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A mudança no perfil de rentabilidade das operadoras de planos de saúde pós pandemia

By 25 de junho de 2020 Colunas, Mercado

Variação das Despesas Assistenciais por Conta do COVID-19 Muda Perfil de Rentabilidade das Operadoras Médico Hospitalares

Fonte: Geografia Econômica da Saúde no Brasil

O gráfico (*) ilustra a proporção dos tipos de despesas das operadoras em 2019.

(*) todos os gráficos são partes integrantes do estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil – Edição 2020

No geral as despesas assistenciais protagonizam o cenário, representando 83,22 % do total:

·         Vela reforçar que este gráfico representa o percentual das despesas assistenciais em relação ao total de despesas, e não das despesas assistenciais em relação às receitas.

O gráfico foi construído considerando todos os tipos de operadoras:

·         Como as operadoras são muito diferentes, especialmente se classificarmos por tipo (modalidade), este indicador só pode ser considerado para avaliar tendências;

·         Se utilizado como indicador de performance de gestão, mesclando uma grande seguradora, com uma pequeníssima autogestão de uma pequena prefeitura, embarca um enorme viés;

·         Como exemplo de viés, ao mesclar todos os tipos observamos apenas 2,11 % de despesas comerciais, porque em uma grande quantidade de operadoras este tipo de despesa não existe !

Este gráfico demonstra a relação entre as despesas assistenciais e o total de receitas das operadoras:

·         Apesar de alguns parâmetros de reporte terem afetado o indicador entre 2007 e 2010 (que não vale a pena comentar aqui), é nítido que em um período de quase 20 anos este tipo de despesa tem reduzido, no âmbito geral;

·         Especialmente por 2 fatores: a primeira queda de volume de beneficiários da saúde suplementar, e a lei da portabilidade de planos.

A portabilidade, para quem não estuda o segmento, teve grande efeito na sinistralidade das operadoras:

·         Antes o beneficiário que migrava, começava o plano praticamente do zero, tendo que cumprir carências novamente;

·         Depois, as carências praticamente passaram a não existir;

·         E como a média de permanência de beneficiários em um plano no Brasil gira em torno de 6 anos, a carência que deixou de existir onerou bastante a sinistralidade de todos eles.

O gráfico demonstra a relação entre as despesas assistenciais e o total de receitas por tipo:

·         A forma como os dados são tabulados pela ANS tem um viés que inviabiliza analisar operadoras enquadradas na modalidade filantropia;

·         Também não vale a pena comentar este viés aqui, e o volume de beneficiários associados a este tipo é muito pequeno em relação ao total, então vamos deixar de fora dos comentários de tendência.

Mas já considerando a variação entre 76,5 % até 83,9 % é possível prever que o efeito da pandemia são tem como ser o mesmo para todos os tipos de operadoras !

Considerando:

·         A separação das operadoras por tipo (modalidade);

·         O % que representa a despesa assistencial em cada tipo, que é a maior em todos os tipos;

·         A evolução da despesa assistencial relativa ao longo dos anos;

·         E a métrica que define que a despesa assistencial pós pandemia vai reduzir: os pacientes COVID-19 são caros, mas a retração do volume dos demais tipos de tratamentos é relativamente maior;

·         É possível projetar como será a mudança de perfil da rentabilidade em cada um dos tipos.

Operadoras do tipo Autogestão demonstram um forte trabalho na contenção das despesas assistenciais a partir de 2015, especialmente em 2018 e 2019.

Nelas, que têm um dos maiores percentuais relativos (83,14 %):

·         Praticamente não existem despesas comerciais, o que contribui para que o % de despesas assistenciais seja proporcionalmente maior;

·         E, como regra, praticamente não têm rede própria, o % de despesas assistenciais tende a ser maior;

·         Mas justamente por não possuir rede própria, a parcela de despesas assistenciais fixas é menor que a variável – com a queda da atividade assistencial, a parcela variável dos custos será menor.

Bem … este tipo de operadora é o que menos sofrerá com redução de receitas em relação a todas as demais, e o perfil será modificado com:

·         As despesas administrativas e outras despesas vão representar proporcionalmente mais;

·         As comerciais se manterão praticamente proporcionalmente inalteradas;

·         E a maior redução relativa das despesas assistenciais entre todas, porque são as que menos compram serviços de terceiros.

Notar que apesar do % relativo ser o menor entre todas (76,50 %), as despesas assistenciais têm aumentado ano após ano !

As cooperativas têm uma característica não presente nas demais que torna o controle destas despesas extremamente complexo:

·         Um cooperado pode representar papéis conflitantes na cadeia de valor – ser gestor na cooperativa e/ou em serviço da rede própria e ao mesmo tempo ser prestador de serviço para a cooperativa;

·         Gerir operadora do tipo cooperativa exige um amplo conhecimento do cenário em que ela se insere regionalmente … não é para qualquer um … o gestor de outro tipo de operadora inserido em uma cooperativa que não “investir para valer” no conhecimento do novo cenário “pode acabar tendo fortes emoções na carreira”.

Estas operadoras:

·         Terão queda de beneficiários, e terão que investir em ações comerciais;

·         Têm rede própria de tamanho significativo, uma das razões pelas quais o % de despesas assistenciais é menor que as demais;

·         Pelo fato da grande rede própria, têm custo assistencial fixo relativamente alto em relação aos custos variáveis (compram menos serviço do que realizam).

Com base nestes fatores o perfil será modificado com:

·         As despesas administrativas e outras despesas reduzirão proporcionalmente às demais;

·         As despesas comerciais vão representar mais, devido ao esforço de captar novos beneficiários;

·         As despesas assistenciais vão representar mais, devido à parcela do custo assistencial fixo da rede própria.

Mas é provável que mesmo com esta mudança de perfil, continuem sendo as que tenham o menor % relativo com despesa assistencial.

Dos tipos de operadoras que atuam no mercado visando lucro, Medicinas de Grupo apresentam % menor (79,49 %) que as Seguradoras e maior que as Cooperativas, com uma tendência de estabilização há vários anos, apesar de terem cada vez mais intensificado sua rede própria.

Estas operadoras:

·         Terão queda de beneficiários, e terão que investir em ações comerciais;

·         Têm rede própria de tamanho significativo e, não é raro, sua rede própria atende beneficiários de outras operadoras;

·         Pelo fato da grande rede própria, têm custo assistencial fixo relativamente alto em relação aos custos variáveis (compram menos serviço do que realizam), mas a prática de atender pacientes de outras operadoras minimiza o impacto dos custos fixos.

Com base nestes fatores o perfil será modificado com:

·         As despesas administrativas e outras despesas reduzirão proporcionalmente às demais;

·         As despesas comerciais vão representar mais, devido ao esforço de captar novos beneficiários;

·         As despesas assistenciais vão representar mais, devido à parcela do custo assistencial fixo da rede própria. Este aumento relativo deverá ser menor que o das cooperativas.

É o tipo com maior % de despesa assistencial (83,85 %):

·         Este % estava retraindo nos últimos anos após a regulamentação que permitiu que elas pudessem investir em rede própria;

·         Exceto em comparação com as do tipo Autogestão, elas se destacaram no trabalho de contenção dos custos assistenciais.

Estas operadoras:

·         Terão queda de beneficiários, e terão que investir em ações comerciais;

·         Com rede própria pequena, o custo assistencial variável é muito maior que o fixo.

Com base nestes fatores o perfil será modificado com:

·         As despesas administrativas e outras despesas aumentarão proporcionalmente às demais;

·         As despesas comerciais vão representar mais, devido ao esforço de captar novos beneficiários;

·         As despesas assistenciais vão representar menos, devido à parcela do custo assistencial variável ser muito maior que o fixo.

Em resumo, projetamos um cenário de alívio para as operadoras do tipo Autogestão, que vinham em uma sequência de anos de “extrema provação de gestão”, e para as demais um cenário diferente do atual, um pouco mais favorável para as seguradoras que terão menos impacto pelo fato de terem rede própria relativamente menor em um cenário de recessão econômica que diminuirá a atividade na saúde suplementar.

Enio Salu

About Enio Salu

Histórico Acadêmico·  Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo·  Pós Graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo·  Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas·  Professor em Turmas de Pós Graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta·  Coordenador Adjunto do Curso de Pós Graduação em Administração Hospitalar da Fundação UnimedHistórico Profissional·  CEO da Escepti Consultoria e Treinamento·  Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas·  Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares·  CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor/Fundação Zerbini, e Superintendente da Furukawa·  Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação·  Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas·  Associado NCMA – National Contract Management Association·  Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde·  Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Própria·  Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado