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Por que os “hospice care” vão crescer em número de leitos no Brasil?

Créditos: - shutterstock
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Historiadores acreditam que os “hospices”, ou “hospices care”, tiveram seu início no ano 1065, contudo sua forma atual foi marcada pelo trabalho da enfermeira Cicely Saunders com a abertura em 1967 do St. Christopher’s Hospice, na Inglaterra. No Brasil, tal termo tem sido cada vez mais usado e de maneira geral designa unidade de assistência médica dedicada a cuidados paliativos ou local destinado a pacientes submetidos a cuidados prolongados (crônicos, terminais etc.)… inclua-se também a malfadada designação de paciente “fora de possibilidade terapêutica”.

Por mais que “hospice” seja termo novo no vocabulário de muitos e no exterior tenha significado ainda mais amplo, as unidades assistências dedicadas aos cuidados paliativos já existem há muitas décadas no Brasil. Vide o Dr. Francisco Domenici Neto que iniciou seu trabalho em cuidados paliativos há mais de 40 anos anos atrás e algumas entidades como a ANCP, Associação Brasileira de Cuidados Paliativos, unidades do INCA etc. Aliás, temos excelentes profissionais no Brasil.

Qual a novidade, então?

 

St. Christopher's Hospice na Inglaterra.

St. Christopher’s Hospice na Inglaterra.

Acontece que o uso destas instituições no setor privado está crescendo exponencialmente devido à recente viabilidade econômica e à moderna abordagem do que são os cuidados paliativos. Isso não é novidade nos EUA, pesquisa publicada no JAMA, The Journal of The American Medical Association, em 2013 apontou o aumento significativo do uso de “hospices” de 2000 a 2009.

Ainda hoje, pacientes crônicos ou terminais ficam residentes em hospitais gerais, porém, nas últimas décadas, muitos conseguiram ir para casa com as facilidades criadas pelo “home care”, ou cuidados em domicílio. Entretanto nem todos podem ficar em casa e a grande maioria dos hospitais ainda não está preparada para cuidados paliativos.

Em alguns casos estes pacientes de cuidados paliativos eram transferidos para hospitais de retaguarda e para algumas poucas clínicas especialistas em pacientes crônicos e terminais. Todavia nos primórdios somente o setor público cobria está hospitalização e eram extremamente escassas as unidades do setor privado pelo seu alto custo ao paciente e familiares.

Nas últimas décadas, devido à expansão do acesso a planos de saúde a milhões de brasileiros, a situação dos residentes em hospitais se agravou e a ocupação elevada dos hospitais levou pacientes e hospitais a buscar alternativas. Finalmente o setor privado, planos de saúde e hospitais, conjuntamente com seus pacientes, começaram a dar maior atenção à ideia de deixar o hospital e se instalar em unidades dedicadas aos cuidados de doenças crônicas e/ou terminais.

 

Parte da equipe da Premium Care em São Paulo.

Parte da equipe da Premium Care em São Paulo. Cuidados vão da reabilitação até a longa permanência.

Com as mudanças, são agora os planos de saúde privados que usualmente cobrem as diárias e assim mais e mais novas unidades dedicadas aos cuidados paliativos são abertas. Esta nova viabilidade econômica tem propiciado o melhor posicionamento do “hospice” no sistema de saúde do país, como foi com o “home care” uma ou duas décadas atrás.

Mas não para por aí, além de mais leitos, a outra novidade é que o que se entendia por cuidados paliativos está se ampliando enormemente. O conceito destes cuidados tem evoluído para algo cada vez mais holístico que vai além de entender muito bem como se cuidam de escaras e transcende a estabelecer estilo de vida para cada paciente nestas unidades. Mais que tratar pacientes, estes passam a viver nestas instalações de maneira mais verdadeira e digna.

**As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da Live Healthcare Media ou quaisquer outros envolvidos nesta publicação

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