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Sacis de gravata

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  Certa vez li uma entrevista feita com um produtor de cinema na qual se discutia a correção política do uso de personagens estereotipados nos filmes de Hollywood. O repórter se mostrava claramente contrário à aplicação deste expediente, argumentando que classificar pessoas com base em idéias preconceituosas (no sentido mais puro da palavra) limitava uma compreensão precisa sobre raças, gêneros, classes sociais, faixas etárias ou padrões de comportamento.

  A contra-argumentação do produtor me pareceu bastante interessante, a ponto de, a primeira vista estranhamente, abrirmos este livro no qual falaremos sobre as interações, estigmas e sobre um modelo de gestão para departamentos de Compras, utilizando-a como ponto de partida.

  Disse ele que a função do cinema não é projetar idéias para a sociedade, mas sim retratá-la como é. Acrescentou ainda que a utilização de estereótipos é, antes de tudo, uma ferramenta de contenção de custos. Afinal, seria um desperdício de segundos preciosos de película explicar através de diálogos que um rapaz é tímido, mas inteligente. Ao invés disso, basta inseri-lo na tela vestindo roupas formais e óculos remendados, movimentando-se com gestos inseguros e tendo livros embaixo do braço. A velha máxima de que uma imagem vale por mil palavras.

  Assim como para os fãs de cinema, o ambiente profissional está repleto de imagens ?adesivadas? a cargos ou setores simplesmente porque eliminam a necessidade de uma análise mais profunda de suas reais funções ou características. Em outras palavras, por uma questão de economia de tempo ou neurônios, a maior parte de nós prefere aceitar um conceito prévio a, espontaneamente, checar se ele é real.

  Mas até onde as percepções positivas ou negativas sobre os departamentos de Compras em geral são formadas sob a responsabilidade exclusiva de nossos interlocutores? Não seriam os paradigmas existentes um fruto das imagens que compradores projetam na condução das tarefas de aquisição, principalmente, no momento do contato com clientes internos ou externos?

  Dizer que um comprador vive em almoçando com fornecedores, recebendo brindes (ou algo pior) ou pauta suas atividades na bucrocracia é uma visão certamente simplista. Mas que, declaradamente ou não, faz parte do folclore corporativo (como sacis de gravata) e apenas com indignação ou palavras não será modificada.

  Uma vez que não podem contar com a benevolência dos ?espectadores? para que sejam entendidos, creio que compradores tem sua  frente uma missão importantíssima: provar, não só por meio de palavras, que Compras merece um papel de destaque nas empresas, assumindo além de seu caráter financeiro, uma verdadeira função de prestador de serviço cujas diretrizes seguidas podem definir o sucesso ou fracasso de qualquer negócio.

  Partir de uma estrutura de pilares que organizem e definam condutas e processos tende a ser o caminho menos árduo para atingir este objetivo. E fica difícil não incluir nestas estruturas 03 fatores críticos de sucesso das atividades: gestão do processo de aquisição,  perspectiva da qualidade e conduta ética.

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