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Programa de MH do Hospital da Cruz Vermelha, Paraná

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Segunda-feira fui à Curitiba e tive a oportunidade de trocar experiências com o pessoal do Cruz Vermelha. Convidado pelo hospitalista Paulo Paim, que contou ter sido despertado para o tema em razão do evento que fiz em 2010 (PASHA), o que deixou-me super orgulhoso, passei um dia inteiro no charmoso hospital, oportunidade em que, pela manhã, pude falar para o pessoal da Clínica Médica (atividade voltada para os residentes, sobre erros associados aos cuidados em saúde). À noitinha, em um auditório incrivelmente cheio, em atividade multidisciplinar e com participação ativa do pessoal da alta gestão, apresentei sobre Medicina Hospitalar e alguns resultados de meu mais recente projeto, no Hospital Divina Providência, de Porto Alegre. Durante todo o dia em visita ao hospital, e no debate relacionado a esta última atividade, pude aprender muitas coisas. Retornei com ideias valiosas para eventualmente aplicar na minha instituição.

Levei informações sobre como iniciamos e desenvolvemos o Programa de MH do Divina Providência, além de apresentar alguns resultados impactantes do serviço: os hospitalistas foram capazes de reduzir em 34% o tempo de permanência das admissões “clínicas”. Nossa receita média/dia, bem como a receita por leito/mês, são significativamente superiores ao modelo tradicional. Mas em outra oportunidade apresentarei melhor estes dados, fiquei mesmo é encantado com o Programa de MH de Paulo Paim.
O Hospital da Cruz Vermelha é um hospital geral de alta complexidade. Atende diversos convênios e também pacientes SUS. Os hospitalistas atuam em pacientes da saúde suplementar apenas – por enquanto. São assalariados, contratados pelo hospital especialmente para a atividade fim. A alta direção entende bem a importância deles não serem apenas “tocadores de pacientes”, valorizam o trabalho cognitivo e não oferecem leitos/hospitalista além do possível para que uma medicina segura e humanizada possa ser considerada. Os hospitalistas atuam como coordenadores do cuidado e há toda uma rede de sub-especialidades disponível – composta por pareceristas, que igualmente não ganham por produção. Destaco a atuação do grupo de hospitalistas em paliativismo, liderando projeto multidisciplinar bastante interessante.
A característica que mais chamou-me atenção positivamente foi a satisfação dos médicos. Há no grupo uma única aspirante à sub-especialista, que está considerando fortemente ficar “só na Clínica Médica”! Havia brilho nos olhos daqueles generalistas!
Eu e Paim percebemos várias semelhanças entre nossos projetos. Os hospitalistas no Cruz e no Divina iniciaram mais ou menos juntos (há cerca de 1 ano). Já trouxemos inúmeras vantagens para nossas organizações, mas ambos reconhecemos que às custas, ainda, do que cunhamos “hospitalistas 1.0”. Versão onde os resultados ainda são muito atrelados ao trabalho à beira de leito – não necessariamente por melhores médicos (e que isto fique claro, para não desvalorizar os clínicos tradicionais) – mas em razão do posicionamento médico viabilizado pelo modelo. Nossos resultados ainda são pouco relacionados a iniciativas avançadas de “quality improvement” por exemplo, o que queremos ocorra em 2015. Para tal, precisamos que nossos hospitalistas se aventurem ainda mais em atividades de qualidade e segurança, desenvolvam e aprimorem competências não-clínicas, tornando-se “hospitalistas 2.0”. Imaginem onde poderemos chegar!
Está tudo correndo dentro do planejamento feito lá na minha largada. Eu apenas ainda não tinha considerado denominar de 1.0 e 2.0 os hospitalistas, a partir do tipo de trabalho desenvolvido. Assunta-me pensar onde colocaremos o tempo de permanência no meu hospital com iniciativas que já estão no forno e irão bombar no próximo ano.
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