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O que podemos fazer pelos Cuidadores de Idosos?

Créditos: shutterstock
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Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), hoje os idosos representam 7,9% da população brasileira. Em 2025, a previsão é de que esse percentual seja de 11,3%. Com o claro crescimento dessa população no País, a procura por cuidadores de idosos naturalmente acompanhará o fenômeno.

Tendo em vista o que já acontece em outros países, será que temos dado atenção às demandas desses cuidadores? Nos EUA, 59% dos cuidadores informais – que não recebem remuneração para tal – possuem emprego e logo, dividem o tempo entre os cuidados e o trabalho. Nesse contexto, os cuidadores tendem a dormir menos, fazer menos atividades físicas e logo, cuidar menos de si próprios.

O resultado disso com alguma frequência leva a um quadro de ansiedade, que muito decorre do estresse físico e psicológico dos cuidadores. Como alguns estudos da literatura já apontaram, fatores como ser mulher, possuir menos anos de escolaridade, isolamento social e jornadas de cuidado muito longas podem favorecer ainda mais os quadros de estresse.

No caso brasileiro, os cuidadores informais respondem pela maioria de quem faz essa atividade no país. Mesmo para os formais, a atividade não tem regulamentação própria, sendo encaixada na mesma regulamentação das domésticas. Com isso, não há um currículo formal definido e as técnicas são ensinadas em poucos cursos de capacitação.

Dada a nossa realidade, em termos de saúde pública, é fundamental que os cuidadores – principalmente os informais – recebam suporte dos atores da saúde para assegurar o cuidado de qualidade. Aumento da oferta de cursos de capacitação, avaliação da saúde mental, auxílio psicológico e até mesmo o auxílio por parte de um segundo cuidador são medidas que o sistema público e privado podem oferecer para seus cuidadores. Sem um sinal de que a profissão será formalizada, a importância desse suporte é ainda maior.

Do exterior, vem um exemplo de iniciativa para formalizar o cuidado ao idoso. Neste ano, a startup Honor começou a oferecer um serviço que liga cuidadores de idosos, famílias e idosos na região de São Francisco, CA. Os prestadores do serviço são selecionados pela empresa segundo critérios curriculares e também de antecedentes (segundo o site da Honor, apenas 5% dos que aplicaram foram aprovados até então). Em abril, a empresa recebeu uma rodada de investimentos de 20 milhões de dólares.

Cuidar do próximo, seja parente ou não, é sem dúvida uma atividade edificante e nobre. No entanto, fechar os olhos para as dificuldades que fazem parte desses cuidados não soma para seu êxito. Há oportunidades de oferecer soluções e serviços para auxiliar na qualidade de vida de cuidadores e idosos, resta a nós colocarmos em prática isso.

Gostou do texto? Tem alguma crítica ou sugestão? Mande um email para joseeduardocgr@gmail.com, seu comentário é muito bem-vindo!

Nota: Neste mês dei início às minhas atividades como intercambista no Leiden University Medical Center (Holanda) e aproveitarei a oportunidade para trazer algumas novidades para o blog. Falarei de informações sobre eventos, notícias e características do cenário europeu da saúde. Fiquem ligados!

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