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O trailer: uma lenda urbana sobre a informatização de Compras

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Em 2000, o americano Merv Grazinski comprou um trailer da marca Winnebago. Na sua primeira viagem, a uma velocidade de 100 km/h, ele acionou o piloto automático do veículo e deixou o assento do motorista para preparar um café na parte de trás do motorhome.

Como era de se esperar, o trailer saiu da estrada e capotou, gerando alguns ferimentos em Merv e uma indenização de quase US$ 2 milhões, paga pelo fabricante que não deixou claro no manual do produto que aquela ação não poderia ser feita pelo motorista.

Apesar de falsa, a história se tornou uma lenda urbana da Internet, a ponto da própria Winnebago reservar um espaço permanente em seu site para desmentir os acontecimentos. Veja no link abaixo, em ?Internet Urban Legends?:

http://www.winnebagoind.com/contact/

Gostaria de utilizar esta fábula dos tempos modernos para ilustrar um dos aspectos que mais prejudicam a exploração plena do potencial de geração de resultados da área de Compras: a credulidade absoluta na tecnologia como forma de garantia de perfomance.

A eficiência operacional das atividades de aquisição nas instituições da saúde evoluiu a passos largos nos últimos anos, em parte impulsionada pelo avanço do uso de sistemas informatizados de gestão corporativa. Mas, com o crescimento da percepção estratégica de Compras, surgiram também instrumentos específicos para área que contribuíram significativamente para todo o processo de reposição de produtos, desde a identificação da necessidade, passando pela cotação, até o monitoramento dos fornecedores.

É incrível pensar que há menos de 15 anos a atividade de compra era realizada basicamente através de documentos físicos (com mapas de cotação artificialmente ampliados, colando-se um formulário no outro), contatos telefônicos (somente com linhas fixas e aparelhos de disco), páginas amarelas e caderninhos de contatos.

Deveríamos ser bem mais agradecidos pelas facilidades contemporâneas. Hoje, com alguns poucos toques de botão, é possível pesquisar preços entre fornecedores de todo o país, confirmar ordens de compra sem entrar na fila do fax e buscar histórico de cotações anteriores sem sairmos totalmente empoeirados do arquivo morto.

No contexto atual, era de se esperar que o perfil dos compradores modernos mantivesse características mais analíticas, priorizando as ações para o desenvolvimento de alternativas de abastecimento, projetos de redução efetiva de custos internos e melhoria no nível de assistência e satisfação nas relações comerciais. Afinal, a eficiência operacional deveria ter como objetivo a diminuição do esforço com rotinas puramente administrativas em prol de uma atuação mais estratégica de Compras.

Entretanto, quando os gestores das instituições passaram a aceitar a contratação destas soluções específicas, eles se preocuparam mais com os aspectos de controle do que com os critérios de ampliação de resultados que seus usos poderiam gerar. Na verdade, muitos consideraram que a aplicação de instrumentos eletrônicos, por si só, já seria o ponto definitivo para o sucesso da atividade de Compras, transferindo aos profissionais do setor um papel de meros operadores das ferramentas ou ?tiradores de pedidos?.

É sempre bom lembrar: ferramentas eletrônicas não compram nada. Elas apenas são veículos facilitadores para que as habilidades e competências profissionais se desenvolvam em um ambiente mais organizado e ágil.

Se a empresa não tem pessoal respaldado a executar suas tarefas com foco nas metas corporativas financeiras e assistenciais, de forma estratégica, a informatização pode até corrigir erros crassos e trazer resultados rápidos e consistentes, oriundos da simples melhoria do processo. Entretanto, eles são apenas a ponta do iceberg de tudo aquilo que pode ser conquistado por uma equipe de compradores capacitados.

É um grande problema dos executivos se contentar com os resultados primários obtidos pela tecnologia. Erro que, muitas vezes, podem colocar a instituição em uma espiral de conformismo que pode comprometer a sobrevivência do negócio.

Vamos pensar em Merv Grazinski como um comprador, seu trailer como a gestão de Compras que executa, o piloto automático como as ferramentas eletrônicas utilizadas na condução do veículo e a estrada como o mercado da saúde.

Olhando adiante, que tipo de caminho você visualiza: infinitamente reto e liso ou cheio de curvas e precipícios?

Agora decida: parece uma boa hora para tomar o café?

 

Disponível também em www.condutasaude.com.br

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