Receita? Só no consultório – Campanha Nacional contra a “Receita de Corredor” – Breno Figueiredo Gomes*
Doutor, me arruma uma receita? A maioria absoluta dos médicos detesta este tipo de abordagem, entretanto, é uma rotina comum em todas as instituições de saúde. Receita pedida em corredor é uma ofensa à classe médica. A receita médica é fruto de uma avaliação especializada de um profissional que estudou para exercer aquela função. Receita é resultado de um trabalho remunerado e realizado pelo médico. Atualmente, conseguir uma receita médica é algo extremamente simples. A receita médica é banalizada e isto ocorre por causa dos próprios médicos. Você já viu alguém pedir um projetinho de uma casa para um arquiteto? Uma audiência rápida com um advogado? Um consertinho de um automóvel? Pois é, mas uma receitinha médica para a vovó ou para o papai…
O próprio médico banaliza e desvaloriza seu serviço fornecendo receitas para amigos, conhecidos ou até mesmo familiares, seja no corredor, no supermercado ou até mesmo em um jogo de futebol. A receita é fornecida, na maioria das vezes, sem a avaliação clínica do paciente. As medicações devem ser prescritas após uma avaliação criteriosa. Caso seja necessária a manutenção ou a suspensão da medicação, quem tem autonomia suficiente para isso é o médico que prescreveu e não um médico conhecido e “gente boa”.
A banalização é tamanha que o médico que não prescreve no corredor é considerado chato e com má-vontade. Exemplificarei…