Diante do diagnóstico de câncer de mama, as indicações de tratamento que podem ser apresentadas pelo oncologista e mastologista são cirurgia, radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia. O objetivo da cirurgia é a retirada do tumor, a radioterapia esteriliza focos microscópicos de eventuais lesões residuais, e o tratamento com remédios tem por objetivo reduzir o risco de retorno da doença.

Com o avanço da medicina genética, é possível aperfeiçoar as indicações das formas de tratamento do câncer de mama. Antes de conhecer a importância da biologia dos tumores, os médicos imaginavam que um tratamento mais agressivo, tanto com cirurgia quanto com quimioterapia, seria mais eficaz. Conhecer as características biológicas e de agressividade de cada tumor permitem selecionar um tratamento mais adequado para cada paciente.

No desenvolvimento de técnicas para aperfeiçoar este conhecimento, o primeiro passo foi conhecer as características de patologia convencional dos diferentes tumores de mama, o segundo foi conhecer as características apresentadas por testes imuno-histoquímicos, que diferenciam tumores em hormônio responsivos ou não, a terceira foi identificar a presença de superexpressão de uma proteína chamada de HER 2, que permite que seja oferecido um tratamento especifico para os tumores que apresentam esta proteína superexpressa. A quarta etapa de desenvolvimento foi a identificação de alterações genéticas identificadas através da análise do perfil molecular do tumor, que permitem conhecer de uma forma melhor as características biológicas de cada tumor, definir com mais precisão o prognóstico de um tumor especifico e por isto, selecionar melhor o tipo de tratamento que cada paciente deve receber.

Dentro deste contexto é que chegou ao Brasil, o teste molecular chamado Symphony, que permite separar tumores de mama de alto risco e de baixo risco (teste chamado de Mammaprint), definir a relação destes tumores com receptores de estrogênio, progesterona e HER 2 (teste chamado de Targetprint) ou agrupar tumores em diferentes categorias de expressão dos genes (teste chamado de Blueprint), que associa o resultado dos dois testes anteriores.

Antes só disponível fora do país, o teste genético Mammaprint já está disponível para os médicos e pacientes no Brasil. Ele analisa minuciosamente o risco de recorrência e metástase e ajuda o médico a adaptar o tratamento às particularidades genéticas individuais do tumor em cada paciente. Na prática, significa que a partir do resultado desse teste, a paciente pode se ver livre da necessidade de fazer quimioterapia, ou fazer quimioterapia tendo benefício dela quando aparentemente os indicadores previamente analisados não demonstravam esta necessidade.

O Mammaprint faz parte da suíte de testes genéticos Symphony, do fabricante holandês Agendia e comercializado no Brasil pela Suprimed. Vários estudos preliminares, que permitiram a aprovação do teste nos Estados Unidos através da agência reguladora FDA, demonstraram que o teste é capaz de, claramente, definir o prognostico de um determinado tumor, classificando-o de bom prognóstico ou mau prognóstico. Nestes casos, o oncologista clínico se defronta com a possibilidade de dispor de mais um subsídio para, com a paciente, definir o tratamento que deve ser seguido.

Portanto, este teste passa a ser mais uma ferramenta muito importante para dar suporte a uma decisão mais personalizada. Por exemplo: muitas pacientes que sem este recurso não fariam quimioterapia, passam a ter a indicação de realizá-la com mais precisão e tendo mais benefícios, mas também muitas pacientes que hoje fazem quimioterapia, por apresentar um teste com baixo risco, podem deixar de fazer porque os benefícios neste caso seriam bastante limitados, ou algumas vezes, ausentes.

Para quem o teste é indicado?

Para se submeter ao teste, primeiro é preciso que o mastologista identifique o tipo de câncer de mama que o paciente apresenta. Em muitos casos ele não é necessário, em outros ele pode ser fundamental, já que não existe um único tipo de tumor de mama, mas diferentes tipos com diferentes comportamentos biológicos, explica o Mastologista Antonio Frasson, Professor da Faculdade de Medicina da PUCRS, e mastologista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Para determinar o tratamento, leva-se em consideração os seguintes fatores: forma de apresentação da lesão, tamanho do tumor, grau de alteração histológica, presença de linfonodos na axila (positivos ou negativos), relação com estrogênio, relação com progesterona, atividade de proliferação celular e expressão da oncoproteina HER-2. Tais fatores indicam se o câncer de mama é do tipo Luminal A, Luminal B, Basal e HER 2. “Com base nessa avaliação, é possível tomar uma decisão sobre as armas terapêuticas que serão utilizadas em cada paciente, explica o mastologista.

Como o teste é feito

O MammaPrint é o primeiro e único ensaio aprovado pelo FDA, órgão regulamentador norte-americano, que avalia a recorrência do câncer de mama. Desenvolvido na Europa e levado aos Estados Unidos, o teste era, antigamente, feito com tecido fresco, o que impossibilitava a realização dos testes em países como o Brasil. Hoje, o tumor é retirado, colocado em formalina e, depois, em blocos de parafina e enviado ao laboratório nos Estados Unidos.

O MammaPrint avalia vias moleculares críticas envolvidas na cascata metastática do câncer de mama. Ele analisa 70 genes selecionados a partir de uma análise do material e separa os pacientes em dois grupos distintos – de baixo risco ou alto risco. O teste tem uma precisão de 98,9% na classificação dessas pacientes e reprodutibilidade técnica de 98,5%. O resultado sai em cerca de 1 mês.