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Por que exames periódicos nas empresas são pouco efetivos ?

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As doenças cardiovasculares se constituem na principal causa de morte na maioria dos países, inclusive no
Brasil. Sabe-se que fatores como obesidade, hipertensão arterial, tabagismo, colesterol e glicose no sangue elevados aumentam o risco de doenças cardiovasculares. Por outro lado, o estilo de vida é componente importante neste quadro. Por exemplo, as pessoas ativas melhoram o seu perfil lipídico, com redução nos níveis de colesterol, controlam melhor o seu peso corporal e os níveis pressóricos.

Um estudo bastante relevante publicado na prestigiosa revista Journal of Occupational Environmental Medicine
em 2014 analisou a importância da avaliação de fatores de risco para doença cardiovascular em trabalhadores de uma indústria. Os autores ressaltam que o ambiente de trabalho se constitui num ambiente óbvio e sub-utilizado para a atenção à saúde no Reino Unido e os trabalhadores (principalmente da indústria) são pessoas “difíceis de atingir” porque eles não buscam os serviços de atenção primária durante os dias de trabalho. Mas, ressaltam também que o ambiente de trabalho é uma opção atrativa porque muitos adultos de diferentes condições sócio-econômicas, estilos de vida e perfil de risco podem ser atingidos de uma vez.

Considerando-se que, em geral, os homens são menos predispostos que as mulheres a buscar as avaliações de saúde, as consultas preventivas ou participar de eventos educativos em saúde, o espaço de trabalho tem o benefício
potencial de atingir os profissionais de ambos os sexos.

Este estudo acompanhou trabalhadores de uma indústria siderúrgica e convidou os trabalhadores para uma avaliação inicial com um enfermeiro por 30-40 minutos. Aqueles que apresentavam risco de doença cardiovascular superior a 20% em 10 anos, intolerância à glicose, obesidade ou circunferência abdominal elevada foram convidados a participar de um programa de 8 semanas sobre estilo de vida com abordagem multiprofissional.

O estudo observou que mais de 81,5% dos trabalhadores tinham sobrepeso ou obesidade, mais de 20% tinham hipertensão diastólica ou colesterol elevado. Mais de um quarto dos trabalhadores tinham risco aumentado de doença cardiovascular em 10 anos.

No Brasil, também observamos que o ambiente de trabalho não tem sido considerado um espaço relevante para a
atenção à saúde e, por várias razões, o trabalhador procura pouco a atenção primária à saúde, nas unidades disponíveis na comunidade. Há, inclusive, uma incompatibilidade entre os dias e horários disponíveis pelos trabalhadores e a agenda de funcionamento das unidades de atenção primária.

Deste modo, buscar realizar o rastreamento dos fatores de risco para doenças cardiovasculares, inclusive para as pessoas assintomáticas é importante para a adoção de medidas preventivas e de tratamento precoce. Neste contexto, os exames periódicos de saúde se constituem numa ferramenta muito importante. As empresas já realizam investimento para estes exames, bastando apenas realizar a estratificação para diferentes grupos de risco, realizar um feedback educativo para os participantes e oferecer um programa bem estruturado para as pessoas de maior risco.

Para que este desafio seja superado é necessário, inicialmente, que os profissionais sejam capacitados a atuar efetivamente nesta ferramenta, que sejam utilizados instrumentos efetivos para a gestão dos programas realizados e que haja integração com o sistema assistencial, público ou privado.

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