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Por que o câncer do cigarro nos assusta menos que o do presunto?

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Os consumidores de bacon, linguiça,  salsicha, presunto e outras carnes processadas receberam uma péssima notícia no final do mês passado, quando a Organização Mundial da Saúde divulgou um relatório que colocou este grupo de “alimentos” no topo da lista de produtos que podem causar câncer no intestino, dividindo a mesma classificação na qual já estavam itens de reconhecido efeito nocivo à saúde humana, tais como o amianto e o tabaco.

Mas, além da infelicidade aos apreciadores de hot-dogs, a notícia teve um efeito interessante: comerciais destes produtos desapareceram da grade das redes de televisão e até apresentadoras que, antes, eram garotas-propaganda de marcas do setor suspenderam, ao menos temporariamente, a vinculação de sua imagem com os produtos malvados da vez.

É óbvio que ninguém quer ser reconhecido por incentivar o consumo de um produto mata, o que bem explica a atitude dos meios publicitários a partir do estardalhaço feito. Mas o que chama a atenção é que este comportamento não é tão ostensivo quando falamos de outros produtos tão ou mais responsáveis por mortes de brasileiros.

Dados do Ministério da Saúde apontam que em 2013 a principal causa de morte no país, totalizando cerca de 100 mil óbitos, foram as doenças cerebrovasculares (AVC’s), cujos principais fatores de risco são o fumo, o consumo de bebidas alcoólicas, a hipertensão arterial e a obesidade.

Isto , no entanto, não impede que diariamente sejamos bombardeados por peças publicitárias que nos oferecem álcool (lembra do Verão?), cigarros em estandes no caixa da padaria ou lanches que causam arrepios em qualquer nutricionista, promovidos por palhaços coloridos que tentam convencer nossos filhos de que eles devem “amar tudo isso”.

Por que as redes de TV e suas celebridades não se sentem constrangidas em participar de campanhas nas quais se alardeiam os “benefícios” da cerveja? Por que aceitam, em eventos esportivos, o patrocínio de produtos que não poderiam estar mais distantes do ideal da saúde física? Por que nós não damos um basta à promoção da morte socialmente aceitável?

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