A hanseníase, antes conhecida como lepra, é uma das doenças mais antigas registradas pela humanidade, tendo sido citada pela primeira vez, por volta de 600 anos A.C., na Ásia e África. No Brasil, aproximadamente 47 mil casos são detectados a cada ano. Atualmente há tratamento e cura para a doença.

Causada pelo Bacilo de Hansen, descoberto em 1873, é uma patologia infecciosa, crônica e que ocupa lugar de grande preocupação para a saúde pública, devido ao seu alto grau de incapacitação dos pacientes. Isso acontece porque o bacilo ataca a pele, as células nervosas e, em casos de infecções mais graves, até os órgãos internos, podendo causar limitações motoras, insensibilidade e até mutilações.

O principal transmissor da doença é o próprio ser humano, através das vias aéreas e respiratórias. O contato prolongado com pessoas infectadas sem tratamento aumenta muito as chances de contágio. Apesar da grande capacidade infectante do Bacilo de Hansen, poucas pessoas adoecem, pois o organismo é capaz de se defender contra a infecção.

Mesmo infectado, o paciente que inicia o tratamento deixa de ser um transmissor da hanseníase. E isso permite que a pessoa se mantenha em suas atividades rotineiras, sem a necessidade de se afastar do trabalho e do convívio com familiares e amigos.

Os principais sintomas da hanseníase são:

• Aparecimento de manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo, com alteração de sensibilidade;

• Surgimento de áreas de pele seca, sem suor;

• Queda de pelos, principalmente das sobrancelhas;

• Ausência de sensibilidade ao calor, dor e tato;

• Formigamento;

• Sensação de choque, fisgadas, agulhadas e dor nos braços e pernas, acompanhadas de inchaço;

• Diminuição da força dos músculos das mãos, pés e face;

• Feridas (úlceras) nas pernas e pés;

• Febre, inchaço e dores nas juntas;

• Nariz entupido, com sangramento, ressecado e com feridas;

• Olhos ressecados.

O diagnóstico é feito pelo médico, por meio do exame clínico, observando a pele, analisando os sintomas e testando a força física e o estado geral do paciente. O tratamento da hanseníase utiliza a combinação de três tipos de antibióticos, e é conhecido como poliquimioterapia (PQT).

O sucesso do tratamento depende do início precoce e do respeito à periodicidade das doses de medicamento. O tratamento é oferecido pelo Serviço Único de Saúde (SUS).

Para prevenir os efeitos danosos da hanseníase é necessário o diagnóstico precoce da doença, e o tratamento completo e correto. Pessoas que residem ou residiram nos últimos cinco anos com um paciente em tratamento devem ser examinadas. A vacina BCG (Bacilo de Calmette-Guérin) também é eficiente para aumentar a resistência do organismo contra o Bacilo de Hansen, apesar de não ser uma vacina específica contra a doença.