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Tabelar preços é o pior caminho

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Quanto mais críticas ouço quando digo que o tabelamento de preços é a pior doença da saúde, mais tenho vontade de repetir.

O que se ganha com o tabelamento ?
Ou quem realmente ganha com ele ?

Já comentamos sobre as tabelas AMB e como elas, ao invés de proteger o médico, atualmente nivelam por baixo a prática médica. A CBHPM hoje, além de não tabelar preço nenhum porque todos aplicam redutores variáveis dependendo do grupo, o que acaba fazendo que o médico acabe ganhando menos que um ?personal trainer? ? vale mais a pena cuidar de gente sarada hoje em dia do que de doente !

E falta falar do Brasíndice.

Criado para coibir o abuso de preços em medicamentos no passado, foi perdendo o sentido devido a diversidade de fabricantes, similares, genéricos, e hoje é uma verdadeira baderna.

Existem 2 tipos de preço nele:

  • O PMC, ou preço máximo ao consumidor, para parte dos medicamentos;
  • O PF, ou preço de fábrica, para a outra parte.

Como podem um hospital e uma farmácia praticar o mesmo PMC  ?

  • A Farmácia simplesmente compra o medicamento e vende ? seu único custo é receber, armazenar e ?desovar? … entre a receita e a caixa na mão do cliente é só uma ida e volta à prateleira;
  • O hospital recebe o produto, fraciona, manipula, dilui, ministra no paciente … entre a prescrição e o paciente vários processos administrativos e técnicos que custam caro.

E quando não tem PMC é pior: a RN 241 da ANS estabelece que o serviço de saúde pode aplicar um índice que corresponde aos custos de seleção, programação, fracionamento, armazenamento, distribuição, manipulação, unitarização, dispensação, controle e aquisição … parabéns:

  • Mas não estabelece o índice, apenas diz que pode !
  • Então ‘a pergunta que não quer calar’: por que tabelar se cada um pode aplicar o índice que quiser e o preço final é totalmente diferente entre um serviço de saúde e outro ?

O Brasíndice virou uma tabela ?de faz de conta?, e como todas as outras privilegia os que menos deveriam ser beneficiados, e literalmente detona o resto.

Se falarmos de SIMPRO, AMB, CIEFAS, Brasíndice … no final da conversa ‘a pergunta que não quer calar’ será sempre a mesma !

Na prática cada hospital, cada operadora, finge que trabalha com tabela, mas usa apenas como referência para praticar uma infinidade de preços diferentes, e isso sempre será assim, porque não se pode tabelar serviços com a precisão que se tabela a conta de energia elétrica.

O custo operacional de manter o preço Brasíndice atualizado quinzenalmente, e ficar brigando em cimas das contas a cada centavo errado é absurdo ? mas é invisível porque quem está na briga depende disso para sobreviver. É seu ganha-pão.

A indústria do tabelamento em saúde criou e sustenta uma pesada legião de pessoas que ficam discutindo o indiscutível: quem sempre mandou nos negócios, e sempre vai mandar, é a lei da oferta e da procura ? as tabelas sempre foram, são e sempre serão uma tentativa burocrática inútil de brigar contra isso.

 

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