De acordo com os dados divulgados hoje pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o superávit comercial brasileiro somou US$1,85 bilhão em outubro, resultado muito mais favorável do que o registrado em setembro (US$ 1,09 bilhão) – devido ao melhor desempenho das exportações relativamente às importações, que somaram, respectivamente, US$18,4 bilhões (média por dia útil de US$ 919,1 milhões) e US$ 16,5 bilhões (média por dia útil de US$ 826,4 milhões). De acordo com os dados dessazonalizados pelo IEDI, pelo critério da média diária, o crescimento do saldo frente a setembro foi expressivo (76,9%), uma vez que as exportações expandiram 4,5% e as importações recuaram 1,1% em outubro. Notar que nos mês anterior, nessa mesma base de comparação, as importações tinham sido mais dinâmicas do que as exportações (percentuais de +2,7% e +1,0%, respectivamente).
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Do lado da exportação, o destaque no mês foi manufaturados, que interrompeu dois meses de resultados baixos (queda de -2,3% em setembro e aumento de apenas 0,9% em agosto) e obteve aumento de 8,3% em outubro, sempre na comparação com o mês anterior com ajuste sazonal. Já do lado de produtos básicos, a queda de 1% em outubro deve ser interpretada como uma mera acomodação após dois meses seguidos de excepcional desempenho (+8,9% em setembro e +7,9% em agosto). Foi em bens de capital que ocorreu a queda que puxou para valores negativos a variação das importações. O recuo após o ajuste sazonal foi de -3,9%, mas não consideramos que esse percentual adverso esteja indicando uma queda do ímpeto do investimento no país. Sinal de que a atividade industrial nos meses finais do ano possa estar novamente tendo uma aceleração é o resultado positivo de compras externas de matérias-primas e intermediários de +1,2%, observando que no mês anterior o acréscimo fora de +5,1%. Já em bens de consumo o crescimento chegou a 1,5%.
Essa inversão de resultado em termos de dinamismo decorre, em grande medida, do descompasso da recuperação no período pós-crise das vendas e compras externas. As importações reagiram antes, motivadas pela taxa de câmbio mais favorável e pelo crescimento muito forte da economia brasileira. Em contrapartida, as exportações iniciaram com atraso a trajetória de recuperação. Além desse descompasso, três fatores adicionais contribuem para explicar o resultado comercial de outubro.
No caso das importações, a valorização adicional do real frente ao dólar em setembro (de 2,86% frente à virtual estabilidade em agosto) tornou a taxa de câmbio ainda mais favorável às importações e, ao lado da perspectiva de interrupção do processo de apreciação cambial (suscitada pelas sucessivas declarações das autoridades econômicas, explicitando sua preocupação com esse processo), estimulou os importadores a antecipar compras no exterior, várias das quais associadas às festas de fim de ano.
No âmbito das exportações, dois fatores conjunturais favoreceram seu desempenho em outubro. Em primeiro lugar, a forte alta dos preços das commodities, induzida pelo excesso de liquidez internacional e pelas taxas de juros historicamente baixas nos países centrais. Em segundo lugar, a retomada do crescimento dos países latino-americanos, que são importantes compradores de produtos brasileiros em geral e, especialmente, de manufaturados.
Resultados Gerais. Em outubro, segundo dados divulgados pelo MDIC, o saldo comercial ao longo dos 20 dias úteis do mês foi de US$ 1,8 bilhão (US$ 92,7 milhões por dia útil), resultado bem superior ao de setembro (US$ 1,1 bilhão e US$ 52,0 milhões por dia útil). Frente a outubro do ano anterior, quando o saldo comercial foi de US$ 1,3 bilhão e US$ 62,7 milhões de média diária, houve uma expansão de 47,9% da média. Entre janeiro e outubro de 2010, o comércio internacional brasileiro acumulou um saldo positivo de US$ 14,6 bilhões, representando uma média de US$ 70,3 milhões por dia útil, sendo inferior aos dados do mesmo período de 2009: em termos absolutos e por média diária, houve decréscimo de 35,0% (em 2009, o saldo havia acumulado até outubro US$ 22,5 bilhões ou US$ 108,1 milhões diários). Nos últimos 12 meses, o saldo entre exportações e importações brasileiras alcançou a cifra dos US$ 17,4 bilhões ou US$ 69,6 milhões, valor 34,2% menor que o período imediatamente anterior (US$ 105,8 milhões).
Exportações. As vendas de produtos brasileiros ao exterior somaram o equivalente a US$ 18,4 bilhões em outubro (média por dia útil de US$ 919,1 milhões). Semanalmente, em outubro, pode-se destacar a 1ª semana, que registrou uma média diária de US$ 1.066 milhões. Em comparação ao mesmo mês de 2009, no qual as exportações foram de US$ 14,1 bilhões com US$ 670,6 milhões por dia útil, houve uma alta de 37,1% da média diária. No ano, acumulou-se um total de US$ 163,3 bilhões (média diária de US$ 785,1 milhões), frente ao acumulado de US$ 125,9 bilhões (US$ 605,2 milhões) no mesmo período de 2009. Isso representou um avanço do acumulado no ano de 29,7% para a média diária. No acumulado dos últimos 12 meses, as exportações brasileiras totalizaram um valor de US$190,4 bilhões (US$ 761,7 milhões diários), representando uma alta em termos de média por dia útil de 23,3%.
Importações. No décimo mês de 2010, as importações totalizaram US$ 16,5 bilhões, ou seja, uma média por dia útil de US$ 826,4 milhões. Em relação ao mesmo mês de 2009, quando as importações totalizaram US$ 12,8 bilhões (US$ 607,9 milhões de média diária), houve um crescimento da média diária de 35,9% em outubro. Nos dez primeiros meses do ano, as importações acumularam US$ 148,7 bilhões, com média diária de US$ 714,8 milhões. Em relação à igual período de 2009, quando as importações acumularam US$ 103,4 bilhões ou US$ 497,0 milhões por dia útil, houve uma alta de 43,8% para a média diária. No acumulado 12 meses, as compras brasileiras de produtos importados acumularam US$ 173,0 bilhões (US$ 692,1 milhões diários), valor 32,5% superior em termos de média daria.
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