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Weak signals, fonte de inspiração para inovar em Saúde

Créditos: shutterstock
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Inovação é a palavra de ordem entre empresários, gestores públicos, funcionários, consumidores, quem está criando uma startup… Enfim, todos, e simultaneamente nos quatro cantos do planeta, hoje buscam com avidez a “experiência” de lançar ou usufruir de produtos e serviços com esse genuíno DNA.

Weak signals, em tradução livre significa “sinais fracos”. É uma perspectiva de inteligência empreendedora que antecipa o futuro, apostando em negócios que transformam completamente o mundo que conhecemos. Fazendo um paralelo com a gasolina, os weak signals podem levar à inovação de “alta octanagem”.

Muito do mesmo para consumidores 50+
Max Santos, enfermeiro de formação e integrante da equipe da Escola de Design Thinking, uma referência no Brasil quando o assunto é inovação e protagonismo de impacto social, está antenado nas possibilidades dos weak signals, especialmente nas áreas de bem-estar, saúde, acessibilidade e mobilidade.

Pudera. Para Santos, quem já atua ou deseja atender essas diferentes necessidades, especialmente entre consumidores 50+, a faixa etária que mais cresce na população brasileira, vai precisar focar na inovação.

“Ainda há muito do mesmo na oferta de produtos e serviços para a população madura. Só para dar dois exemplos, sempre encontramos os botões grandes nos aplicativos e um mesmo modelo de negócios nas casas de repouso. Precisamos sair dessa zona de conforto. Acima de tudo, ouvir mais o que esses consumidores desejam e torná-los presentes desde a concepção de um novo produto ou serviço.”

Valor percebido, total aderência dos usuários
Na opinião de Max dos Santos o essencial é nunca perder de vista que inovação é valor percebido pelo usuário, ou seja, é o que faz ele ter total aderência a um produto ou serviço.

“Hoje há muita confusão, pois inovação e disrupção têm sido atribuídas ao que apenas é uma oportunidade de mercado ou uma boa ideia. Inovação é algo que vem antes, tem a ver com os ‘sinais fracos’. São fatores de mudança raramente perceptíveis, no presente, pela maioria das pessoas, mas especialmente pelos empreendedores”, destaca Santos. E completa:

“São esses weak signals os responsáveis pelas grandes transformações que trazem o futuro para o aqui e agora. Poucas startups captam ou sabem se guiar pelos sinais fracos. O Uber está nesse time. Soube perceber o grande valor que hoje se confere à mobilidade e também outro fato relevante, muita gente que deseja ser transportada não quer se submeter ao tratamento inadequado que a maioria dos taxistas dão aos passageiros.”

Vá além da oportunidade
Max dos Santos afirma que não só é possível, mas é preciso perceber os sinais fracos, e não apenas oportunidades de mercado, para atender às expectativas dos consumidores que acumulam décadas de vida.

“Para isso é preciso querer saber, de verdade, como as pessoas maduras pensam e enxergam o mundo e como a sociedade realmente as vê. Ter a experiência de usar aquelas roupas e acessórios que simulam as dificuldades dos mais velhos no andar, pegar coisas e enxergar é um bom exercício. É esse estar no lugar do outro e com o outro que possibilitará as grandes inovações e a aderência total que hoje não temos na maioria dos produtos e serviços voltados especialmente para os mais velhos”, ressalta.

Ideia simples que conforta pacientes com Alzheimer
Max dos Santos, que também é gerente de Operações da Informar Saúde, dá um exemplo prático de como um “sinal fraco”revolucionou o enfrentamento de um antigo problema.

Em um hospital de Dusseldorf, na Alemanha, uma inovação simples ajudou a equipe médica a lidar com a chamada Síndrome do Pôr-do-Sol, pânico que acomete os doentes de Alzheimer internados.

Ao invés de ministrar sedativos e outros procedimentos para conter a forte ansiedade que acomete os pacientes ao cair da tarde – eles querem sair do hospital para retornar para suas casas -, foi construído em frente ao prédio uma falsa parada de ônibus.

Os pacientes em síndrome passaram a ser levados para lá pelos enfermeiros para que pensassem que, de fato, voltariam para suas residências.

Depois de alguns minutos de espera, acompanhados de uma conversa reconfortante, os pacientes simplesmente se acalmam e retornam de livre vontade para seus quartos no hospital.

Mais exemplos para inspirar novas conexões
Max dos Santos também cita outros exemplos de serviços inovadores que potencializam os sinais fracos, como Nubank e Acorn.

O Nubank é uma startup brasileira que oferece serviços financeiros que facilitam a vida dos consumidores, como um cartão internacional de crédito, da bandeira MasterCard, que o interessado solicita a partir do site, com taxas de juros menores que as praticadas no mercado por não ter bancos ou outras instituições como intermediários.

Já o Acorn é um aplicativo simples e inovador: todas as vezes que o usuário compra algo com cartão de crédito ou débito, o Acorn arredonda o valor para o próximo dólar cheio e investe esta quantia em fundos. Seu objetivo é tornar o ato de poupar uma conduta cotidiana.

“Hoje, tudo o que elimina atravessadores ou está em sintonia com a economia criativa e compartilhada, mesmo não tendo uma ligação direta com os consumidores 50+, pode fazer a diferença para criar algo inovador para este público. Acredito que se soubermos fazer as conexões certas e estar atentos aos sinais fracos que estão por toda parte, vamos fazer também neste mercado algo extraordinário”, conclui Max dos Santos.

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