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Sistema subdividido em unidades pede pelo médico hospitalista

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Tive o recente prazer de ser procurado por The Advisory Board Company, considerada umas das principais consultorias em assistência médica do mundo. No centro da atuação deles está um rigoroso processo investigativo. Os insights e experiências coletados em pesquisas são compartilhados com afiliados (mais de 45 países representados, mais de 3000 organizações participantes), através de apresentações claras e concisas, objetivando estímulo e ajuda na avaliação e aplicação de ideias relevantes.

O tema de nossa conversa não poderia ter sido outro: hospitalistas.

O resultado da apresentação com a qual contribui, e que abrangeu participações de líderes médicos de diversos países, ficou bastante interessante.

Começam destacando a importância global da multimorbidade em adultos, “a coexistência de múltiplas condições ou doenças crônicas […] Adultos com múltiplas comorbidades são os principais usuários dos serviços de saúde e responsáveis por mais de 2/3 dos custos”. A partir disto, trazem relação da multimorbidade com dificuldades, principalmente para coordenação do cuidado, e problemas decorrentes – erros diversos na assistência à saúde –, afirmando que devemos nos adaptar melhor para este perfil de paciente. Aliás, que já estamos atrasados!

Apontam fragilidades de coordenação do cuidado que repetem-se entre a admissão e alta hospitalar de pacientes por todos os continentes, contribuindo para aberrações como: histórias dos pacientes coletadas de maneira fragmentada e por diferentes profissionais médicos, planos terapêuticos dispersos ou pouco acessíveis, altas hospitalares retardadas por diversas condições adquiridas preveníveis.

Denunciam uma realidade mundial de pobre capacidade para trabalho em equipe – “A Crowd Does Not Make a Team”:

“A medida em que o hospital cresce, vai naturalmente sendo subdividido em unidades. Então cada unidade torna-se um silo, e perdemos a horizontalidade do cuidado.” – Colombia

“O problema fundamental não é carência de treinamento individual, mas o fato de que não sabemos como trabalhar em conjunto.” ­– Peru

“O desafio da comunicação entre profissionais é muito grande, e se torna maior cada vez que se acrescenta um especialista.” – Brasil

Sugerem, adiante do diagnóstico, que subespecialistas e enfermeiras sozinhos não são mais capazes de suprir as demandas. E aceitam o médico hospitalista como tratamento necessário. Aceitam parte da solução como sendo adequadamente posicionar um generalista para liderar o paciente complexo hospitalizado, e, através dele, viabilizar outras ideias importantes, como rounds interdisciplinares.

Em 2010, organizei evento apelidado de PASHA2010 onde tentamos promover exatamente isto:

Pasha2010

Interessante perceber cada vez mais e mais movimentos em prol da mensagem. É uma realidade, não mais uma necessidade de resgate. O generalismo está transformando nossos hospitais!

 

 

*Tudo sobre o médico hospitalista, é só acompanhar os artigos de Guilherme Barcellos 

 

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