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Precisamos incluir a saúde financeira nos programas corporativos de saúde e recursos humanos

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A maior pesquisa global
sobre bem-estar acaba de divulgar seus últimos resultados. O “Global Well-Being
Index” é uma iniciativa de duas empresas internacionais, Gallup e Healthways e
visa ser um barômetro das percepções individuais do bem-estar no mundo todo. As
organizações definem bem-estar como a maneira como as pessoas pensam e vivenciam
o dia-a-dia e sabe-se que isso está relacionado à produtividade e custos em
assistência médica, pois pessoas com altos níveis de percepção de bem-estar são
mais saudáveis, produtivos e resilientes diante dos desafios cotidianos.

A pesquisa já fez mais 1,25
milhões de entrevistas em mais de 160 países desde o seu início em 2005. O
Global Well-Being Index inclui cinco elementos de bem-estar: (1) Propósito – o que
você faz todo dia e o quanto está motivado para atingir os seus objetivos (2)
Social – relações afetivas e de suporte na vida (3) Financeiro – gerenciamento sua
vida financeira para reduzir o stress e aumentar a sua segurança para o futuro
(4) Comunidade – conexão com o local onde vive, sentir-se seguro e estar
integrado à comunidade (5) Físico – ter boa saúde e energia suficiente para as
atividades diárias. Estes elementos são avaliados e classificados em três categorias:
(1) vivendo próximo de sua plenitude (2) com dificuldade (3) sofrendo.

Globalmente, apenas 17% da população
está vivendo na plenitude em três ou mais elementos. A categoria em que as
pessoas têm melhores índices é o comunitário. Os respondentes com maior nível
educacional, que estão casados ou com relacionamento estável são os que possuem
o maior percentual de respondentes com três ou mais elementos em que vivem em
plenitude.

Com relação ao Brasil, o
melhor indicador foi o social, em que 52% dos respondentes estavam no melhor
indicador, estando semelhante ao conjunto das Américas. O percentual de brasileiros
que relataram estar no melhor nível do indicador propósito (45%) foi superior
ao dos outros países da região. A pesquisa revela que 49% dos respondentes que
estão empregados relatam estar vivendo em plenitude o indicador propósito, em
comparação com 39% dos não empregados. Este é um dos sinalizadores de
engajamento no trabalho que é um dado positivo.

Com relação ao indicador de
bem-estar comunitário, cerca de 41% estão no nível superior da escala, mas
constatou-se que os moradores em regiões urbanas possuem duas vezes mais
possibilidade de estar “sofrendo” nesta dimensão do que os habitantes na zona
rural.

O pior indicador no Brasil
foi o relacionado ao bem-estar financeiro. De acordo com o relatório este
indicador está baixo de maneira alarmante. As mulheres (46%) têm chance de
estar sofrendo nesta dimensão em relação aos homens (36%). Cerca de 41% dos
brasileiros relataram estar no pior estágio do bem-estar financeiro, em
comparação com 29% no continente e 25% no mundo como um todo.

O bem-estar financeiro não
está somente relacionado à renda. As pessoas que conseguem gerenciar melhor as
suas finanças, conseguem ter acesso a coisas que gostam, doar recursos para
causas comunitárias, usar recursos e tempo para atividades sociais e estar mais
tranquilo em relação ao futuro. As pessoas que têm altos níveis de bem-estar
financeiro têm menos stress, adoecem menos e têm menos doenças crônicas. No
entanto, muitas vezes, as pessoas são induzidas a consumir demais, se endividam,
não poupam e, consequentemente não conseguem fazer coisas que gostam e que
trazem bem-estar, como atividades de lazer, cultura ou social.

Neste contexto, devemos
considerar:

De acordo com a organização “Personal Finance Employee Education Foundation”, o número de
americanos
que conseguem lidar “bem” com suas finanças caiu significativamente de
42% para 24% entre 2006 e 2012;

 De acordo com um
estudo de 2009 intitulado
“Trabalhos de Pesquisa: Parcerias em prol da Saúde Mental
no Ambiente de trabalho
”, o dinheiro representa uma fonte significativa
de estresse para 81% das pessoas,
enquanto a economia ficou em segundo lugar, com
80%
, o trabalho representando
67%, problemas de saúde
familiar representando 67%
, e gastos com habitação, 62%.

Uma
pesquisa da Associated Pressão Health Poll  intitulada “Estresse oriundo de dívidas:
o impacto do dinheiro em nosso corpo
” mostrou
que 39% das pessoas com altos níveis de estresse têm problemas com
insônia/sono.
Em segundo lugar, está
a alta pressão sanguínea, para 33% dos respondentes. Acima de ¼ (27%) dos
respondentes relataram úlceras estomacais. Mais que a metade (51%) relatou
dores musculares e dores nas costas, enquanto que 29% disseram sofrer de
ansiedade extrema e outros 23% sofrem de depressão grave. Enxaquecas e dores de
cabeça também foram relatadas como problemas presentes no dia a dia de 44% dos
respondentes.

 Em várias partes do mundo,
as empresas possuem programas de gestão financeira pessoal, com orientação
profissional, acompanhamento e suporte. Ajudam os colaboradores a constituírem um
fundo de reserva pessoal, contribuírem para a previdência complementar e não se
endividarem demais. Oferecem incentivos para esta adesão e incluem esta ação
nos programas de qualidade de vida. No Brasil há poucas iniciativas e que têm
caráter pontual. Os dados apresentados por esta pesquisa ressaltam a
importância de incluir este tema nos programas de saúde, recursos humanos e
qualidade de vida no ambiente corporativo.

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