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Passo a passo para lidar com o orgulho negativo na saúde

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Lidar com o orgulho negativo (aquele te faz se achar melhor que o outro, que compara, julga, separa) não é uma tarefa fácil. Mestres espirituais dizem que esta é a última coisa que largamos antes da realização de si mesmo. No filme ?Advogado do Diabo?, a vaidade (filha do orgulho) é dita como o pecado preferido do comandante do lado negro da força. Entretanto, como ir além dele, pois o vejo em todos os homens e mulheres ?normais?, bem como em mim mesmo? Os dois grandes primeiros passos são: 1) reconhecê-lo; e 2) querer ir além dele. Obviamente que é necessário fazer mais do que isso, mas se já é difícil individualmente, como fazer em uma empresa de saúde?

A vontade de escrever este artigo veio de uma excelente pergunta que eu recebi de um profissional da área de qualidade na saúde que sente grande dificuldade de sensibilizar os gestores para o que ele chamou de “terceira dimensão dos fatos e acontecimentos?. Segundo ele, para os gestores ?todo esse discurso parece algo surreal, que fica pairando no ar, mas que nunca desce para o plano da realidade?. Ele registra ainda que tem conseguido sensibilizar pessoas com esse discurso em outros contextos, mas isso não ocorre na saúde, e pergunta como “romper” esse bloqueio na vida da empresa.

Reconheço que na área de saúde há uma dificuldade adicional para a compreensão e aceitação deste tema. Eu o atribuo a uma estrutura egóica mais rígida, particularmente da maioria dos médicos (que influenciam todo o setor e geraram o que posso chamar de uma cultura da área), fruto de um real poder sobre as pessoas (afinal, todos temos medo de morrer e de certa forma dependemos dos profissionais deste setor). Cuidado ao ler esta parte, pois achar que o médico é o culpado, além de não resolver nada, significa que o orgulho e a falta de auto responsabilidade estão agindo.

Romper este bloqueio não é algo fácil e depende da disponibilidade e abertura das pessoas, enxergando a sua auto responsabilidade. Entendo que o primeiro passo é utilizar uma ferramenta de assessment (mapeamento) para conhecer onde o grupo está e depois entrar com ações cuja profundidade depende do resultado deste diagnóstico inicial. Muitas vezes o trabalho começa com uma sensibilização, mostrando a existência da relação causa efeito na vida da pessoa, para depois chegar na empresa. Também se pode usar o tema da ética para facilitar a compreensão. Aqui não tem uma fórmula padrão. Depende sempre do grupo, de sua maturidade, de seu momento. Há muitas conexões deste ponto com outros temas, como trabalho em equipe, atendimento, engajamento, processos etc.

Um ponto fundamental é a visão da liderança. Ela costuma ser o foco inicial do trabalho. O líder de todo o processo deve estar fortemente comprometido com esta mudança e seu exemplo real pode ser um dos alicerces para uma transformação cultural. Um trabalho de coaching ou mentoring pode ser necessário, inclusive indicação de terapia.

Na maioria das vezes, todo trabalho se inicia sem citar que estamos trabalhando com o orgulho, se não o ego se arma e tudo fica muito mais difícil. Somente quando a pessoa sente que dá para ir além das defesas e confiar (nem que seja um pouco), se abrindo para que o seu melhor venha para fora, é que há uma oportunidade de mostrar e de se mudar a escolha. O orgulho, como tudo, é sempre uma questão íntima de escolha da pessoa, seja consciente ou inconsciente.

De maneira geral, a velocidade deste trabalho é lenta, pois as pessoas vão se abrindo aos poucos. E não adianta querer fingir que já se chegou lá (pois será o orgulho atuando via uma falsa imagem). Entretanto, é uma alegria ver quando ocorre uma transformação e as atitudes das pessoas mudam.

Escolher entrar nesta batalha não é fácil. Ouço coisas como ?ainda não é a hora?, ?temos outras prioridades? ou ?a empresa não tem nada a ver com isso, pois este é um problema de cada um?. Se você já conseguiu ir além destas desculpas e percebe a dimensão da questão, experimente usar os passos acima. Não se esqueça que é fundamental ter um ?sponsor? que realmente banque este trabalho. E boa sorte nesta jornada (e aproveite seus enormes benefícios).

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