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Thriller na saúde digital

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Quem não se lembra de Michael Jackson apresentando seu inédito passo moonwalk, durante o aniversário da gravadora Motown, em meados dos anos 80?

O moonwalk é um passo que ilude quem está assistindo. O dançarino se move como quem caminha para a frente, enquanto o seu corpo se desloca para trás. Foi um hit nos bailes funk do século passado e que agora está ressurgindo com força no setor de saúde.

Embaladas pelo som contagiante da inovação algumas empresas estão se jogando de cabeça num flashback involuntário. Enquanto parecem avançar, atentas à revolução digital que aponta para o futuro, caminham para trás, presas à mentalidade que garantiu-lhes o sucesso em tempos passados.

É espantoso: acionistas batem palmas excitadas no ritmo da estação, gestores dão gritos exaltados de vibração – WOW! – e pacientes atônitos aguardam na fila interminável que lhes dá acesso ao salão principal. Será que – mais uma vez – todos irão dançar no fim da festa?

Sim, é realmente difícil parecer inovador e ser inovador ao mesmo tempo num setor como o de saúde. Quando tudo que se fez durante anos foi seguir à risca o toque de marcha de um mercado tradicionalista, a cintura fica dura para acompanhar movimentos imprevistos e – WOW! – o mundo está se movendo muito depressa agora..shake your body, baby!

O passo preferido do setor, todos sabem, sempre foi mover-se para dentro, quando o assunto era investimento em TI, e nem dava para ser diferente. Com a urgência em controlar uma operação tão sensível ao erro, criou para si uma vida que gira em torno da gestão assustada de recursos, com a prioridade de fazer entregas quase sempre imprevisíveis!

Assim foi, ao longo das últimas décadas, consumindo seus orçamentos de tecnologia na aquisição de sistemas de gestão administrativa e operacional visando aperfeiçoar sua logística e controle de custos.

Dessa vez, porém, o ritmo mudou no meio da música. O padrão tecnológico de nossos dias pede um tipo de investimento diferente, centrado em quem está do lado de fora do redemoinho das questões internas.

Chegou a vez do paciente? Na cabeça dele, ao menos, a resposta é sim!

Acostumado que está à incorporação cada vez mais rápida de tudo o que precisa em sua vida através da internet, das redes de dados e de devices de todos os tipos, pergunta-se: porque nas questões de saúde isso haveria de ser assim tão diferente?

A rigor ele próprio já saiu dominando a cena. Passou a utilizar ferramentas leves para se informar, se educar e monitorar a própria saúde, criando assim um descompasso arriscado entre dois mundos que deveriam, tal qual um par de dançarinos, atuar juntos e em perfeito sincronismo. Let’s dance togheter!

Ora, da mesma forma que empresas de tecnologia digital não irão fazer disruptura alguma na saúde sozinhas – fato! – as empresas de saúde também deverão se convencer – de uma vez por todas! – que agora precisam acertar o passo da inovação – o que nem sempre é fácil de acontecer com muita lucidez.

Tomemos um exemplo típico. É comum vermos no mercado brasileiro grandes provedores de saúde investindo muito dinheiro em sistemas empresariais, como ERPs (no que não estão necessariamente errados) porém acreditando que com isso estão investindo em tendências de Saúde Digital – o que é um tremendo dum equívoco.

Isso também vem acontecendo em temas como gestão de dados. No hit do momento qualquer planilha interna tem servido para departamentos inteiros acreditarem que estão fazendo Big Data em Saúde e que – consequentemente – estão sintonizados na nova cena digital.

É como um autêntico moonwalk – apenas que também iludindo aos próprios passistas. Freak out! Basta uma rápida consulta na internet para jogar um pouco de luz sobre essa pista de dança. A nova onda de saúde digital refere-se, antes de mais nada, a mudanças na cadeia de distribuição de saúde criando vantagens para os usuários do sistema. Ela deve ampliar a abrangência das ações de promoção, prevenção, terapêutica – e até mesmo, pesquisa – trazendo novos ganhos de custo-efetividade.

Obviamente que essas mudanças na relação com os usuários do sistema não acontecem sem que surjam também desafios e oportunidades para o back end das organizações, mas esses, a partir de agora, deveriam vir a reboque. E não o contrário como tem sido tão comum observar.

Enquanto as empresas continuarem acreditando que estão inovando, sem estar, ou que vivem numa zona de conforto que lhes permite arriscar a vida por tempo indefinido, irão viver fortíssimas emoções no futuro que se aproxima.

É só uma questão de tempo. Quando a batida grave da mudança começar a tocar no salão, será altamente desejável que os gestores não tenham esquecido de seus pequenos passos trocados – e já tenham arrumado tempo para aprender a fazer inovação de forma correta.

Com as mudanças no comportamento do paciente tomando corpo na saúde e as tecnologias de uso pessoal chegando forte ao nosso setor, ninguém vai querer correr o risco de ver sua empresa mergulhada num filme de terror de uma hora para a outra, nem ficar dançando como um zumbi pelo mercado, sem saber se está morto ou vivo.

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Seria a paródia perfeita de um outro clip memorável de Michael Jackson. Quem não se lembra, afinal dos efeitos visuais de Thriller? Dentre outras coisas, ali podemos assistir um monte de gente morta se esforçando para dançar ao som de batidas radicalmente inovadoras.

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