Cerca de 1% da população mundial é portadora de ceratocone. A síndrome, pouco conhecida pela população, é caracterizada pelo afinamento e aumento da curvatura da córnea (ectasia), que assume o formato de cone, o que provoca astigmatismo associado ou não à miopia e pode comprometer severamente a visão.

Para alertar sobre os riscos do ceratocone, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Refrativa (SBCR) realiza, dia 7 de fevereiro (sexta-feira), a campanha “Ceratocone – De Olho no Futuro”. Das 8h às 18h, médicos oftalmologistas e residentes dessa especialidade estarão no estande montado na estação Central do metrô, no Rio, para oferecer gratuitamente o exame de detecção. A meta é realizar 500 atendimentos por ordem de chegada. Serão distribuídas senhas no local.

“O estágio inicial do ceratocone é assintomático e o diagnóstico precoce é fundamental, pois há medidas para evitar a progressão da doença, que vão desde parar de coçar os olhos até a cirurgia de crosslinking”, alerta Renato Ambrósio Júnior, presidente da SBCR. “Por isso, é fundamental informar a população”, acrescenta.

Uma luta que já dura 13 anos

Aos 24 anos, o psicólogo Vinícius Ribeiro da Silva percebeu algo errado com sua visão lateral. Recebeu a prescrição de óculos para a miopia, mas foi insuficiente para sanar o desconforto visual, até que chegou ao diagnóstico correto. “Fiquei assustado quando soube que tinha ceratocone nos dois olhos”, conta.

Ao longo do tratamento, Vinícius usou lentes de contato rígidas e, quando intolerante a estas, fez implante de anel intracorneano. Em 2013, submeteu-se à cirurgia de crosslinking. “Agora, consigo até enxergar sem óculos, pois estou com pouco grau em cada olho”, comemora.

“Mas é importante destacar que o objetivo principal da cirurgia para ceratocone não é diminuir o grau para permitir boa visão sem óculos. Trata-se de procedimentos terapêuticos para reabilitar a visão, bem como estabilizar a doença, o que reduz risco de progressão”, destaca Ambrósio. Para o presidente da SBCR, a correção refrativa do grau deve ser secundária no planejamento da cirurgia, e vai depender de cada caso.

Coçar os olhos agrava a doença

As causas do ceratocone ainda não são totalmente conhecidas. Sabe-se que fatores genéticos somados a fatores como o hábito de coçar os olhos, por exemplo, contribuem para o seu desenvolvimento.

Tratamentos

A correção por óculos é suficiente nas fases iniciais. Com a evolução do ceratocone, a adaptação de lentes de contato passa a ser a forma mais eficaz de melhorar a visão, mas estas não freiam o desenvolvimento da doença. De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Refrativa (SBCR), a cirurgia pode ser indicada tanto para reabilitar a visão quanto para frear a progressão da doença, mesmo se a visão não estiver comprometida.

Sinais de alerta

Os primeiros sinais costumam aparecer durante a adolescência e podem progredir, geralmente, até os 35 anos. Alguns casos podem progredir pela vida toda. Dificuldade de enxergar; sensibilidade à luz; lacrimejamento; aumento anormal do grau dos óculos para longe estão entre os principais sinais.

Diagnóstico

A topografia e a tomografia de córnea são os exames mais indicados para identificar a doença em fases iniciais, antes de haver perda de visão. Para saber mais, acesse: www.tudosobreceratocone.com.br

Durante a campanha “Ceratocone – De Olho no Futuro”, na estação Central do metrô, serão distribuídos folhetos com informações sobre a doença. As pessoas que receberem o diagnóstico de ceratocone serão encaminhadas para atendimento no Instituto Benjamin Constant (IBC) ou Hospital dos Servidores do Estado (HSE).

SERVIÇO – CAMPANHA “CERATOCONE – DE OLHO NO FUTURO”

• O que é? Orientação, distribuição de informativos e realização de exames de detecção do ceratocone.

• Data: 7 de fevereiro (sexta-feira)

• Local: Estação Central do Metrô Rio – Estande da Sociedade Brasileira de Cirurgia Refrativa – SBCR (próximo da Biblioteca Estação Leitura).

• Mais informações: (21) 2225-2600