprenderem os valores camponeses e entenderem melhor a revolução que estava ocorrendo.

RevolucaoCultural

No caso do aumento do curso de medicina em dois anos, a falácia é a mesma, os profisssionais vão para o interior para aprender melhor sobre o SUS, sistema que já vivenciam diariamente desde o início da faculdade e passam a ter contato com mais intensidade durante o quinto e o sexto ano de medicina. De fato, indo para o interior os estudantes terão a oportunidade de aprender o que é o SUS real: sem supervisão, sem orientação, com falta de estrutura física, de equipamentos médicos e de medicamentos; estes profissionais terão a oportunidade de fazer uma medicina Macgyver fazendo muito, com o mínimo que lhes for dado.

Contudo, qual é a preparação dos Secretários de Saúde que estão realizando a gestão nos municípios? Como estes são avaliados ? Qual o curso preparatório que eles realizam? Onde eles estipulam suas metas ? Quem as acompanha ?

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Da mesma maneira, vale questionar a formação e preparo dos gestores de Hospitais e Santas Casas pelo Brasil, será que estes profissionais foram devidamente preparados e desenvolvidos para exercerem o seu papel? Ou desde que não haja desvio de dinheiro, seu desempenho não é de fato mensurado, acompanhado e premiado?

Outro ponto importante, é como um profisisonal de saúde pode contribuir de fato para um melhor sistema de saúde. Raramente, um profissional de saúde, ao ver um problema em sua unidade de saúde, fazer uma reclamação sobre o ocorrido, esta é avaliada e o problema é resolvido dentro de um prazo pré-estabelecido. O que ocorre usualmente é o oposto, o profissional de saúde percebe um problema, comenta com seu supervisor e em seguida nada acontece, ou este problema passa a ser assunto do café ou das rodinhas de conversa, sendo esquecido conforme outros problemas vão aparecendo. Não é este o caso dos seguidos cancelamentos de cirurgia por falta de anestesistas, que ocorrem diariamente neste país?

Tweets do CFM em 09/07/13 às 10:33 am:

CFM

É ilusão achar que o problema de saúde no Brasil pode ser solucionado com a ampliação do tempo de medicina do Curso Médico, bem como sem discutir o preparo e formação dos gestores em saúde pelo Brasil, assim como a capacidade de resposta das Unidades de Saúde frente aos problemas detectados pelos profisisonais que lá trabalham. Somente com uma discussão de qualidade, a saúde do Brasil poderá de fato melhorar.

Fernando Cembranell

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