Referências da Saúde Quem foram os premiados da edição 2016? Confira agora

Tons de rosa

Créditos: shutterstock
Publicidade

Chega outubro e a cor rosa fica mais evidente. Tanto na iluminação de prédios e monumentos quanto em notícias de jornais, revistas e televisão. O tom rosa é relacionado ao câncer de mama. São mais de 57 mil mulheres diagnosticadas por ano no Brasil. É o tumor mais comum entre mulheres, mas a taxa de cura se aproxima de 90% quando identificado precocemente, idealmente antes dos sintomas. Felizmente, essa luta mobiliza milhares de pessoas e as taxas de sucesso vêm crescendo. Apesar do mesmo nome, câncer de mama é mais de uma doença, com comportamentos biológicos e tratamentos diferentes, o que permite indicar terapias mais efetivas e menos tóxicas. Mas nem tudo é um mar de rosas.

As estatísticas mostram que os casos vêm aumentando. Isso pode ser causado pela mudança socioepidemiológica, com mulheres tendo menos filhos e mais tardiamente, além do aumento do tabagismo e da obesidade. A desinformação é outro fator de risco. Muitas pacientes se surpreendem com o diagnóstico, pois não tinham história familiar prévia. A ausência de parentes próximos com a doença não elimina o risco, inclusive a maioria dos casos não tem histórico familiar.

Outro erro comum é adiar a avaliação médica, com o medo de que intervenções possam piorar a evolução, quando é justamente o contrário. Cabe salientar, ainda, a alarmante falta de acesso à mamografia em alguns locais do País. A qualidade questionável de alguns mamógrafos pode dar a falsa sensação de segurança e o tempo entre suspeita e manejo efetivo são ainda pontos de tensão. Além disso, drogas sofisticadas, mas de alto custo, não estão disponíveis no sistema público e não se visualizam mudanças significativas. A falta de um plano de adequação no modelo assistencial cria um desalento para quem conhece e lida com a saúde, pois a taxa de mortalidade em áreas pobres é 11 vezes maior do que em zonas com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

De qualquer forma, o rosa sensibiliza a população e homenageia as mulheres que travaram ou seguem nessa batalha. Que sirva, também, para fomentar mudanças estruturais e, desta forma, salvarmos mais vidas.

Publicidade

Notícias como essa no seu e-mail

Faça como mais de 20.000 profissionais do setor de saúde e receba as últimas matérias no seu email.

Comentários

    Stephen. Gostei muito deste post. Muito esclarecedor. As vezes me preocupo um pouco com o outro lado da moeda. Muitas mulheres tem feito mamografias em idades nas quais não são elegíveis, se submetem a procedimentos diagnósticos cada vez mais complexos (como estereotaxia) e caros e com um ônus psicológico importante pela carga que surge com uma suspeita de câncer de mamas. Além disso, em geral tem sido solicitado US de mamas e mamografias com sobrecarga do sistema de saúde. Não acha que precisamos disseminar as boas práticas e linhas de cuidado no rastreamento do câncer de mamas ?

      Foto de perfil de Renato

      Olá Alberto, considero muito válida sua posição sobre o assunto. Posso incluir ao seu comentário, no que se diz respeito às boas práticas, é que trabalhar na prevenção através de ações básicas, como o auto-exame das mamas após os 20 anos de idade, por exemplo, além da diminuição da gordura endógena e redução de peso corporal consequente, dieta rica em vitamina A, podem ser muito efetivas no que se diz respeito ao diagnóstico, além de dar muito mais informações ao profissional que está tendo contato com a paciente pela primeira vez.

      Stephen Stefani

      Meu caro Ogata. Tens toda razão. O “overdiagnosis” é, também, um problema grande, de alto impacto em orçamentos e, principalmente, não agregam benefícios aos pacientes. O debate sobre a idade ideal tem sido simplista. Parâmetros são úteis, assim como partituras, mas o discussão esclarecida da paciente com um médico bem treinado ainda é o ideal.

    Stephen Stefani

    Ola Renato. Boa colocação. Prevenção primária tende a ser mais efetiva e muito menos devastadora do que qualquer tratamento. Veja, por exemplo, o estudo PREDIMED (Prevención con Dieta Mediterránea), realizado na Espanha e publicado no Lancet esse ano. Foram estudadas 4.282 mulheres, sorteadas para receber a dieta chamada mediterrânea com óleo vegetal extra-virgem, dieta mediterrânea com suplementos de gordura vegetal com nozes ou dieta somente com recomendação de reduzir consumo de gorduras. Houve redução do risco para câncer de mama em mulheres entre 60 e 80 anos que usaram dieta mediterrânea associada ao azeite de oliva extra-virgem: 1,1 versus 2,9 para 1.000 pessoas/ano. São medidas simples e com benefício muito interessante.

    Stephen. Tem toda razão. É importante verificar o grau de risco, dentre outros fatores e não utilizar somente a idade como único parâmetro no rastreamento do câncer de mamas. Sobre o “overdiagnosis” o Medscape (http://www.medscape.com/viewarticle/842820?src=stfb) publica um texto muito interessante que destaca a projeção de gasto aproximado de 4 bilhões de dólares nos Estados Unidos com as mamografias falso-positivas.

Deixe uma resposta