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O SABER SEMPRE É VÁLIDO; BENEFÍCIO QUANDO APLICADO

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Protocolos Médicos e Diretrizes, produtos da Medicina Baseada em Evidências, buscam atender populações definidas de pacientes, através de padronizações de métodos diagnósticas e de processos terapêuticos, com os melhores resultados comprovados e mensuráveis, dentro dos recursos possíveis e controlados.

A evolução do conhecimento científico inexoravelmente passa por um intervalo de tempo para ser aplicado, ou seja, para chegar ao nosso cotidiano. O processo tem início com a geração das hipóteses e formulação de teses, confirmação com estudos científicos e ensaios clínicos, seguido do período necessário à disseminação do saber. Este tanto pode ser muito rápido, considerando a internet e os centros de referência, quanto lento, onde existirem desde deficiências de acesso até de estrutura física para a viabilização da prática.

Na área da saúde vivemos um momento fantástico, onde está instituído, como postura coletiva, que Diretrizes e Protocolos devem ser observados, incluindo a aceitação como grupo multidisciplinar, uma vez que a formação e rigor científicos permeiam as mais diversas áreas profissionais correlatas.

O gestor de uma instituição de Saúde, geralmente o Diretor Clínico, engajado em programas de qualidade e objetivando melhoras nos controles e mensurações em termos de qualidade do atendimento e dos custos diretos e indiretos de cada conduta, encontra, porém, uma diferença entre a aceitação conceitual manifestada pelo seu corpo clínico e a real aplicação de um Protocolo proposto.

O médico, que foi treinado para investigar, diagnosticar e dar uma solução, assumindo responsabilidades, literalmente assinando embaixo, questiona perante o paciente, se naquele caso o Protocolo se aplica. Por mais fundamentado teoricamente e testado dentro do rigor da Medicina Baseada em Evidências, um Protocolo passa pelo momento da decisão individual, em que processos internos comparam o já experimentado com o novo.

O Diretor Clínico deve entender, portanto, um Protocolo como um Projeto de Engenharia de Produção, com entrada de pessoas que passarão por intervenções e procedimentos padrão (processos), usando-se insumos e, demandando uma série de espaços dimensionados para seu correto fluxo, até a alta. Após a formatação do conceito é necessário colocar de forma clara e pragmática a aplicação.

Até acontecer a introjeção do conceito, passo seguinte da aceitação, medida pelo uso efetivo do protocolo, o médico que está na interface com o paciente deve ser relembrado repetidamente dos passos, finalidade e resultados do Protocolo proposto.

Com a tenacidade de um representante farmacêutico, o responsável pela implantação deve usar de diferentes meios de divulgação: palestras, inaugurações dos espaços destinados às atividades envolvidas nos protocolos, distribuição de folders, envio de artigos e disponibilização de roteiros com consulta rápida através de ícones específicos nos terminais. O limite da aplicação é o conceito de variância, que faz com que o Protocolo não seja o único modo possível de abordagem e, portanto nunca será obrigatório.

O caminho é longo, principalmente na implantação do primeiro protocolo em uma instituição, sendo muitas vezes indicado usar uma consultoria de marketing para agilizar o processo com atitudes direcionadas e eficazes. Pelo mesmo motivo introduzir um Protocolo por vezes é uma atitude de bom senso. A experiência adquirida neste processo permitirá colocar mais rapidamente o próximo, até de forma concomitante em duas áreas diferentes, por exemplo, um Protocolo em Clínica Médica e um em Ginecologia.

*Escrito por Anita Espligares Negrão Caldas, médica e arquiteta da Bross (anegrao@bross.com.br)

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