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Vigitel Saúde Suplementar: os fatores de risco para doenças crônicas

Créditos: shuttterstock
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Na semana passada foi apresentada pela ANS e Ministério da Saúde a nova versão do VIGITEL SAUDE SUPLEMENTAR. Trata-se da mais relevante pesquisa sobre fatores de risco e de proteção para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) realizada no Brasil desde 2006. Poucas pesquisas no mundo propiciam uma curva histórica de tantos anos e, com isso, o VIGITEL pode contribuir substancialmente no planejamento dos programas de saúde. Infelizmente, ainda muitos gestores utilizam pesquisas internacionais, feitas em outras realidades e culturas, muitas vezes de anos atrás e não lançam mão dos dados sempre atuais do VIGITEL e da Pesquisa Nacional de Saúde.

Este recorte para a população beneficiária de planos de saúde é particularmente relevante pois traça um perfil mais fiel da população-alvo de muitas empresas e da saúde suplementar, inclusive porque, devido à heterogeneidade da distribuição de beneficiários de planos de saúde, a pesquisa foi re estratificada com base no Sistema de Informação de Beneficiários (SIB) da ANS.

Os fatores de risco para doenças crônica:

Com relação ao tabagismo, a frequência de adultos fumantes foi de 8,7%, sendo maior no sexo masculino (10,3%) do que no feminino (7,3%). Para os homens, a frequência de fumantes apresentou pequenas variações ao longo da vida e para as mulheres esta frequência tendeu a ser menor antes dos 25 anos e entre 35 e 44 anos.

A pesquisa revela que mais da metade da população pesquisada (52,5%) está com excesso de peso (considerando-se o índice de massa corpórea), sendo maior entre homens (60,8%) do que entre mulheres (45,4%). Entre mulheres a frequência desta condição tendeu a aumentar com a idade e, entre os homens, tendeu a aumentar até 44 anos. Com relação à obesidade, a frequência foi de 16,8% para a população estudada.

Certamente a elevada frequência de excesso de peso está associada, dentre outros fatores ao estilo de vida da população.

Um dos fatores mais importante é a alimentação. Apenas 44,1% da população estudada faz consumo regular de frutas e hortaliças (cinco ou mais dias na semana). No entanto, se considerarmos o consumo recomendado (cinco ou mais porções por dia), apenas 29,4% tem este hábito, sendo menor em homens (23,9%) do que em mulheres (33,8%). Além disso, em capitais como Belém, Fortaleza, Manaus e Salvador, apenas um quarto da população adulta faz o consumo recomendado de frutas e hortaliças. Por outro lado, um a cada cinco brasileiros entrevistados faz consumo de doces diariamente (e as mulheres chegam a 24,7%).

Com relação à atividade física no lazer, a frequência de 150 minutos de atividade moderada por semana foi de 39,9%, sendo maior entre homens (45,2%) do que entre mulheres (35,7%). As pessoas tenderam a ser menos ativas com o aumento da idade, de forma mais acentuada entre os homens. Apenas 10% das pessoas são ativas no deslocamento, indo ao trabalho ou à escola caminhando ou de bicicleta. Consequentemente, quase metade dos entrevistados (47,5%) não alcançaram um nível suficiente de atividade física, sendo este percentual maior entre mulheres (52,3%) do que entre os homens (41,5%). Além disso, um quarto dos brasileiros (23,4%) assistem televisão por três ou mais horas diariamente.

Finalmente, com relação ao uso abusivo do álcool, a frequência observada foi de 16,4%, sendo aproximadamente 2,5 vezes maior em homens (24,8%) do que em mulheres (9,7%).

Com relação à morbidade referida, diagnóstico médico de hipertensão arterial foi relatada por 22,8% dos entrevistados e de diabetes foi de 7,1%.

A Organização Mundial da Saúde destaca que a abordagem de quatro fatores é fundamental para a prevenção das DCNT, a saber, inatividade física, alimentação inadequada, tabagismo e uso abusivo do álcool. O Brasil possui um dos melhores indicadores de controle do tabagismo, decorrente principalmente das políticas públicas adotadas na comercialização, taxação, propaganda e limitação do ato de fumar em ambientes públicos.

Os indicadores relacionados aos outros fatores de risco mostram um quadro preocupante que, somado ao envelhecimento da população prenuncia um agravamento na frequência e severidade das DCNT, particularmente doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e doença pulmonar crônica.

Os gestores de programas de saúde devem buscar planejar suas ações e atividades tendo como parâmetro estes fatores de risco e deixando de utilizar somente indicadores de processo (como participação, satisfação ou atividades realizadas). É momento também de se qualificar as ações, deixando as atividades meramente promocionais, informativas (muitas vezes de eficácia discutível) passando para iniciativas baseadas em evidências, com o uso dos conhecimentos da economia comportamental, marketing social e tecnologia da comunicação.

 

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