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Obesidade no Brasil: o momento é de ação

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Recentes pesquisas populacionais demonstraram o aumento das taxas de excesso de peso e obesidade em nosso país. O tema também motivou a publicação de uma série de matérias no jornal Folha de São Paulo, bem escritas e coordenadas pela jornalista Natalia Cancian.

No mês de maio foram publicados na Revista Brasileira de Epidemiologia os primeiros estudos do projeto Carga Global de Doença (Global Burden of Disease-GBD) no Brasil, considerando-se os anos perdidos por morte prematura e os anos perdidos por incapacidade (DALYs). Quase 40% da perda de DALYs no Brasil se devem a fatores de risco, com destaque para a dieta inadequada, o excesso de peso e a pressão arterial e glicose no sangue elevados. Ou seja, o comportamento das pessoas se constitui num elemento muito importante e que tem levado a adoecimento precoce, perda da qualidade de vida e custos crescentes para o sistema de saúde.

Com o aumento da expectativa de vida e a queda na mortalidade por doenças crônicas, cada vez mais teremos brasileiros doentes, necessitando de investimentos crescentes do setor saúde. Por isso, a abordagem adequada dos fatores de risco é fundamental, utilizando-os como “marcadores” para as doenças crônicas que advirão (diabetes, doenças cardiovasculares, câncer e doença pulmonar crônica).

De acordo com a última versão da pesquisa populacional VIGITEL, a maioria dos homens (57,7%) e das mulheres (50,5%) está com excesso de peso, sendo que quase 20% dos homens e 18% das mulheres são obesas. O mesmo quadro é visto na saúde suplementar pois a pesquisa VIGITEL SAUDE SUPLEMENTAR mostrou aumento das taxas de excesso de peso e obesidade ao comparamos as duas últimas edições.

Especificamente no que se refere à obesidade, é impossível negar o enorme peso dos determinantes sociais de saúde, como a educação, a renda, o acesso a alimentos saudáveis sem falar no peso da propaganda e da penetração crescente dos alimentos ultraprocessados. Naturalmente, a abordagem destes fatores exige uma mobilização da sociedade e a mudança das políticas públicas.

Frequentemente, o tema é abordado no sistema de saúde privado somente quando se discute a questão da cirurgia bariátrica. Neste momento, volta-se a discutir o procedimento, como regulá-lo (ou não), modelos de remuneração e a interminável discussão entre prestadores, pagadores e consumidores. No que se refere à prevenção ou à abordagem do excesso de peso, as ações, em geral, são pontuais, apenas informativas (como palestras, folhetos ou mensagens em sites na internet) com baixa adesão e engajamento do público-alvo.

O enfrentamento da questão exige a integração de diferentes “stakeholders” para uma ação conjunta. Como este intuito, a Agência Nacional de Saúde Suplementar  reuniu sociedades médicas, universidades, conselhos profissionais, entidades de empregadores, ONGs, o Ministério da Saúde e operadoras de saúde para a criação de modelos lógicos de abordagem que possam ser utilizados em toda a cadeia da saúde, incluindo os consultórios médicos, as clínicas especializadas, os hospitais e as unidades de atendimento multiprofissional. Serão produzidos materiais com dois focos centrais: a prevenção e a abordagem precoce do excesso de peso e o tratamento da obesidade baseado em evidências científicas. O produto deste trabalho será lançado pela ANS até o final deste ano, em uma oportuna iniciativa que poderá permitir ações de cuidado em saúde, com escala e efetivas.

 

 

 

 

 

       
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