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O Usuário e o Gestor do Sistema de Faturamento Hospitalar

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Já citei aqui algumas vezes o projeto S4SP do Governo do Estado, que está implantando o mesmo sistema em todos os hospitais públicos da administração direta – projeto que tenho a honra de participar, infelizmente apenas em alguns momentos e não mais intensamente.

O objetivo maior do projeto é culminar com a unificação do prontuário dos pacientes atendidos por estes hospitais, e há anos tenho previsto algumas coisas boas que estão acontecendo, evidentemente não porque sou alguma espécie de guru, astrólogo, especialista em horóscopo numerologia ou ciências ocultas … mas porque não existe nada mais óbvio.

Neste comentário não vou entrar no mérito dos benefícios que o governo e a população terão quando os prontuários estiverem totalmente unificados – na minha terra alguém diria que isso é “chover no molhado”. Vou falar sobre o aumento de faturamento que estes hospitais já estão experimentando em consequência do projeto.

Sim … pra variar vamos falar de dinheiro !

Comentei algumas vezes que um dos grandes impactos de se implantar o mesmo sistema em todos os hospitais seria financeiro: redução de custos e aumento de faturamento. Sempre citei (pode consultar o histórico deste blog se quiser perder tempo para conferir se é verdade) que não importa qual o sistema escolhido, que todos os sistemas que conheço “sobram em funcionalidade” em relação ao que os hospitais necessitam em relação aos seus processos básicos, e que o faturamento hospitalar sem sistema e processos padronizados funciona “no escuro” … “às cegas”.

Neste início de ano fiz um estudo sobre a evolução do faturamento de alguns hospitais que fazem parte do projeto, QUE AINDA NÃO IMPLANTARAM COMPLETAMENTE O MÓDULO DE FATURAMENTO DE BPAs, E NEM COMEÇARAM A IMPLANTAR O MÓDULO DE FATURAMENTO DE AIHs e para surpresa dos próprios gestores do projeto, e absolutamente nenhuma surpresa para mim, constatamos que no período de 1 ano (apenas 1 ano):

Em um dos hospitais foi registrado aumento de 58 % no volume de BPAs geradas, com aumento de 275 % no valor médio mensal faturado. Não se enganem, não é 2,75, ou 27,5 – é 275 %;

Em outro hospital foi registrado aumento de 23 % no volume de AIHs geradas, com aumento de 51 % no volume de itens lançados em AIHs.

O que citei aqui várias vezes é que só o fato de padronizar os processos, implantar adequadamente o sistema de atendimento e capacitar os envolvidos já é suficiente para melhorar a performance financeira dos hospitais – e a prova está aí: os números não mentem.

Isso é exatamente o que o governo está fazendo:

  • Implantando um sistema único
  • Resistindo bravamente em ficar alterando o sistema porque alguém diz “que o relatório não serve” (ou “customizando”, como os técnicos adoram dizer pensando que é chique”)
  • E simultaneamente capacitando os envolvidos.

Os hospitais do projeto que menos avançaram são os que resistem em mudar o seu sistema anterior. Dizem que tiveram muito trabalho para implantar o anterior (o que é verdade) e que o sistema novo não atende (o que não é verdade – pode até ter um fundo de verdade em uma ou outra funcionalidade), e produzem uma série de relatórios para demonstrar falhas. E não aproveitam todas as oportunidades do projeto porque não conseguem quebrar o paradigma de avaliar todos os prós e contras antes de se posicionar.

Minha participação pontual no projeto aconteceu produzindo diagnósticos de implantação, estudos e treinamentos. Treinei tanto a equipe de implantação em informática e processos hospitalares, quanto funcionários de hospitais em faturamento SUS, e posso dar como testemunho algumas coisas muito “engraçadas”:

  • Nos cursos para equipe de implantação havia um discurso de que o sistema só seria implantado nos hospitais onde o diretor mandasse, e obrigasse os médicos a usar o sistema. Só depois dos cursos e de alguns meses de implantação eles acreditaram no que eu dizia: o sistema será implantado mais facilmente onde vocês ganharem os funcionários, mostrando para eles as vantagens – se os “funcionários comprarem” é muito difícil “o diretor não querer pagar”;
  • Nos cursos para funcionários havia desconfiança de que ninguém de fora poderia saber mais de faturamento SUS do que eles que trabalham com isso há mais de 20 anos. Somete depois que eles fizeram exercícios que abrangem integralmente os 8 capítulos da Tabela Sigtap é que declararam que nunca haviam recebido treinamento e que descobriram coisas sobre a Tabela que nunca tiveram oportunidade de aprender em curso, porque aprenderam sempre na prática. Cheguei a “blogar” que mais de 82 % deles nunca tinha feito curso sobre a Tabela Sigtap, lembra ?

Este cenário que descrevi demonstra que este projeto transformou usuários do sistema de faturamento em gestores de faturamento !

No início eles eram usuários. Esperavam a equipe de implantação dizer o que eles deveriam parametrizar, recebiam o treinamento nas funcionalidades do sistema e executavam.

Com a evolução da implantação tornaram-se verdadeiros gestores de faturamento: dizem para equipe de implantação o que necessitam, aprendem a parametrizar de acordo com a necessidade do seu hospital … e os resultados são estes dos exemplos que comentei acima: não um “aumentinho de faturamento” – “um tremendo aumento” !!!

       
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