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Tabela congelada, e o faturamento continua aumentando

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Todo ano comento sobre este assunto – e não me canso !

A razão é simples: com tanta notícia ruim, tanta gente (inclusive eu) pessimista em relação ao futuro, quando verifico que tive a chance de participar de algo de sucesso dá vontade de ficar repetindo.

Ouvimos diariamente diversas pessoas dizendo que a tabela SUS deve ser reajustada, o que é uma grande verdade, mas isso não impede que os hospitais aumentem a sua receita … e é fácil explicar.

Pouca gente domina de verdade o que se pode faturar, – isso vale também para as tabelas e regras da Saúde Suplementar – faturam da forma como aprenderam, e geralmente abaixo do que se pode faturar.

Quando dou aula de gestão de processos costumo chamar a atenção do quanto o objetivo do processo influencia no que o processo vai ser. Trazendo esta afirmação para o assunto, se o objetivo dos envolvidos no faturamento das contas hospitalares é simplesmente faturar, o faturamento não vai aumentar, porque o objetivo é faturar e não aumentar o faturamento.

Tão simples quanto isso !

Para aumentar o faturamento deve-se dar foco em descobrir onde está a receita que não está sendo faturada … analisar o que pode ser feito de forma diferente do que sempre foi … e sensibilizar os envolvidos, principalmente os que detém a origem da informação, da necessidade de sistematizar os registros.

Isso aconteceu novamente em um hospital que atende SUS e Saúde Suplementar em 2014, e novamente os números demonstram a diferença entre simplesmente faturar, ou identificar receitas perdidas e sistematizar sua
cobrança nas próximas contas.

Neste hospital o volume de contas de internação SUS cresceu 5,8 %, mas o faturamento das AIHs cresceu 21,3 % !!!

… lembrando que a tabela SUS está congelada …

E são diversas as razões deste sucesso.

O Diretor Executivo apoia a existência de um comitê multidisciplinar de faturamento que se reúne pelo menos a cada quinze dias para discutir indicadores, e convidar gestores das áreas assistenciais quando é necessário modificar algum processo relacionado ao faturamento na área dele.

Particularmente participo desde comitê dando apoio aos gestores nas ações que eles não têm ‘braço’ para realizar e dar apoio metodológico no redesenho dos processos.

Um dos indicadores mais importantes analisados é o ticket médio das AIHs. Conforme as receitas perdidas vão sendo descobertas o ticket médio vai aumentando, e neste hospital ele aumentou 14,6 % só em 2014. Como no
ano anterior o aumento havia sido de 13,3 %, chegamos a um aumento de quase 30 % em 2 anos.

O volume de AIHs remetidas após 60 dias da alta do paciente reduziu 41,7 %. Este indicador é importante porque quando se trabalha com remessa muito próxima do limite do prazo é certo que parte das AIHs se perde.

Em 2013 a redução já havia sido de 57,7 %. O significado disso é que atualmente apenas 5,8 % das AIHs são remetidas após 60 dias. Neste patamar a chance de perder AIHs inteiras é praticamente zero.

Como último exemplo do foco em aumentar o faturamento SUS, o valor faturado de diárias de acompanhante subiu 81,3 %. Não se tinha claro em que situação este item poderia ser faturado !

Este foco de aumentar o faturamento (ao invés do foco de faturar) também foi verificado neste hospital nas contas de saúde suplementar.

Dentre diversos indicadores vale ressaltar que o tempo médio entre a alta e a remessa da conta para a operadora caiu 16,6 %. No ano anterior já havia caído 28,4 %, ou seja, caiu praticamente a metade do tempo em 2 anos.

Também vale comentar que apesar do volume de pacientes externos ter reduzido 2,3 %, o valor faturado cresceu 15,2 %, muito acima do reajuste das tabelas de preços.

A mensagem deste post se resume em afirmar (não achar, não ouvir dizer … confirmar de verdade) que quando os envolvidos na formação das contas hospitalares realmente se organizam para identificar como o faturamento
pode aumentar, ele aumenta mesmo com as enormes dificuldades que temos pela falta de reajuste adequado dos preços.

E, muito importante, fazendo tudo de forma lícita, sem roubar ou fraldar qualquer tipo de regra comercial – apenas fazendo o que se pode fazer … não deixando de fazer o que se deve !!

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