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Os Sete Erros da Gestão da Saúde

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A edição de janeiro de 2014 da revista VOCE S/A RH da Editora Abril traz um matéria escrita pela jornalista Nataly Pugliese intitulada ?Os Sete Erros da Gestão da Saúde?.  Foram ouvidos vários especialistas e o ponto de partida foi  a projeção de 13% de reajuste nos contratos corporativos feitas pela Mercer Marsch.  Na opinião da jornalista as empresas continuam ?derrapando em práticas ingênuas que pouco ajudam numa verdadeira gestão de saúde e os programas são criados de forma isolada que beiram o populismo corporativo, mas pouco resolvem o problema de fato?.

Um aspecto importante a ser abordado inicialmente é a distinção do foco escolhido para o programa. Os programas voltados para a saúde dos empregados na empresa, isto é, no ambiente de trabalho devem seguir uma modelagem que envolve aspectos da saúde ocupacional e obrigatoriamente tem que incluir indicadores e métricas relacionadas a produtividade, como o absenteísmo e usar modelos consagrados como o de ambiente de trabalho saudável da OMS. Os programas voltados principalmente para os aspectos assistenciais e que envolvem as operadoras de saúde, consultorias e corretoras têm como principal foco o controle dos gastos com assistência médica. Deste modo, a análise dos ?sete erros? elencados pela matéria deve tornar esta distinção de maneira bastante clara.

Rapidamente, vou elencar os ?sete erros? e alguns comentários sobre estes aspectos:

  1. A terceirização da saúde ? ressalta a importância da empresa se apropriar da gestão da saúde e não repassar esta atividade para terceiros, como corretoras e consultorias. Sem dúvida, trata-se de aspecto bastante importante. Cada vez mais as empresas têm constatado que é estratégico ter trabalhadores saudáveis, engajados, com equilíbrio e isso se constitui num fator de competitividade e não meramente um aspecto de custo a ser gerenciado pela área de benefícios.
  2. Academias, grupos de corrida, etc ? fala sobre o investimento em atividades isoladas, de caráter motivacional e sem integração com um programa realmente estruturado. No ano passado, uma pesquisa da RAND Corporation nos Estados Unidos apontou um retorno do investimento insignificante destas ações. No entanto, mesmo neste país, menos de 10% das empresas possuem programas realmente amplos, que incluem indicadores claros de saúde e estilo de vida e buscam resultados integrados com a assistência médica e a área ocupacional. Da mesma maneira, a gestão destes programas deve ser apropriada pelas empresas, alinhados com as estratégias corporativas e não ser delegado a terceiros.
  3. Falta de metodologia ? de acordo com a matéria, há carência de indicadores e metodologia na construção de uma boa gestão de saúde. Realmente, poucas empresas no Brasil realizam análise sistemática das informações já disponíveis (como o perfil de utilização da assistência médica, dados dos exames periódicos de saúde, informações dos afastamentos médicos, turnover) e fazem o planejamento com metas claras de curto, médio e longo prazo.
  4. Muita informação, pouca comunicação ? o artigo ressalta que ?não basta apenas criar um espaço de saúde na intranet e esperar que seus funcionários acessem e se informem dos programas?.  A maioria dos programas de promoção da saúde e prevenção de doenças  oferecidos pelas operadoras de saúde no Brasil não conseguem adesão suficiente dos grupos-alvo. Neste contexto, realmente o ambiente de trabalho é um espaço privilegiado. No entanto, é importante utilizar todos os canais disponíveis, elaborar atividades de alta qualidade e focar no público a ser atingido. Um resultado somente começa a ser efetivo a partir da participação de 50% da população-alvo.
  5. Coparticipação como salvação ? de fato, a utilização unicamente de instrumentos financeiros (coparticipação, penalidades, incentivos, consumerismo, etc.) tem se mostrado insuficiente para a correta gestão dos programas, particularmente quando falamos de aspectos comportamentais, como mudança de estilo de vida, adesão a tratamentos, autocuidado em saúde. As pessoas precisam sentir que a adesão ao programa melhora o seu bem-estar, a sua qualidade de vida e isso torna a atividade sustentável.
  6. Troca-troca de operadora ? a matéria ressalta que algumas vezes se ?acredita que a nova empresa vai ser o melhor caminho para uma conta saudável?.  A mudança de operadora de saúde, muitas vezes traz dificuldades operacionais e de gestão e somente retarda um novo reajuste pelo aumento da sinistralidade.
  7. Atenção só aos crônicos ? de acordo com a jornalista, há quem acredite que uma boa gestão de saúde significa cuidar somente do grupo de risco. Sem dúvida, um erro muito comum. Tudo começa com a dificuldade de se identificar este grupo, pois as estratégias geralmente utilizadas, como avaliar o perfil de utilização da carteira, são muito falhas. Além disso, muitas vezes se propõe o acompanhamento de um participante após um grande evento, como uma cirurgia de revascularização do miocárdio, ou seja, após ?o leite derramado? onde, em geral, não se seguirá um novo evento de alto custo no médio prazo. Deste modo, é fundamental acompanhar toda a população, buscando a prevenção das doenças, o controle dos fatores de risco, a melhoria dos indicadores de estilo de vida, o acesso a tratamentos eficazes e utilizar de ferramentas modernas de acompanhamento dos participantes que não se restrinja ao telemonitoramento de doentes crônicos.

 

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