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Quanto vale 1 ano de vida de um brasileiro?

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  Se nosso orçamento fosso infinito, nem precisa fazer o cálculo… tudo que  fosse efetivo, independente do custo, seria incorporado e já resolveríamos todas as questões. Incrivelmente é a forma que muitos profissionais da área encaram o assunto: basta funcionar, independente de quanto vai custar e o que acontece se esgotarmos o todo o recurso nos primeiros que chegarem! Seja para podemos avaliar alocação de recursos mais justa, seja para identificar valor pertinente para cada tecnologia ou seja para definir qual o orçamento que contempla nossas necessidades reais, a farmacoeconomia entra em campo para auxiliar nesta discussão. Existem críticas como, por exemplo, os vieses ocultos dos pesquisadores e financiadores dos estudos. Com visão atenta e qualificação na análise, estes vieses não invalidam o método. Não é, tampouco, um método de contenção de custos, mas ainda é uma forma de proporcionar uma visão mais técnica sobre o tema.  Vamos imaginar uma balança… daquelas tradicionais e antigas, com prumo (aos mais jovens que nasceram na era digital e não sabem do que eu estou falando, dêem uma conferida no Google….) De um lado da balança vamos colocar ?custo?. Além de deixar claro qual a perspectiva da análise, que pode ser do pagador, do governo, da sociedade…., cabe reforçar um aspecto fundamental: custo não é preço! Todos os custos envolvidos, inclusive valores que são evitados, devem entrar no cálculo através de métodos pertinentes. Do outro lado da balança, está a ?efetividade?. Vamos simplificar um pouco (até porque dá para ampliar este assunto no futuro) e vamos visualizar este lado da balança com o ?efetivo? traduzido para ?desfecho?. Já posso calcular  ?custo? ? numerador – para obter determinado ?desfecho? – denominador. Agora vamos colocar nomes nestes termos e tentar avaliar quando gasto para mudar determinado desfecho. Este desfecho pode ser, como tradicionalmente se usa, 1 ano de vida.  Começa a ficar mais claro: quanto vamos gastar para ganhar 1 ano a mais de vida. Se tivermos a sofisticação de ajustar este ano pela qualidade de vida, com a metodologia adequada, vamos tornar este ano mais representativo e comparável (o que chamamos de quality adjusted life year ou QALY). Um ano em plena qualidade é 1 QALY. Um ano com um câncer terminal não chega a 0,1 QALY (não ou detalhar como se chega neste número, mas existem alguns métodos validados para isso). Os principais debates estão no seguinte ponto: já sei quanto determinada intervenção custa para cada QALY…. mas até que valor é razoável (entenda-se ?custo-efetivo?)?   A Organização Mundial da Saúde (OMS) propõe um valor de 3 vezes o PIB per capita do país para cada ano de vida ajustado por qualidade (QALY) como custo efetivo.  No Brasil este valor seria atualmente algo em torno de U$ 30 mil. Lembrando que se algo custar mais do que este valor, não significa que está errado! Significa que não podemos chamar de custo-efetivo. Os EUA, há décadas, usam o critério estipulado de U$ 50 mil para cada QALY. O valor é o equivalente ao que se gastava  para terapia dialítica anual na época. Se formos corrigir pela inflação este valor deveria ser aumentado para U$ 70 mil,  se usarmos o critério proposto pela OMS, chega a U$ 120 mil. O Reino Unido estipulou aproximadamente U$ 60 mil/QALY como custo-efetivo. Muitas questões seguem abertas! Se perguntarem para pacientes e familiares, a tendência é de se propor um valor  maior. Alguns autores propõe que o valor pago para o Imatinib (Glivec), usado em leucemia mielocítica crônica, sejam um critério simples a ser adotado. As idéias originais de cada um dos critérios, com mais ou menos fundamento, são definitivamente atribuições. Vale reforçar que não existe, valor/QALY certo ou errado. Não é número que o médico vai usar na frente do seu paciente, tampouco uma trave para limitar o teto de incorporações cientificas, mas colocar estes valores lado a lado ajudam muito a definir prioridades e atingir a tão complexa equidade. Talvez o único consenso neste tema é de que o valor  ético de uma vida é infinito. Cabe a nós definir nosso conceito farmaeconômico, de forma que tenhamos um número que traduz quantidade pertinente e sensata para nosso pais.  

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