A companhia Seguros Unimed passou praticamente incólume ao início da crise econômica mundial em 2008, avançando em vendas de novos seguros e incrementando em 28,77% seu faturamento, atingindo R$ 542,31 milhões em prêmio líquido emitido. A divisão Unimed Seguros Saúde puxou os ganhos, com faturamento de R$ 351,19 milhões, um crescimento de 37,05% sobre o montante anterior.
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“O faturamento de saúde representa mais de 60% do total e vem crescendo em ritmo maior que a Unimed Seguradora (vida e previdência) nos últimos cinco anos”, afirma Dalmo Claro de Oliveira, presidente da companhia. O movimento pode ser creditado à tendência das corporações de unificar em um só prestador o atendimento nacional, antes distribuído por estado ou região geográfica, e pela preferência de empresas globalizadas ao seguro de saúde, em detrimento do plano.
“As multinacionais, principalmente, preferem o seguro pela maior flexibilidade de escolha do prestador de serviço e vantagem para o colaborador com o reembolso, figura que não está prevista no plano de saúde e limita o usuário à rede credenciada”, compara.
O avanço proporcionou à Seguros Unimed um lucro líquido consolidado, unindo produtos de saúde, vida e previdência, de R$ 37,33 milhões. O incremento em ritmo menor (9,23%) que o faturamento se deve ao aumento da sinistralidade, que aumentou quase 3 pontos percentuais de um ano para outro, passando de 63,8% para 66,6%. Segundo o presidente da companhia, um dos motivos foi a extensão da cobertura imposta pela Agência Nacional de Saúde, incluindo mais procedimentos, bem como novas tecnologias, exames e terapias.
Revisão de planos
Se o último exercício cumpriu a expansão prevista pela companhia, o impacto do desaquecimento econômico mundial pode começar a afetar os negócios da seguradora já neste primeiro semestre. A Unimed tem uma projeção de crescimento entre 15% e 20% para o faturamento este ano, conforme projeção orçamentária traçada no início do ano. “Mas provavelmente isso terá que ser revisto no mês de maio, com indicações mais precisas de desempenho em março e abril”, diz Oliveira. Nos dois primeiros meses do ano ainda não houve impacto, mas o período não costuma ser considerado termômetro para a atividade, explica.
Como o seguro de saúde, que é o carro-chefe, é voltado exclusivamente para pessoas jurídicas, o grupo pode ficar mais vulnerável em caso de acirramento de crise econômica. “Prevemos uma venda menor de seguros de saúde e deve haver cancelamento de contratos pelo aperto financeiro e redução do quadro de colaboradores das empresas clientes com demissões, o que reduz nossa carteira”, diz.
A posição da companhia é não enxugar seu quadro de funcionários e manter o aumento da ordem de 12% de custeio e 8% para investimento este ano. “Conforme o desempenho do mercado, vamos adequar o projeto orçamentário, adiando projetos mais numerosos na área de tecnologia da informação e marketing, por exemplo”, antecipa o executivo. A companhia pretende ainda começar a contratar este ano resseguro para os maiores eventos dentro do seguro saúde.