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Paciente e a impressão de quererem tirá-lo do hospital de qualquer jeito

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Recente postagem de blogueiro médico norte-americano criticando a ?Medicina Hospitalar? deve nos fazer refletir, e pode nos trazer ensinamentos.
Em Unspoken Rule of the Hospitalist: Another Way Medicine is Failing Patients, descreve sua experiência como paciente, tendo sido atendido por hospitalistas. Atentos irão perceber que as mais relevantes críticas são, na verdade, ao sistema de saúde norte-americano.
O colega sentiu na pele a pressão que sofrem os hospitais (e os profissionais que a eles servem) por um tempo de internação o mais encurtado possível, ou uma maior taxa de giro. Foi vítima de uma reinternação provavelmente evitável.
Importante lembrar que, em 1983, o Medicare alterou a forma de pagar por lá. Começaram a fazer por diagnósticos (DRGs: diagnosis-related groups), e não mais por dia. Hospitais passaram a enfrentar enorme pressão para redução de tempo de internação e custos. Outros fontes pagadoras fazem o mesmo.
Em O presente e futuro da gestão de saúde, Eduardo Blay explica melhor o que são DRG´s e suas vantagens como norteadores de pagamento hospitalar, bem como estimula o aproveitamento no hemisfério sul e mostra que já está acontecendo. O fato é que precisamos nos distanciar do muito ruim fee for service.
Quase três décadas depois de adotarem os DRG´s como norteadores de pagamento, os norte-americanos se deram conta de que precisam melhorar, e criaram mecanismos para inibir que a pressão por tempos de internação cada vez menores prejudicasse pacientes. Está para iniciar modelo onde hospitais serão penalizados por readmissões excessivas.
Há um programa no Medicare para redução de readmissão em 30 dias em curso, e uma metodologia para identificar os excessos. Hospitais que forem ?pegos? perderão dinheiro em 2013, e aqueles que não melhorarem sofrerão com progressão da pena até 2015. Nem tudo está sendo resultado de consensos, até porque existem interesses variados em jogo. Lideranças médicas, e muitos hospitalistas, têm se destacado ao trazer a perspectiva de quem faz, na linha de frente, transição do cuidado, quando não atuando como ?advogados? dos pacientes.
No Brasil, acontecendo parecido:
Hospitalistas irão surgir cada vez mais, independente de se organizarem melhor os profissionais dispostos a trabalhar como;
MH: o bom, o mais ou menos, o ruim e o improviso vão se multiplicar, independente da vontade dos médicos e dos pacientes.
Quais seriam as vantagens de um movimento organizado de médicos hospitalistas? Promover educação e treinamento na área? Provavelmente não. Oportunidades já existem, sejam através de eventos de clínica hospitalar, ou de gestão, qualidade e segurança, coisas que já têm de sobra e com bom nível técnico-científico. Ser-nos-ia imprescindível:
1. Troca de experiências, com fomento de rede colaborativa onde o objetivo maior DE TODOS envolvidos fosse aprender;
2. Ao gerar e demonstrar valor e força, justificar presença em todo fórum importante que envolva questões como as trazidas acima, levando então a perspectiva dos profissionais da linha de frente e de seus pacientes (toda reinternação em 30 dias deve ser encarada igual?), algo fundamental para um ajuste razoável do sistema, e, no caso brasileiro, capaz de facilitar atalhos por já se conhecer a experiência norte-americana.
O resultado final deverá ser o mais satisfatório possível para hospitais, fontes pagadoras, médicos e pacientes, restando óbvia a importância da não absoluta hegemonia da perspectiva patronal.
Se o movimento médico-sindical brasileiro ainda não está bem preparado para o debate envolvendo novos modelos de remuneração, seria fundamental os médicos brasileiros conquistarem melhor posicionamento, e lá fora entidades como a Society of Hospital Medicine cumprem este papel, seja diretamente, seja facilitando lideranças entre hospitalistas ou seus reais defensores.

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