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Sprint da Implantação do Sistema nos Hospitais de SP

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Já postei algumas vezes aqui sobre o projeto S4SP, que é a implantação de um sistema único nos hospitais da administração direta do Governo do Estado de São Paulo.

Diversas vezes comentei que não importava qual o sistema contanto que fosse um sistema único. Diversas vezes comentei que a dificuldade seria imensa dada a complexidade de implantar o mesmo sistema em hospitais gerais e hospitais ultra especializados, já que os processos internos são totalmente diferentes. Diversas vezes comentei que apesar de “mirar” no assistencial (o prontuário do paciente) o governo teria resultados espetaculares na retaguarda operacional, em especial o faturamento.

O Governador visitou recentemente um hospital inserido no projeto, viu a programação de cirurgias e aparentemente ficou satisfeito. Todos nós estamos contentes – não como especialistas em gestão hospitalar, mas principalmente como cidadãos: estamos vislumbrando o sonho de em algum tempo (que ainda vai demorar um pouco) ter um prontuário eletrônico único para todos os pacientes da rede pública do Estado de São Paulo, exceto os geridos por OSs que utilizam sistemas próprios.

Em breve, por exemplo, o prontuário de um paciente atendido no Hospital Geral de Vila Nova Cachoeirinha da Cidade de São Paulo poderá ser consultado no Hospital Regional de Assis !

As dificuldades são gigantescas – ao iniciar o projeto visitei um hospital onde um cabo da rede de dados atravessava uma rua entre um edifício e outro, como se fosse um varal … ver aquele cabo azulzinho cheio de pombas penduradas foi algo surreal !!!

O projeto está, ao mesmo tempo implantando novos processos informatizados e corrigindo problemas de infraestrutura. Conheço outros projetos de informatização de complexos hospitalares públicos muito mais simples, com meia dúzia de hospitais, que não avançaram 10 % em relação ao S4SP que abrange mais de 50 hospitais !

O segredo do sucesso está sendo a preocupação da Secretaria da Saúde com o processo de implantação, mais que com o sistema (o “bit byte”). Na linha do que sempre comentamos: o sistema é o de menos – o que faz a implantação andar é planejar e ter uma equipe de implantação adequada, condizente com a quantidade de usuários e a capacitação, porque “não adianta dar o carro se o cara não sabe dirigir”. Projetos que baseiam a implantação em multiplicadores são multiplicadores de problemas: levam aos funcionários do hospital uma enormidade de tarefas que demoram para andar, e quando são realizadas não geram resultado prático algum … como se os funcionários do hospital não tivessem outra coisa para fazer.

No início deste projeto postei que a implantação do S4SP seria um divisor de águas na informatização dos hospitais e lembro da desconfiança inicial de muitos envolvidos e de algumas dúvidas como:

  • É o sistema do InCor, será que serve em outros hospitais ?
  • Quem acredita que médicos e enfermagem da área púbica vão trocar o papel pelo computador ?

O projeto iniciou com uma série de “tabus cantados em verso e prosa” por quem nunca trabalhou em hospital. Para saber o que acontece ou pode acontecer em hospital “você tem que ficar internado neles alguns anos”, “sentir o cheiro das alas”, entender o que ocorre na retaguarda operacional e interagir diretamente com profissionais assistenciais para conhecer a rotina deles. Saber o que é importante e o que não é.

O Governador viu a programação cirúrgica informatizada do mesmo hospital que em alguns posts atrás comentei que o valor faturado em BPAs cresceu 275 %, e que o número de lançamentos médios em AIHs cresceu 32 % – a prova de que ajustando o processo assistencial, o financeiro vem na carona.

Há alguns dias dei parabéns aos gerentes do projeto de implantação comentando que este é o tipo de evento que eles vão guardar para comentar orgulhosamente com os netos, porque eles estão tão envolvidos na ‘batalha’ que ainda não têm a exata dimensão do que o projeto significa: sabem que é importante, mas meu sentimento é que não avaliam o quanto é importante.

O mérito dos envolvidos pode ser comprovado se comparado com uma série de “megaprojetos” que não deram certo e tinham tudo para dar certo. Por exemplo: o e_SUS – alguém tem alguma dúvida se o sistema é adequado para hospitais ?

Eu não tenho a mínima dúvida – o sistema é bom, atende os requisitos dos principais processos hospitalares, é gratuito, é simples, requer pouca infraestrutura … então porque não temos um prontuário único em todos os hospitais brasileiros ?

O e_SUS disponibiliza a interface, o banco de dados e não abrange exatamente o componente de tratar os problemas de implantação, que são gerados no ambiente de mudanças que qualquer projeto de informatização hospitalar gera. Este é o mérito dos envolvidos na implantação do projeto S4SP: não é um “monte da hardware e software jogado no hospital” – é um projeto de mudança de processos, que exige acima de tudo muita paciência, porque as pessoas que estão há décadas preenchendo um papel ou alimentando informações em sistemas não integrados não conseguem assimilar a necessidade de trabalhar de forma diferente e integrada !!!

Que fique bem claro: não estou criticando o projeto e_SUS – critico quem faz mau uso dele. É evidente que o SUS não teria a menor condição de coordenar implantações: ele fornece a plataforma, o que já é algo de imenso valor, e quem deve se preocupar com a implantação é a administração do hospital, ou sua mantenedora.

Já comente também que infelizmente não tive a oportunidade de participar mais ativamente do projeto S4SP, apenas em momentos pontuais, ajudando a capacitar a equipe de implantação em informática hospitalar, ajudando a capacitar os funcionários dos hospitais em faturamento SUS e auxiliando no desenvolvimento do planejamento da implantação e alguns estudos. Apesar de ter participado tão pouco do projeto, é muito bom afirmar que tenho orgulho de ter contribuído com alguma coisa neste projeto tão importante para a saúde pública do Estado de São Paulo.

E torcer para que o Governo do Estado continue acreditando no projeto neste Sprint da implantação … a “última milha” está chegando !!!

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Comentários

    Ênio, gostei da frase: “Projetos que baseiam a implantação em multiplicadores são multiplicadores de problemas: levam aos funcionários do hospital uma enormidade de tarefas que demoram para andar, e quando são realizadas não geram resultado prático algum … como se os funcionários do hospital não tivessem outra coisa para fazer”.

    Não tem coisa mais crítica em implantação de sistema em hospital do que isto que vc disse acima. Já vivi algumas destas experiências tanto como equipe operacional quanto nos “sapatos do gestor”. Sistemas são super desejáveis para a operação hospitalar, mas muitas vezes sua implantação se torna um verdadeiro tormento para todos.

    Parabéns para o governo de SP por acreditar e investir na ideia e também pela sua participação. Com certeza, os resultados são de dar orgulho a qualquer um que pode colaborar de alguma forma,

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