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Quem precisa de estratégia?

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NÃO É POSSÍVEL TER SUCESSO NUM CENÁRIO COMPETITIVO sem contar com algum grau de estratégia. A competição envolve o confronto de dois ou mais adversários, todos lutando para atingir os próprios objetivos. Cada um terá traçado seus planos e as formas de superar ou anular as pretensões dos oponentes, frustrando os seus projetos de vitória.

Cenários assim acontecem na guerra, nos jogos e nos negócios. Em todos estes ambientes o pensamento estratégico não é apenas desejável, é obrigatório. Quando todos têm alguma estratégia, entrar sem nenhuma na competição fará com que os rivais levem grande vantagem sobre você. É por isso que todos os que tenham objetivos a alcançar dependem da adoção de estratégias para realizar o seu intento: países, organizações, empresas, clubes, escolas, atletas, jogadores, empresários, profissionais e muitos outros.

Determinar o que se pretende fazer – a atividade principal a ser desempenhada –, para quem fazer – definir quais são os clientes –, como, quando e quais são os objetivos a serem atingidos é o início da adoção de uma estratégia eficiente. A declaração, oral ou escrita, destes elementos é chamada de missão organizacional. O passo seguinte é estabelecer em que prazos se fará cada etapa até o final do processo, elaborando um cronograma.

A estratégia assim concebida é como uma fórmula que indica como atingir os objetivos almejados e assim obter sucesso na atividade competitiva. É por meio desse instrumento que se cumpre e se executa a missão.

A realidade atual da Saúde brasileira é de caos no setor público, resultante da falta de planejamento, agravada pelas carências crescentes da população, corrupção endêmica e insuficiência de recursos; e de crise no setor privado, causado pelos custos crescentes, ingerência excessiva do Poder Púbico, regulamentação exagerada, esgotamento da capacidade financeira dos clientes e desarranjo na economia do País. Em ambos os casos, um problema adicional é a falta de uma gestão profissionalizada.

Em uma situação assim, a competição se torna muito mais acirrada, os adversários se multiplicam – concorrentes, governo, legislação, agências reguladoras, a economia e a política, entre outros – e o planejamento se torna mais incerto e difícil. O estrategista passa a trabalhar com limitações decisórias e orçamentárias; os prazos e praticamente todos os recursos encolhem, entravando o alcance de suas ações.

É nesta hora que o pensamento de longo alcance e a tomada de decisões planejadas se transforma em um verdadeiro jogo de xadrez, com cada movimento exigindo maior reflexão e análise detalhada das conseqüências possíveis de cada jogada, para que a organização não seja colhida por complexidades destrutivas imprevistas. Não é o momento para amadorismo e as organizações devem se defender das ameaças com a adoção de estratégias sólidas, criativas e bem estruturadas. Nada de ir caminhando sem saber aonde se quer chegar.

Além disso, a adoção e implantação de estratégias devem estar alicerçadas em sólida base de conhecimento, sendo o estudo e o amplo mapeamento dos cenários prováveis o seu principal recurso. A contribuição do estrategista é resultado de um conjunto de ações e qualidades, como estudar a história e o desenvolvimento das principais variáveis envolvidas, conhecer detalhadamente os processos, integrar todos os elementos necessários ao alcance dos objetivos, perscrutar tendências e detalhar o planejamento com todas as suas linhas alternativas, de acordo com a materialização ou não de cada possibilidade antevista.

Não foi por outro motivo que o compositor François-André Danican Philidor, músico e melhor enxadrista da França no Século XVIII, multitalentoso, como convém a um estrategista de grande reputação, disse que no xadrez é melhor começar uma partida tendo uma estratégia, ainda que parcial e imperfeita, do que jogar sem ter nenhuma. Trata-se de uma boa lição, que vale para o jogo, para a guerra, para os negócios e para a própria vida.

       
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Comentários

    Rubens, concordo plenamente que ter uma estratégia é fundamental, agir estrategicamente, construir uma estratégia com análise de cenário, etc, é perfeito.

    Vamos então para o próximo passo se conseguirmos dar o primeiro acima: que é o desdobramento da estratégia em planos de ação e o acompanhamento de seu cumprimento por escalões inferiores seja nas organizações, seja no governo. Qual é o “caminho das pedras” para que os planos de ação sejam de fato desdobrados, as pessoas sejam aderidas, os problemas de operacionalização sejam reportados e resolvidos, enfim, qual é a solução para que o planejamento estratégico não fique parado no “fundo da gaveta” dos computadores dos gestores e que os mesmos passem a “apagar os incêndios” do dia ao invés de cumprir aquela etapa que lhe cabe dentro das ações estratégicas de hoje?

    Eu tenho certeza de que muitas organizações não tem um planejamento estratégico, como também tenho certeza de que em muitas foi feito um planejamento sob a supervisão de uma consultoria, ou em um workshop num hotel no início do ano ou mesmo no governo mas que, no fim do ano, ninguém mais sabe como ele se desdobrou e se apresentam os resultados financeiros com as justificativas do que se tem na cabeça e não com base objetiva de quantas ações foram realizadas, quantas não foram, quais as razões e o impacto das mesmas. Ou seja, falta sistematização, disciplina, foco, recursos para se fazer o dia a dia e manter os olhos nas melhorias que as ações estratégicas pretendem – mazelas da alma e do do cenário brasileiro na verdade e não da área da saúde em específico, seja privada ou pública….

    Sou super a favor do planejamento estratégico, mas se não houver condições reais de ser acompanhado, ele se torna uma das maiores frustrações do alto líder.

    Rubens Baptista Junior

    Certamente, Junia. A materialização da estratégia em ações concretas, por meio de seu acompanhamento, é um dos grandes desafios na vida organizacional. No Brasil nos falta estratégia e sua concretização tanto nas empresas, como na esfera nacional e até na vida pessoal. Falaremos sobre essa questão em artigo futuro, após passarmos pelos elementos fundamentais da Estratégia. Continue acompanhando nossa coluna e grande abraço!

    Sim, Rubens, com certeza vamos acompanhando os articulistas do site e contribuindo para que, na medida do possível, os gestores da saúde encontrem as soluções para o complexo mundo da saúde.

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