Um estudo publicado na Brazilian Journal of Medical and Biological Research aponta que há uma grande diversidade do vírus da hepatite C no Brasil. De acordo com informações da Agência Fapesp, a avaliação foi feita com o material genético de 1.688 pacientes e revelou a existência de algumas prevalências em determinas áreas do País. Na região Norte apareceu mais o genótipo tipo 1, enquanto o Centro-Oeste registrou mais o do tipo 2 e o Sul o de tipo 3. Em todo o país, a tabela de freqüência dos genótipos mostra que o tipo 1 é o mais encontrado, com 64,9% de ocorrência. Na seqüência aparecem o tipo 3 (30,2%) e o tipo 2 (4,6%). Os genótipos dos tipos 4 e 5 foram encontrados em poucos casos.
Como a distribuição encontrada no Brasil é muito semelhante à da Europa, os pesquisadores trabalham com a hipótese de que a infecção pelo vírus da hepatite C no país se espalhou recentemente, depois da chegada das grandes ondas de imigrantes.
Segundo estimativas dos pesquisadores, no Brasil a hepatite C deve estar presente entre 0,8% e 3,4% da população. Como a hepatite C é uma doença assintomática, na opinião de João Renato Pinho, do Instituto Adolfo Lutz de São Paulo, um dos autores principais do trabalho, o quadro é preocupante. Segundo ele, entre 5% e 20% dos casos poderão evoluir para cirrose hepática após 20 anos de infecção. E, dentro desse universo, outros 20% podem apresentar carcinoma hepatocelular.
Além de conhecer melhor os tipos de genótipos virais da hepatite C que existem no Brasil, outras medidas podem ser tomadas para que a infecção de hepatite C não fuja do controle. Para Pinho, a evolução da doença pode ser evitada com o diagnóstico rápido e com a instalação de tratamento precoce. Por isso, ele acredita que é fundamental que os integrantes do chamado grupo de risco (pessoas que receberam sangue antes de 1991, hemofílicos, hemodialisados, filhos de mães com hepatite C, cônjuges de pessoas que tiveram a infecção, doadores para transplantes e usuários de droga) sejam avaliados com testes sorológicos.
Tags