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Os velhos impérios têm interesse em mudar o modelo de saúde?

Créditos: dollarphotoclub.com
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No tradicional reino da saúde brasileira os reis de ontem são sempre os primeiros a ignorar a urgência em se fazer uma desintoxicação para valer no modelo de negócio do setor – que de tão viciado parece mesmo é estar “mucho loco”.

Sim, eles parecem acomodados em seus longos reinados conquistados numa época em que as batalhas se faziam apenas com muitas trincheiras, espadas e sangue. E claro, algumas vidas perdidas ao longo do caminho – mas quem se importa?

Vimos surgindo dessa forma impérios empresariais construídos sobre uma lógica onde há sempre um perdedor oficial: o misterioso e multifacetado Pagador das Contas da Coroa (para não citar aqueles coitados que se esfacelam e até mesmo perdem a vida no front).

Mesmo que tenham nos levado a uma situação de quase desespero, ao nos apresentar uma realidade de terra arrasada, continuam enxergando a situação com uma preocupação apenas conveniente; pois pensam secretamente que esse imbróglio é um mal necessário. “Não tem como ser diferente”, repetem em seus raciocínios igualmente viciados.

Sim, eles sabem como ninguém que as formas de se ganhar dinheiro na Saúde ainda são exageradamente baseadas na doença e na receita recorrente produzida pelo rastro do doente.

Trata-se de uma situação infeliz, onde se fatura muito nas batalhas mais sangrentas, com os ganhos aumentando gradualmente a cada avanço da doença na frente de combate. E dá-lhe exames, consultas, remédios, próteses, internações, cirurgias, enfim, um arsenal completo para pagador nenhum botar defeito.

A evidência para a qual parecem não olhar, ou se olham não enxergam – ou se enxergam não entendem – é que as guerras no século 21 devem ser feitas, não de sangue e baionetas, mas de informação, tecnologia e inteligência. Qualquer estrategista profissional sabe disso.

Novas frentes de batalha devem ser abertas, ainda que com isso alguns velhos generais sejam obrigados a rever suas estratégias de negócio.

Não é fácil, eu sei. Numa recente reunião com o principal executivo de uma das maiores empresas de saúde do Brasil, considerada um renomado centro de excelência na América Latina, escutei de sua boca que ele “não estava preocupado em estimular autos cuidados na população, porque ganhava muito dinheiro vendendo tratamentos caros e de grife para a classe triple A”. Ele não deixa de ter razão, pensei. Mas faria mais sentido se, ao invés de Saúde, seu ramo fosse a alta costura. Enfim.

Clodovil à parte, o fato é que hoje não precisamos mais assistir aquelas cenas de desembarques de milhares de soldados debaixo de tiros e explosões, correndo de um lado para o outro tentando salvar o que lhes resta das suas vidas. Ninguém tem mais estômago para isso.

Na guerra moderna temos que colocar a inteligência a nosso serviço para monitorar os movimentos do inimigo. Até porque o inimigo hoje ataca sob a forma de pequenas células e não de grandes epidemias.

Claro que estou falando da utilização de tecnologias como social, mobile e cloud, mas não só isso, também incluindo robótica, assistentes digitais, internet das coisas e tudo que ainda está por vir. E aplicar a tudo isso uma boa dose de criatividade e inteligência para combater o inimigo antes que ele resolva causar um estrago.

Chegou a hora de olharmos para o flanco aberto pela tecnologia pessoal para desenhar estratégias de gestão de saúde populacional que sejam mais assertivas, tanto na hora de fazer a estratificação de grupos, quanto nos momentos críticos em que fazemos intervenções, supervisão e as ações de engajamento em hábitos saudáveis.

Claro, isso tudo deve forçar uma revisão, não apenas da forma de trabalhar, mas também na forma de ganhar dinheiro com a guerra. O uso intensivo de tecnologia e inteligência certamente irá sacrificar aqueles que pensam em seus impérios tradicionais como se fossem vendedores de munição: ganhando mais quando se luta à moda antiga, com batalhas presenciais, consumo ostensivo de recursos e muito sangue.

A revolução digital precisa varrer essa lógica do mapa.

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