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PROGRAMA DE PAGAMENTO POR PERFORMANCE PARA HOSPITAIS REDUZ MORTALIDADE NA INGLATERRA

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Ainda carecemos de publicações a respeito dos resultados encontrados em programas de Pagamento por Performance (P4P). A maioria das publicações que apresentaram resultados positivos até então, demostraram melhorias nos indicadores de processo e poucos em indicadores de resultado. Eu, pessoalmente, considero que melhorar indicadores de estrutura e processo é fundamental para conseguirmos influenciar nos resultados.

Em recente artigo publicado pelo Prof. Matt Sutton no New England Journal of Medicine (Reduced Mortality with Hospital Pay for Performance in England, Nov 8, 2012), ele e seus colaboradores analisaram um programa introduzido no serviço de saúde Inglês (NHS) em 2008. O programa denominado Advancing Quality foi baseado no programa Americano chamado Hospital Quality Incentive Demonstration (HQID), implantado pelo CMS ? Centro que administra os serviços do Medicare e Medicaid nos EUA – em 2003.

Em dezoito meses de duração do programa na Inglaterra, foi conseguida uma redução de 6% na mortalidade (representando 890 mortes evitadas) das internações que estavam contempladas no programa de P4P. A maior redução foi nos casos, já ajustados pelo risco, de pneumonia, no entanto, os casos de Infarto Agudo do Miocárdio e Insuficiência Cardíaca, a redução não foi significativa.

O que chamou a atenção neste estudo foi que no HQID os resultados não trouxeram nenhuma redução da mortalidade. A principal causa discutida por outros autores foi que nos EUA o programa foi implantado para 5% dos hospitais e o incentivo foi de, em média, 2%. Já no Advancing Quality, na Inglaterra, o programa foi implantado para todos os hospitais de uma região e o incentivo médio foi o dobro dos EUA. Além disso, a grande proporção dos hospitais receberam bônus mais expressivos: 25% na Inglaterra contra 10% nos EUA.

Realmente esta análise confirma o que tenho defendido em artigos anteriores: os incentivos, o modelo de P4P implantado e a sua gestão influenciam diretamente no sucesso do programa. Portanto, precisamos ter muito senso crítico quando escutamos autores afirmarem que programas de P4P não funcionam, ou ainda, quando resolvemos implantar modelos de P4P em nossa instituição sem que ele seja baseado em evidências.

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