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Safety 2012

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Há pouco acabou o Safety2012, evento de Alfredo Guarischi (médico), Felipe Vieira (major aviador da FAB, investigador sênior de acidentes aeronáuticos e oficial de segurança de voo) e colaboradores. Foi novamente um sucesso total.
Mantiveram a característica de ter bastante gente de outros setores buscando colaborar com a construção de um sistema de saúde mais seguro.
Fica evidente o discurso coeso dos palestrantes vinculados ao setor da aviação e naval. Anotei da apresentação de Donizeti de Andrade, coordenador de cursos de especialização em segurança da aviação: ?evitamos os termos sistema seguro e organização segura. No máximo, somos organizados. E estamos sempre buscando segurança?. Penso que devemos incorporar esta filosofia. E que aqueles responsáveis pelas acreditações hospitalares precisam colaborar mais neste processo, criando regras para coibir o tipo de marketing que vem sendo praticado e que traduz a ideia, deletéria ao moderno movimento de segurança do paciente, de que cultura de segurança brota com a conquista de um selo. Entre os participantes médicos ainda houve quem traduzisse a ideia de máxima segurança na dependência quase exclusiva de boa vontade.
Em conferência muito ?maluca?, bióloga da UERJ discorreu sobre Como aprender com a organização do reino animal. Mariana Loguercio falou sobre colmeias e o altruísmo das abelhas operárias. Foi muito interessante. Colmeias representam um sistema de extraordinária organização. As abelhas operárias são verdadeiras ?carregadoras de piano?. Afinal elas são responsáveis por todo trabalho realizado no interior da colmeia, exceção feita à postura de ovos, atividade exclusiva da rainha. As abelhas operárias encarregam-se da higiene da colmeia, garantem o alimento e a água de que a colônia necessita, coletando pólen e néctar, produzem a cera com a qual constroem os favos, alimentam a rainha, os zangões e as larvas por nascer e cuidam da defesa da família. Em muitas apresentações do Safety, Alfredo Guarischi direciona os colaboradores para que instiguem reflexões, e não ofereçam ?receitas de bolo?. Minha interpretação, até porque a bióloga deixou claro que os humanos não assumem o mesmo comportamento social não é porque não querem, mas porque estão ?programados diferentes?: Em busca de uma extraordinária organização parecida com a existente em colmeias, teríamos que moldar o sistema para o comportamento humano (e para o comportamento médico também, por mais que tenhamos muito a melhorar), negando a possibilidade utópica de foco completamente no coletivo. Passa por evitar ?roubadas de carreira?. Pois tirar dos homens perspectivas de boas contrapartidas em resposta ao mérito de suas boas ações, sob o argumento de que qualquer conforto ou benefício que obtenham com elas faz deles uns egoístas, é simplesmente desumanizá-los.
Fernando Moraes, aviador e consultor em segurança da aviação da Petrobás, quando abordou Cultura justa: como o desenho do sistema influencia as escolhas comportamentais, apresentou a seguinte mensagem: ?Mudança Cultural ? Divulgar os atributos de uma certa ?cultura?, esperando com isso mudar comportamentos, é o mesmo que discorrer sobre as condições meteorológicas na esperança de mudar a temperatura ambiente?. Com enfoque complementar, Alfredo Guarischi fez algo parecido na última apresentação do evento: Cultura de segurança não se compra.
Eu falei de Time de resposta rápida: recurso, requinte ou retrocesso? Em próxima postagem farei um resumo da apresentação.
Agora vou curtir o Rio de Janeiro! E que venha o SAFETY2013…

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