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Vale do Silício (e do Suplício) na Saúde Digital [infográfico]

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Nos últimos 5 anos vimos nascer e crescer um ecossistema de saúde digital nos EUA.

Como num passe de mágica, nesse curto espaço de tempo empreendedores que antes olhavam apenas para negócios como publicidade e e-commerce se voltaram para a saúde com a criatividade e o entusiasmo necessários para resolverem uma série de problemas no setor.

Mas como passes de mágica não são capazes de corrigir um problema multibilionário, novas leis foram pensadas, aceleradoras foram criadas, capital de risco foi disponibilizado e veículos de comunicação passaram a pautar o tema, sempre sob manchetes entusiasmadas com a chamada “Digital Health Revolution”. Pacientes, médicos e hospitais – dentre uma série de outros interessados – passaram a consumir os produtos de toda aquela onda de inovação.

Não é segredo que nenhuma revolução atinge seus objetivos sem que haja lideranças sensíveis e dispostas a orquestrar as diversas nuvens de insatisfação que pairam no ar. E ali não foi diferente. Quem acredita que aquele tsunami se formou a partir da pura energia dos empreendedores locais precisa saber que, na verdade, tudo foi resultado de um amplo processo de articulação do Governo Obama.

O planejamento estratégico do setor de saúde digital americano, elaborado em 2010, é uma referência importante para nos ajudar a entender aquele fenômeno – não que seja a única fonte, mas ele ajuda a entender e até desmistificar um pouco da magia do Vale do Silício em criar sozinho aquela efervescência de negócios na saúde.

O que mais me chama a atenção naquele documento não é o plano de ação em si, apesar de ser muito bem elaborado, mas os princípios que nortearam sua construção e que estão expressos em sua abertura.

Chamando para si a responsabilidade por formatar um sistema de saúde compatível com a realidade do século 21, o governo federal se comprometeu a investir esforços para:

  • Colocar os indivíduos e seus interesses em primeiro lugar.
  • Melhorar a saúde e o bem-estar de todos os americanos, atendendo às necessidades e protegendo os direitos de cada indivíduo.
  • Ser um zelador do dinheiro e da confiança do país, lembrando que nesse ponto o governo diz “confiar em mercados privados para realizar objetivos sociais importantes”, e promete agir para corrigir falhas desse mesmo mercado, quando necessário. Para tanto declara que irá “desenhar políticas governamentais através de processos abertos e transparentes”.
  • Assegurar que os indivíduos carentes e em situação de risco possam usufruir dos benefícios da saúde digital como todos os outros cidadãos.
  • Focar em resultados para a saúde, ressaltando que a saúde digital deverá se concentrar em melhorar constantemente a qualidade assistencial, de modo a melhorar a saúde populacional e o desempenho do sistema de saúde como um todo.
  • Construir em cima daquilo que funciona; ou seja, trabalhar metodicamente para alcançar metas, monitorando os casos de sucesso e procurando maneiras de expandir os programas que dão resultados.
  • Incentivar a inovação. O governo promete fomentar um ambiente de teste, aprendizagem e melhoria, promovendo assim a descobertas que de forma rápida e radical poderão transformar a saúde.

Daí em diante foram traçados cinco objetivos para serem atingidos até o ano de 2015 e que, em grande parte, nos explicam não apenas a corrida do ouro no Vale, mas o tamanho da onda que estava por atingir todo o país:

  • Atingir um nível superior de troca de informações através da utilização significativa da tecnologia.
  • Melhorar a assistência e a saúde, reduzindo custos assistenciais, através da tecnologia.
  • Inspirar confiança no uso de tecnologia na saúde.
  • Empoderar as pessoas em torno de sua saúde através da tecnologia.
  • Aprender rápido e avançar no uso da tecnologia.

Enquanto tudo isso se desenrolava por lá, nós aqui experimentamos o surgimento de uma onda de inovação à brasileira. Ela vem acontecendo num Vale do Suplício formado por burocratas com restrições de visão, orçamento, gestão, além de uma reconhecida dependência de circunstâncias e interesses políticos nada generosos com o usuário final do sistema.

Porém graças à criatividade, capacidade de improvisação e dinâmica própria do mercado brasileiro ela, ainda assim, tem avançando aos poucos. Da mesma forma que ocorre com aqueles atletas pobres que conquistam medalhas olímpicas tendo que quebrar antes os recordes da sua própria realidade social, a história da nossa revolução digital na saúde até aqui é contada por heróis descalços, “malucos” cheios de força e fôlego e alguns casos surpreendentes de tração em pista molhada.

Para um país que não tem Obamacare, e que às vezes parece ter um “Dilma-não-quer”, até que estamos avançando bem! Mas ainda é pouco. Seria realmente muito útil se nosso Governo Federal tivesse uma agenda clara, transparente e, sobretudo, bem montada como aquela de nossos colegas americanos.

Care sim, care não” isso faria uma grande diferença para ajudar-nos a trazer a saúde nacional para a realidade do século em que vivemos.

 

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