O início da pandemia de Covid-19, em 2020, promoveu transformações profundas na sociedade e no sistema de saúde deixando como legado o crescimento de 800% da telemedicina já nos primeiros dias.
No Brasil, o período também representou uma mudança importante que ampliou os serviços de telemedicina autorizados no País.
Apesar disso, a telemedicina não é recente. Ainda em 2010, após os terremotos que assolaram o Haiti, os serviços médicos à distância contribuíram para viabilizar o atendimento à população oferecido por universidades norte-americanas.
Atualmente, um tema em debate é como a telemedicina vai se consolidar no Brasil no cenário de endemia e também se será capaz de auxiliar na oferta de serviços médicos nas regiões mais pobres no país.
Como a telemedicina pode contribuir na oferta de serviços de saúde?
Um estudo realizado em 137 países subdesenvolvidos identificou que, no Brasil, são 153 mil mortes por ano devido à precariedade no sistema de saúde.
Entre os desafios do país estão as dificuldades na realização de consultas e exames, o que pode ser beneficiado com o uso da telemedicina.
Tempo de espera
Um dos principais problemas no fornecimento de serviços médicos no Brasil é quanto à fila de espera para realização de consultas e agendamento de exames.
Para muitas pessoas, o tempo elevado pode comprometer as chances de tratamento ou agravar quadros que seriam mais facilmente revertidos com um atendimento precoce.
Sabe-se que no Brasil há uma concentração de especialistas em grandes centros urbanos, especialmente capitais, com baixa disponibilidade de mão de obra especializada em outras regiões, principalmente rurais e carentes.
Dessa forma, a telemedicina pode contribuir na superação dos problemas de tempo de espera elevado para acessar serviços de saúde, sejam, consultas ou exames, devido aos profissionais poderem atender demandas de outras regiões do País.
A tendência, com o uso da telemedicina, é que haja uma redução significativa do tempo de espera por atendimentos, especialmente nos locais nos quais ele é mais elevado devido às condições regionais.
Qualidade dos atendimentos
No estudo que identificou a letalidade do atendimento precário em países subdesenvolvidos destacam-se problemas como desrespeito nos atendimentos, consultas rápidas e falhas e por fim, preconceito.
A superação desses desafios passa por uma série de questões, mas, uma delas, é a capacidade de atendimento e infraestrutura.
Por meio da telemedicina é possível melhorar a qualidade do atendimento aos pacientes, reduzindo ocorrências como as falhas de diagnóstico e encaminhamento devido à ausência local de especialistas.
A distribuição da demanda entre profissionais locais e remotos também melhora a capacidade de atendimento, o que se reflete em consultas mais humanas e maior tempo para suporte individualizado.
Tais problemas são particularmente graves em regiões periféricas, zonas rurais e áreas pobres, mas todos esses contextos podem ser transformados com a implementação de práticas de telemedicina.
Segurança dos processos
A pesquisa “Conectividade e Saúde Digital na vida do médico brasileiro” relevou que a maior parte dos médicos acredita que a telemedicina é segura ao exercício da profissão.
Além da percepção dos profissionais, é importante destacar que, cada vez mais, são desenvolvidas tecnologias e soluções que aumentar o sigilo dos processos e proteção de dados, como computação em nuvem, criptografia, firewall e outras.
Formação profissional
Além do impacto direto no serviço médico prestado aos pacientes, a telessaúde também inclui práticas voltadas à formação e capacidades de profissionais.
Por meio da tecnologia é possível que profissionais locais recebam instrução e formação em técnicas mais modernas, tanto de procedimentos e tratamento em si, como de processos e gestão.
Dessa forma, profissionais de regiões mais afastadas e pobres, que carecem de oportunidades locais para aprimoramento, podem ter acesso a uma rotina mais frequente de aperfeiçoamento, o que impacta, diretamente, a qualidade dos serviços médicos prestados.
Exemplos
Outra forma de a telemedicina ser usada no Brasil em prol das regiões mais pobres do País é basear-se em experiências e exemplos de outros locais, como o Haiti, citado inicialmente, e também os Estados Unidos.
Nos EUA, a telemedicina contribuiu significativamente à população que mora em áreas rurais, especialmente durante a pandemia da Covid-19.
Os benefícios identificados incluem o maior acesso a profissionais especializados, o que influencia em diagnósticos e tratamentos mais acertados, mas também maior capacidade de atendimento e ampliação do acesso aos exames médicos.
Além das consultas, a telemedicina, por meio da telerradiologia, aumenta o acesso a exames radiológicos diversos como raios-x, ressonância magnética, tomografia, mamografia e outros.
Portanto, o crescimento observado no mercado de saúde digital que foi alavancado no contexto pandêmico, também pode ser empregado agora na superação histórica das desigualdades de acesso à saúde no Brasil.