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Resultado Laboratorial Normal!?

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Os exames laboratoriais são reportados de forma qualitativa ou quantitativa e exigem uma interpretação ou correlação clínico-laboratorial, isto é, complementam o exame clínico nas diferentes fases assistenciais como prevenção, diagnóstico, prognóstico e acompanhamento terapêutico. A literatura científica demonstra que 70% das decisões médicas estão pautadas em resultados laboratoriais. Mas o que é um resultado laboratorial normal ou alterado?

Os valores ou intervalos de referência (às vezes denominado de valor normal) são as faixas de valores comparativos obtidos por observação ou mensuração de um analito em um indivíduo selecionado, com base em critérios bem definidos (Ferreira e Andriolo, JBPML 2008).  Estes valores devem ser definidos pelos laboratórios e revisados periodicamente, obtidos por revisão criteriosa de literatura ou, devido ao custo e dificuldade de seleção de população para estas definições, os valores disponíveis nas bulas dos fabricantes, modo mais comumente usado, ainda que obtidos em populações diferentes daquela que utiliza os serviços laboratoriais de maneira assistencial. Há, ainda, a necessidade de definição de valores para populações específicas, tais como os idosos ou os pacientes pediátricos. 

Segundo Friedberg et AL (AJCP 2007), existem dois diferentes tipos de intervalos de referência: aqueles associados à uma população saudável (health associated), onde encontra-se uma distribuição gaussiana que define o intervalo que 95% dos indivíduos saudáveis se encontram e os valores baseados em uma decisão clínica            (decision based reference range), o qual avalia o valor obtido em comparação a um valor estimado para um risco de desenvolvimento de patologias. No primeiro tipo, podemos exemplificar com os ensaios enzimáticos hepáticos. Para o segundo tipo, temos a glicemia e as dosagens dos lipídios e suas frações.

Para a interpretação destes valores observados nos exames laboratoriais, levamos em conta diversos conceitos, tais como sensibilidade e especificidade (diagnóstica e analítica), valores preditivos (positivo e negativo), probabilidade pré e pós-teste, etc.; e os resultados obtidos nos controles internos de qualidade, como exatidão (erro aleatório), precisão (erro sistemático) e erro total. Trataremos estes conceitos em artigos específicos.

Nota-se, portanto, que o valor isolado de um exame laboratorial pode gerar dúvidas ou até erros diagnósticos. A interpretação de um resultado laboratorial deve levar em conta um número significativo de variáveis e de conhecimento sobre as fases dos processos e o impacto destas no resultado obtido e, certamente, associadas aos achados no exame clínico do paciente. Para Burke (AJCP 2000) é uma tendência dentro da medicina laboratorial a atuação dos especialistas como consultores deste processo.

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