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OPME: ?Imprima-os? você mesmo!!

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Em 2012, confesso ter ficado surpreso com a divulgação de um vídeo na Internet que apresentava a incrível possibilidade de em poucos anos estarmos produzindo órgãos, ossos e implnates a partir de uma impressora 3D.

Vejam no link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=UsEtyhy81nA

Eu ainda me recuperava do choque de tentar compreender como um arquivo eletrônico pode ser ?impresso? em outro canto do mundo em forma de um objeto físico e tridimensional, seja ele uma peça de automóvel ou um vaso decorativo.

Já escrevi em textos anteriores sobre minha fé na busca de soluções compartilhadas para uma gestão sustentável de OPME que garanta não só a ampliação dos negócios de hospitais, operadoras, médicos e fornecedores, mas a sobrevivência de toda a cadeia de atendimento. Mas, enquanto assistia ao vídeo não pude deixar de pensar como nossos preparativos para um futuro melhor podem estar encobertos pela névoa do conformismo que, muitas vezes, não nos deixa perceber que o molde atual só serve quando não temos alternativas mais simples e práticas.

Estou certo que os fabricantes de máquinas de escrever, bips ou quem criou o Orkut (para usar um exemplo atual) fez uma série planos de melhoria em seus produtos, pensando em tê-los ainda atrativos para seus clientes em 20 ou 30 anos à frente. E, provavelmente, eles teriam tido sucesso, não fossem as mudanças de cenários causadas pelo computador pessoal, o telefone celular ou o What?s Up ou Facebook.

Naquele vídeo, o que vi cerrando os olhos entre a névoa foi um paciente dando entrada no pronto socorro de um hospital qualquer e sendo atendido por um médico que pediria o seu mapeamento biométrico. Ao constatar a extensão da fratura, do seu próprio smartphone ele encaminharia um formulário eletrônico à administração do hospital e à operadora de saúde requisitando a autorização para o implante de uma prótese de joelho a um custo de R$ 150,00.

Mediante a aprovação em poucos minutos do procedimento, um programa de computador, com a ajuda de um analista de sistemas e das leituras biométricas, criaria as instruções para confecção da prótese, a ser impressa, quase que instantaneamente, no setor de produção de materiais cirúrgicos em 3D.

Custos menores, baixa ocorrência de rejeição, rapidez no atendimento e previsibilidade de gastos são apenas a ponta do iceberg deste cenário que, de bate-pronto, eliminaria a relação com fornecedores, além de criar uma nova matriz de decisões e procedimentos incapazes de serem administrados com a visão que utilizamos hoje para gerir OPME?s.

Talvez o que mais assuste nesta descrição não seja o alto grau de tecnologia ou a forte ruptura do modo como pensamos. O que realmente deve ser motivo de preocupação é a certeza de que, seja qual for o modelo, daqui a 10 ou 20 anos tudo que tomamos como verdade será apenas uma leve lembrança comentada nas festas da antiga turma, como ?histórias de guerra?:

– Você se lembra quando o paciente levava 60 dias para ter o procedimento liberado?

– Lembra quando recebíamos enormes caixas de não estéreis para utilizar um parafuso?

– Lembra quando pagávamos R$ 5.000,00 em uma placa cirúrgica?

– Lembra quando 60% das receitas vinham da venda de produtos?

– Lembra quando tínhamos que fracionar comprimidos e ampolas?

– Lembra quando existia exame de sangue e urina?

– Lembra quando o paciente precisa visitar o consultório para receber um diagnóstico?

 

Entre uma risada amarela e outra, talvez não compreendamos como era possível conviver com aquilo tudo sem perder o humor ou a sanidade. E envergonhados, vamos suspirar um instante para, na sequencia, voltar a fazer planos.

 

Disponível também em www.condutasaude.com.br

 

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