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Colaboração em rede pede por maior consciência e relacionamento

Nunca se falou tanto da importância do outro, de colocar o ser humano no centro dos relacionamentos, dos negócios, dos serviços. Da necessidade de colaborar, de confiar, e de se unir. O professor Gil Giardelli demonstra o quanto a tecnologia pode e está contribuindo para a construção dessa nova era colaborativa. Entretanto, é preciso consciência e amadurecimento para utilizar a tecnologia a nosso favor, algo que ainda não está solidificado na humanidade.

Em breve, você verá na revista Saúde Business as reportagens completas de todo o conteúdo do Saúde Business Forum 2015 em Punta Cana. Mas por enquanto, fique com alguns trechos da presença de Gil Giardelli por lá.

SB: Enquanto a colaboração avança por meio da conexão em rede e todo o avanço tecnológico, a população nunca foi tão distraída com tanta informação. Afinal, qual é a sua visão em relação a esse paralelo?
Giardelli:
A gente vive ainda uma infância digital. Não sabemos usar as ferramentas. Perdemos muito tempo do nosso dia em conversas no Whatsapp – não que isso tenha que ser proibido -, mas temos que encontrar o equilíbrio. E aprender, principalmente no Brasil, que o digital não é apenas Whatsapp, Facebook ou Twitter. A gente pode usar isso tudo para estudar coisas fantásticas, desenvolver projetos melhores. Quando vejo o dado de que o Brasil é o país que gasta mais horas por mês na internet, não acho esse índice relevante. A pergunta deve ser: como a gente está gastando essa hora? Será que é para estudar, para criar novos laços ou estamos no meio dessa coqueluche de vídeos caseiros de pornografia, de casais adolescentes que deixam vídeos vazar.

Por outro lado, estudos da Universidade da Califórnia apontam que ao passar dias desconectado, ou seja, sem estar online, faz com que o cérebro dispare processos de pensamentos criativos.

Outro ponto que vale comentar é o livro Man (Dis)connected, do norte-americano Philip Zimbardo, que mostra jovens que passam a vida jogando games e consumindo pornografia na internet e, quando estão em circunstâncias reais, eles acham tudo muito chato, pois acabam não desenvolvendo empatia pelo próximo. A tecnologia é fantástica. O problema é que nós não sabemos usá-la da maneira correta.

SB: Você pode citar alguns exemplos de sucesso que demonstram o que é a colaboração em rede?
Giardelli: Burn the Miles APP foi um projeto desenvolvido pelas cinco maiores companhias aéreas americanas a fim de solucionar o problema de sobrepeso dos passageiros. Como colocamos em prática o conceito Human to Human, de cuidar das pessoas? Aí que surgiu o aplicativo para a soma de pontos no programa de relacionamento da companhia aérea que você escolher. Fez esporte, ganha ponto, perdeu peso, ganha mais ponto e troca por passagem aérea.

O melhor exemplo é o da Shell. Pesquisadores da Shell foram até o morro da mineira, uma comunidade que cresceu desordenadamente no Rio de Janeiro, e que enfrenta problema de energia. A Shell desenvolveu pisos que, enquanto a criança está brincando no pátio do colégio, ela está produzindo energia através do “pisar”, da mesma forma quando está jogando bola ou os pais descendo as escadas para ir trabalhar.

A Shell faz energia há quase duzentos anos através de fóssil e, num determinado momento, se perguntou: como eu ajudo a comunidade? Como as pessoas podem fazer juntas alguma melhoria? Isso é a colaboração do coletivo.

SB: Durante a palestra, você mencionou que a ciência encontrou o coeficiente espiritual ou o ponto de Deus no cérebro humano. Poderia explicar melhor?
Giardelli: Depois de 35 anos de estudos entre Stanford, MIT e Harvard, foi encontrado um ponto dentro do cérebro relacionado à terceira inteligência, chamada a inteligência da inovação e criatividade [lembrando que as outras duas inteligências são o Coeficiente de Inteligência/QI, que mede a quantidade e agilidade das conexões cerebrais, e o Coeficiente de Adversidade, que avalia como se consegue viver em um mundo diverso]. Para você desenvolver a terceira inteligência, eles dizem que você tem que se dedicar todos os dias, pelo menos 15 minutos ao dia, para algo que te dê prazer e que tenha um significado, algo dedicado apenas para você. Este ponto de Deus está sendo desenvolvido quando as pessoas não fazem algo por dinheiro, mas pelo prazer.

SB: A evolução tecnológica está sendo acompanhada por uma evolução da consciência coletiva?
Giardelli: A evolução tecnológica sem a evolução moral não significa nada. Acho que para cada pessoa que ainda não despertou para essa era, tem dez despertando. Estamos vivendo um despertar da consciência realmente. Falei muito sobre big data. Se a gente transformar cada ser humano em um número, estaremos no caminho errado. A tecnologia é ótima e os dados podem fazer com que vivamos mais, mas a grande revolução é colocar o ser humano no centro de tudo. Nos últimos duzentos anos, a gente não colocou. Tínhamos ou temos uma área na empresa chamada Recursos Humanos, ou seja, somos um recurso, onde posso tirar tudo de você até você ser jogada fora. Agora, tanto na área acadêmica quanto corporativa, começa-se a falar em gestão de pessoas e de talentos, o que evidencia o despertar de um novo mundo. Nos últimos duzentos anos, o capitalismo foi o melhor que poderíamos fazer até hoje, mas ele já não comporta mais.

SB: As pessoas vão ter que aprender a se relacionar de verdade?
Giardelli: Exatamente. O curso de verão mais procurado na Universidade de Londres não é de inovação e nem de empreendedorismo, é o de como fazer amigos na vida real.

Nathalia Nunes

About Nathalia Nunes

Fonoaudióloga formada pela FMUSP, com MBA em Economia e Gestão em Saúde na UNIFESP e apaixonada por comunicação, negócios e tecnologia em saúde. Na Live, trabalho com Marketing, Pesquisa e Conteúdo, tanto na produção de materiais editoriais e de pesquisa, quanto na difusão de temas e ações relacionados a negócios em saúde.

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