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Saiba como o Google e o Twitter estão sacudindo a vigilância em Saúde

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Pouco tempo após o terremoto do Haiti, em 2010, um médico sueco pediu à maior operadora de telefonia celular daquele país, a Digicel, para ter acesso aos dados de localização dos 2 milhões de celulares existentes na época. 

Através da análise dos dados recebidos foi possível rastrear os movimentos da população antes e após o desastre. O resultado do estudo revelou que, nos 20 dias que seguiram à catástrofe, 630.000 pessoas abandonaram a capital e se dirigiram para 3 cidades costeiras, enquanto 120.000 pessoas se deslocaram do interior para a capital.

Esse é apenas um rápido exemplo de como as tecnologias de uso pessoal já estão revolucionando a forma de fazer vigilância populacional nesse começo de século.

Com o crescente acesso da população à internet, as mídias sociais também estão transformando a maneira como as autoridades monitoram e respondem à ocorrência de pandemias. 

Isso porque vivemos uma época em que os dados fluem não apenas através de hierarquias governamentais, mas também de canais informais como blogs, posts, e chats. Coletivamente essa fontes fornecem uma visão mais rápida e diversificada de saúde pública. Veja alguns casos que trouxe para você logo abaixo.

Google Flu Trends. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) baseia sua vigilância em relatórios de ambulatórios e resultados de testes fornecidos por laboratórios de todo país. Trata-se de um processo que pode demorar até 2 semanas para detectar o surgimento de uma epidemia. 

Visando diminuir esse prazo o CDC começou a trabalhar em parceria com o Google. Isso porque os engenheiros da gigante da internet constataram que o pico de consultas ligadas a termos como gripe coincidem com a ocorrência de surtos da doença. Para quem quiser fazer o teste o Google lançou o site www.google.org/flutrends. Nele é possível visualizar informações sobre tendências de gripe num mapa mundial.

Wikipedia. Outro gigante da internet que está sendo utilizado como referência na detecção antecipada de epidemias. Num estudo publicado há uma semana no PLOS, um grupo de pesquisadores do Los Alamos Laboratory utilizou a análise de logs na enciclopédia online para validar a tese do aumento da procura por determinadas páginas em localidades que posteriormente são atingidas por surtos de doenças associadas às buscas ocorridas no site.

Sick Weather. Começou como uma plataforma web e atualmente é um aplicativo móvel de que gosto muito. A proposta do Sick Weather é funcionar como um Weather Channel, mas para problemas de saúde. Para isso realiza mineração de dados nos insights produzidos pelos usuários em diversas redes sociais. Infelizmente a versão móvel não funciona no Brasil.

Healthmap. Uma das primeiras ferramentas de mídia social criadas para otimizar a vigilância de doenças infecciosas. Após minerar dados de diversas fontes, como sites do governo, agências de notícias e relatos de testemunhas, o site agrega as informações num mapa global e apresenta os surtos em tempo real

Trata-se de um conteúdo de interesse de médicos, viajantes internacionais, governos e organizações locais de saúde. Prova disso é que recentemente eles desenvolveram uma solução exclusiva para detectar casos de cólera no Haiti em parceria com uma importante ONG local.

Twitter. Da mesma forma que Google e Wikipedia, vem sendo utilizado por cientistas para que – através da análise semântica – possa oferecer uma referência das discussões sobre saúde na rede. Alguns defendem que é ainda melhor que o Google para fins de pesquisa pelo fato de trabalhar com 140 caracteres, o que potencialmente oferece mais dados do que um simples termo de busca. Sabe-se, por exemplo, que durante a pandemia do H1N1 foi utilizado no Reino Unido para identificar os sintomas que estavam sendo mais relatados pela população.


Um dos casos de que mais gosto sobre utilização do Twitter para fins de vigilância de saúde é o “Healthcare Hashtag Project”. Além de apresentar as doenças mais faladas nas conversas do Twitter e projetar tendências, ele também indica os perfis mais relevantes para seguir, segmentados por doença.

Obviamente que toda essa inovação tem levantado alguns pontos de questionamento dentro da comunidade científica acerca da necessidade de se aprofundar mais na metodologia das empresas de internet antes de se chegar a algumas conclusões. Algumas delas como o Google, já se manifestaram dizendo que preferem manter isso no domínio de sua propriedade intelectual.

Como pode se notar através desses rápidos exemplos o sistema de saúde ainda tem muito a ganhar com a utilização das mídias sociais nesse novo século que se inicia. Através delas a vigilância em saúde deverá atingir um novo patamar.


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