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Mulheres são maioria e avançam na carreira de saúde

By 6 de março de 2020 Carreiras

A participação das mulheres na área de saúde, que sempre foi grande, cresce a cada década e leva a participação feminina a postos cada vez mais altos. Estudo da Fiocruz aponta a participação de 70% da força feminina no setor de saúde no Brasil já na década de 90, com 62% da força de trabalho nas categorias profissionais de nível superior e 74% nos estratos profissionais de nível médio. Mais recente, o Observatório Nacional do Mercado de Trabalho, do Ministério do Trabalho, aponta que das 10 ocupações com maior taxa de participação feminina são, entre elas, Nutrição, Fonoaudiologia, Terapias Ocupacionais e Afins, Técnicas em Fisioterapia e Afins, Cuidadoras de Crianças, Jovens, Adultos e Idosos, e técnicos em Odontologia. E no Paraná a participação feminina na área médica, por exemplo, também avança. Dos 29.026 médicos inscritos no Conselho, 12.220 são mulheres.

A presidente da Associação dos Hospitais do Paraná, Márcia Rangel de Abreu, a primeira mulher à frente da entidade, acredita que na atual década as mulheres tiveram muitas conquistas e os grandes passos foram dados graças aos esforços delas e às iniciativas globais, embora ainda leve algum tempo para superar os desafios da desigualdade de gênero. Segundo a presidente da Ahopar, um grande passo foi dado com a reunião do Grupo G-20, do qual o Brasil faz parte, em que foram estabelecidas metas para a redução da desigualdade de gênero nas maiores economias do mundo, sendo que a meta do nosso país é reduzir em pelo menos 25% a diferença entre homens e mulheres até 2025. “A força expressa no grito pelo fim da desigualdade de gênero é muito mais forte que as algemas da exclusão e da injustiça; mesmo inseridas nas diversas jornadas as mulheres têm provado que são capazes de realizar”, constata.

A presidente da Ahopar destaca também a necessidade de haver mais avanços com relação à desigualdade salarial entre homens e mulheres. Segundo o Observatório Nacional do Mercado de Trabalho foi constatado uma desigualdade salarial entre homens e mulheres entre 2013 e 2017, embora haja uma diminuição de 2,3% dessa desigualdade. As mulheres recebiam salários 15% menores que dos homens nesse período. Dados do Caged de 2017, apontam a distribuição de mulheres no mercado formal de trabalho e as colocam com uma participação de 40,2% no segmento de serviços do qual faz parte a Saúde; 26,4% no segmento de administração pública; 19,8% no segmento do comércio; 11,5% na área da indústria; 1,2% na agropecuária; e 0,9% na Construção Civil. “E a desigualdade salarial entre homens e mulheres é maior nas faixas de escolaridades mais altas”, diz Márcia. No Paraná, dados da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Paraná mostram que em 2018 o Estado teve 44,8% da participação de mulheres no mercado de trabalho. E no Paraná, a distribuição dos cargos no nível hierárquico ainda é desfavorável para as mulheres segundo ABRH-PR.

Pioneira

Márcia assumiu a Ahopar em 2019 como a primeira mulher à frente da entidade em seus 50 anos de existência, com mais seis mulheres que integram a diretoria composta por 26 membros. Ela é também diretora do Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Paraná (Sindipar) e integra a diretoria da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), além de exercer suas atividades de empresária à frente da MR3 Assessoria e Consultoria Empresarial.

Após muitos anos dedicados ao desenvolvimento de pessoas e, por consequência, ao desenvolvimento de empresas, em 1999, entrou para o Hospital Cardiológico Costantini.  Lá iniciou como gerente-geral e à medida em que conseguia expor conceitos, organizar setores, e angariar pessoas em torno de um ideal maior, cresceu e se tornou diretora executiva de um dos mais importantes hospitais cardiológicos do sul do país.

Além de diretora do Hospital Cardiológico Costantini, Márcia foi também diretora de Hospitais da Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar) e vice-presidente da Ahopar. Foi ainda membro da diretoria de Saúde Suplementar do Conselho Nacional de Saúde, e integrou o Conselho Fiscal da Federação Brasileira de Hospitais (FBH).

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