Referências da Saúde Quem foram os premiados da edição 2016? Confira agora

Qual é o balanço apropriado entre autonomia e supervisão no treinamento de profissionais da saúde?

Publicidade

Casos como o da estagiária de enfermagem que teria causado a morte de uma paciente de 80 anos aplicando café com leite pelo acesso parenteral escancaram a importância da questão. A estudante declarou ao Fantástico que nunca havia injetado qualquer tipo de medicação antes. Em entrevista, contou que, quando percebeu o erro, pensou em pedir ajuda. “Injetei o leite pelo lugar errado. A outra menina que estava do meu lado, ela falou que sabia e que ia me ensinar. Mas não deu explicação nem de que e nem como. Continuou sentada no posto de enfermagem, brincando no celular”, completou, antes de admitir, segundo notícia do G1 Rio, que não tinha preparo para o procedimento realizado sem supervisão.

Qual o papel do hospitalista na educação em saúde contemporânea? Pois estão envolvidos com educação e treinamento na grande maioria dos hospitais universitários nos Estados Unidos e Canadá…

Na próxima quarta-feira, 4 de novembro, Neil Winawer, professor da Emory University School of Medicine e hospitalista, apresentará, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, a conferência ?Modern teaching and mentoring in the hospital? e abordará estas e outras questões. O evento inicia às 11h, no Auditório José Baldi.

O assunto é fascinante e abre oportunidades riquíssimas de debates e discussões acerca das questões trazidas acima, entre outras.

Em seu admirável livro, Complicações, o cirurgião de Harvard Atul Gawande descreve um paradoxo importante do treinamento médico:

?Na Medicina, nos deparamos há muito tempo com um conflito entre o imperativo de dar aos pacientes individualmente o melhor cuidado possível e a necessidade de proporcionar experiência a profissionais em treinamento?.

Estimulado por alguns casos amplamente divulgados de erros médicos que foram devidos, ao menos em parte, à supervisão inadequada (a morte de Libby Zion, no Hospital de Nova Iorque, em 1986, é um exemplo), o modelo tradicional de treinamento durante a residência médica nos EUA – historicamente dominado por uma autonomia exagerada dos alunos pós-graduandos – está dando lugar a algo melhor. Mas qual o ideal??? E o(no) Brasil?

Quem não gostaria de ter o renomado cirurgião chefe, no lugar do residente de primeiro ano, realizando sua colecistectomia? Mas enquanto esse cenário pode ser pontualmente mais seguro, o resultado inevitável seria o de mais médicos mal treinados em médio prazo.

As demandas da prática médica moderna (em particular a necessidade de cobertura 24 horas e nos finais de semana) têm levado ao uso de médicos residentes como mão de obra barata. Apesar de a independência precoce ser justificada pedagogicamente como a necessidade de permitir “que aprendam com seus erros” e afiem seus instintos clínicos, na verdade, muito disso é consequência de outros fatores, como financeiros ou de conveniência. Tradicionalmente, preceptores de medicina se desviam para o lado da autonomia, entendendo que os alunos devem aprender fazendo ? e originando o mantra do treinamento médico “veja um, faça um, ensine um”. O moderno movimento de segurança do paciente reconhece esse paradigma como mais uma das fatias do já popular queijo suíço. Reconhecemos que “aprender com os erros” é fundamentalmente antiético quando está impregnado no sistema, e não é razoável assumir que residentes vão mesmo saber quando precisam de ajuda, em particular se moldados desde a graduação em uma arena que estimula a cultura do “médico poderoso”, aquele que sabe tudo e nunca incomoda seus supervisores ou colegas de trabalho.

Em sua opinião, qual é o balanço apropriado entre autonomia e supervisão?

Publicidade

Notícias como essa no seu e-mail

Faça como mais de 20.000 profissionais do setor de saúde e receba as últimas matérias no seu email.

Deixe uma resposta